Quarto de Angelina J. Evans

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Quarto de Angelina J. Evans

Mensagem por Stalker em Dom 9 Fev 2014 - 22:00


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Re: Quarto de Angelina J. Evans

Mensagem por Convidado em Sex 28 Fev 2014 - 13:21


Mercedes Aretha Jones

— I'm loving 'Angel' instead ♦

Se eu odiava o Sam por ter partido meu coração, eu odiava mais a mim mesma por não saber lidar com a carga negativa que ele colocava em mim. Era tanta magoa, raiva e desapontamento que eu mal conseguia me controlar perto dele. Parecia que uma mulher má, rancorosa e sem o mínimo de compaixão, ocupava meu lugar, enquanto meu "eu" verdadeiro ficava preso em uma redoma de vidro cheia de dor e desilusão. Fraca e frágil de mais para poder sair. Isso apenas me fazia sentir mais raiva, não gostava mais do que me transformava perto dele. Se antes sua presença me fazia sorrir, agora apenas me causava repulsa... Estava tão perdida em meus pensamentos que nem lembrei de parar em um ponto de táxi. Puck e Derek não estavam por perto para me dar carona, apenas sair do colégio, andando sem rumo pela calçada. Lágrimas rolavam pelo meu rosto e eu não tinha nenhuma pressa em limpa-las, apenas queria que toda a dor que Sam me causara fosse embora junto com elas. Pessoas na rua paravam e me fitavam, algumas demonstrando preocupação e outras apenas curiosidade. E pela primeira vez, eu que sou tão vaidosa, não me importei com o que os outros pensariam do meu estado. Tinha o direito de sofrer e ninguém tinha nada a ver com isso.

Quando dei por mim, já me encontrava em uma pracinha que ficava perto de minha casa. Pensei em sentar um pouco, para descansar. Isso não foi uma boa ideia. Crianças brincavam com seus pais pela área recreativa infantil. Famílias aparentemente perfeitas. Uma garota em particular me chamou a atenção. Ela lembrava muito minha filha, tanto em aparência quando em idade. O pai dela estava do lado esquerdo e sua mão do direito. Ela se encontrava no meio balançando animadamente agarrada as mãos de seus dois heróis. Por culpa de Sam minha menina nunca viveria uma cena como aquela. Nunca teria uma família de verdade, nunca saberia como era receber o amor de um pai que realmente se importasse com ela. Não importava o que Sam me falasse, eu sabia que ele não era, nunca foi e nunca seria o pai que minha filha precisava. Mesmo contrariada me sentei no banco que tinha ali e me voltei aos céus, pedindo um pouco de conforto a Deus. Nunca havia me sentido tão sozinha e abandonada, que em certo momento esquecia que Deus sempre esteve comigo. Respirei fundo e tratei de limpar as lágrimas, que agora, pareciam queimar meu rosto como ácido. Do outro lado do parque uma melodia me contagiou. Um homem de terno preto, sapatos vermelhos e com a cara toda pintada de branco, com uma lágrima azul sob o olho direito tocava uma melodia lenta, comovente e bem conhecida por mim, no seu violino. De rosto seco, me levantei e me aproximei do artista. Ele não parecia ter mais de dezesseis anos e à sua frente jazia a capa de seu instrumento, aberta. Aguardando, esperançosamente, dinheiro que poderia vir ou não da bondade de seu "publico". Fechei os olhos sentindo a melodia tocar meu coração. Se tratava da musica Angels, do Robbie Williams. E assim, mesmo sem pedir permissão, me coloquei a cantar.

I sit and wait
There's an angel contemplate my fate
And do they know
The places where we go
When we're gray and old
'Cause I've been told
That salvation lets their wings unfold
So when I'm lying in my bed
Thoughts running through my head
And I feel the love is dead
I'm loving angels instead
No começo minha voz estava baixa e suave. O garoto me olhou um pouco assustado, e eu achei que ele iria parar de tocar, mas ele apenas sorriu, acenando com a cabeça. Como se me incentivasse a continuar, apreciando minha atitude. Fechei os olhos e seguir cantando com o mesmo tom inicial, respirando apenas nas pausas que existiam de um verso para o outro. A letra refletia exatamente o que eu sentia, meus medos, minhas inseguranças a duvida sobre o futuro. Quando cantei "'Cause I've been told", voltei a abrir os olhos. Todas as pessoas que estavam pela praça se aproximaram e ficaram em meia lua à nossa frente. A irmã mais nova do artista, estava fora de foco quando eu cheguei. Mas logo ela se colocou próxima as pessoas e começou a dançar uma coreografia de balé clássico, se movendo com técnica e perfeição, seguindo com maestria a melodia executada pelo irmão. Seu pequeno corpo, que aparentava dez anos, estava coberto apenas por um delicado vestido rosa bebê que se movia seguindo a vontade do vento. Seu bailado era encantador quase hipnotizante. Seus giros e saltos eram tão maravilhosos que me davam vontade de voltar a chorar, mas dessa vez contagiada pela a emoção e não pela tristeza. A ponta de suas sapatilhas deslizavam pelo chão enquanto a menininha fazia um delicado trocadilho com os pés. Só então pude ver o quanto seu calçado estava gasto. Minha voz soou um pouco mais aguda e verdadeira quando cantei "And I feel the love is dead", de fato o amor para mim estava morto, mas ainda assim tinha uma coisa que eu amava mais do amei qualquer outra coisa em minha vida, minha filha. Minha pequena Angel e foi pensando nela que sorri ao cantar, em baixa tonalidade, "I'm loving angels instead".      

And through it all she offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead
Seguir pensando em minha pequena enquanto começava a cantar o refrão. Agora minha voz se misturava com o coro formando por todos que estavam presentes, até algumas crianças se arriscavam à cantar a letra da musica e isso serviu apenas para alargar ainda mais o meu sorriso. Cada pequeno rosto, cada doce voz naquele momento pertenciam aos "anjos" da vida de cada pai e mãe que sorria bobamente fitando suas crianças enquanto elas brincavam de aprender a viver. O coro que nós todos formávamos era errático, desafinado e ao mesmo tempo tão bonito, cativante e inocente, devido a pureza dos pequenos olhinhos que nos acompanhavam durante a cantoria. Não me preocupava se minha voz estava ou não no tom da canção, aquela não era uma apresentação em que eu tinha que ser perfeita, era apenas um momento meu de ser humana. Retirei de minha bolsa uma generosa quantia e depositei no porta violino. A pequena dançarina se aproximou de mim e me regalou com uma elegante reverencia, eu repetir o gesto e parei de cantar para depositar um delicado beijo na testa da menina, que logo voltou a dançar. Meu ato de generosidade fez as outras pessoas se aproximarem, também fazendo boas doações. O jovem artista começou então a fazer um belo solo, o cumprimentei com a cabeça e me despedir de sua irmã mais nova com um aceno de mão. Então, ouvindo a parte instrumental da musica, comecei a me afastar do local, me sentindo mais leve e mais viva que nunca, só que ainda precisava ver o meu anjo, para me sentir completa. O parque não ficava muito longe de minha casa, por isso mesmo da minha rua, ainda podia ouvir o violinista ao fundo. Sua melodia soava um pouco distante e abafada pelos sons típicos da cidade, mas não menos bela que antes. Sem pensar duas vezes dei sequencia a letra da musica.

When I'm feeling weak
And my pain walks down a one way street
I look above
And I know I'll always be blessed with love
And as the feeling grows
She breathes flesh to my bones
And when love is dead
I'm loving angels instead
As pessoas daquela rua me conheciam desde que nasci, por isso não estranharam ao me ouvir cantar, já era normal eu fazer isso. Soltei a voz sem medo de ser feliz. Minha discussão com o Sam ainda me incomodava, mas agora, isso parecia pequeno de mais comparado ao desejo de ver minha filha. Meus vizinhos acenavam enquanto eu passava e eu retribuía a gentileza com um belo sorriso enquanto cantava. Parecia que naquele bairro ninguém precisava de motivos para cantar e todos apreciavam quando alguém se colocava a fazê-lo. Minha voz agora um pouco mais rouca e alta. Não era mais possível ouvir o som do violino, por isso estava cantando à capela. Na calçada perto ao jardim de minha casa uma senhora repousava tranquilamente em sua cadeira de balanço e perto dela suas quatro netinhas jogavam amarelinha, não muito longe um grupo de garotas pulava corda. Via todos esses seres como anjos, mas nenhum deles era o meu. Sorri para todas as pequenas garotas da rua e para senhora que estava ali desde que me entendia por gente. Era doloroso saber que sua hora estava chegando e que quando suas netas tivessem a minha idade aquela cadeira estaria balançando sozinha. Me livrei de tal pensando e corri para dentro de minha casa, ansiosa para ver minha coisa favorita do mundo. Fechei a porta atrás de mim e pude ouvir minha vizinha que cuidava dela na hora do meu trabalho, na cozinha preparando a papinha de minha pequena, enquanto pela baba eletrônica, que se encontrava na mesinha da sala, podia ouvi-la dando gritinhos animados enquanto brincava em seu quarto. Corri para lá, cruzando o caminho, tão rápido que parecia que os degraus da escada não existiam. Parei na porta, respirando ofegante. Minha anjo estava sentada no chão acolchoado. Joguei minha bolsa no sofá, no caminho até ela, e a carreguei de surpresa. Fazendo a mesma soltar mais um gritinho excitado. A elevei acima de minha cabeça e a girei no ar, duas ou três vezes, não importa. Finalmente tinha minha pequena em meus braços e essa era a sensação mais valiosa do mundo. Por um momento sentir pena de Sam por não poder aproveitar daquele momento, era o crescimento de sua filha, mas eu não tinha culpa se ele conseguiu ser imaturo o suficiente para perder esse direito.      

And through it all she offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving 'Angel' instead
Sentei no chão, aonde a encontrei, e a mantive cativa em meu colo, para logo voltar a cantar. Dessa vez tive todo o cuidado do mundo para não subir nenhuma nota e acabar prejudicando a audição de minha pequena. Minha voz soava baixa, suava e afinada, como se eu estivesse cantando para o ser mais delicado do mundo, o que de fato ela era. Uma expressão confusa se formou no rosto dela, enquanto a mesma me fitava. Só então me toquei que aquela era a primeira vez que cantava para a mesma em meses. Quando o fazia ela era pequena de mais para entender. Sam tinha me tirado a vontade de cantar, por isso não fazia mais isso espontaneamente, como agora. Angel elevou sua mão, tocando minha bochecha e sorriu, apreciando o som que saia de minha boca. A trouxe para perto, apertando delicadamente seu corpinho contra o meu, sentir minha pequena deitando a cabeça de forma manhosa, e me levantei com ela no colo. Uma lágrima rolou pelo meu rosto enquanto cantava "When I come to call she won't forsake me". Todos me abandonavam, não importava se eram amigos, inimigos ou amores. Todos apenas se iam, mas ela sempre estaria comigo, não importa o que aconteça. A afastei de mim e cantei o ultimo verso fitando seu pequeno rostinho sonolento... "I'm loving 'Angel' instead". Minha voz tinha saído como um sussurro. Por fim, beijei sua pequena testa e a trouxe de volta para mim, que preguiçosamente tombou o corpo em meu colo e segurou uma mexa de meu cabelo com as mãos. Ela costumava fazer isso para que eu não fosse embora quando ela dormisse. Sorri e fitei minha pequena em meus braços com amor. Angel era minha vida e nada nem ninguém tiraria ela de mim. Sentei na poltrona que ficava próxima ao berço e a ninei tranquilamente, enquanto aos poucos seu corpinho ia ficando mais pesado e minha anjo da guarda adormecia — Te amo muito, pequena! — disse, por fim.


- - - Extras - - -


Frase: “When I come to call she won't forsake me!”    Musica: Angels - Robbie Williams    Com: Pessoas da Praça/Angel ♥    Humor: Bipolar/Emotiva    Vestindo: Clique Aqui!


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