{FP} petter Von Hower

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{FP} petter Von Hower

Mensagem por Petter Von Hower em Ter 25 Fev 2014 - 17:22






Gustavo # 18 # -

Petter Von Hower












Características físicas


Petter  é um rapaz bem alto e com uma musculatura bem desenvolvida e definida. O jovem rapaz possui longos cabelos louros e aparentemente bem cuidados, usa uma barba bem aparada e cuidada o que lhe dá a impressão de ser alguns anos mais velho do que realidade. Seus olhos são azuis em tom claro e refletem um expressão de transparência e profundidade, um olhar vivo e capaz de extasiar quem atente-se a ele.


Características Psicológicas


Petter é um rapaz tido como calmo, focado e extremamente determinado, busca aperfeiçoar-se como pessoa a cada dia lutando pelo o que acredita ser o caminho correto, mantém sua mente sempre afiada para lidar com as diferentes circunstâncias que podem vir a surgir em sua vida diária. Seu foco em ser uma pessoa companheira e confiável é constante, gosta de estar presente na vida das pessoas e de ser alguém com quem elas possam contar à qualquer momento, sua calma e paciência sempre foram suas maiores qualidades além de ser uma pessoa responsável e confiante.



Um Pouco Mais Sobre Petter






Qual a sua idade? 17 Anos


Onde nasceu? Mallibu


Estado Civil? Solteiro


Orientação Sexual? Heterosexual


O que gosta de fazer? Cantar, fazer exercícios, tocar guitarra, serviços sociais.

O que não gosta de fazer? Ficar sem nada para fazer.

Livros preferidos? O Futuro da Humanidade, TWD, Biografia Slash, A Menina que Roubava Livros.

Filmes preferidos? Nenhum

Frase marcante? A sociedade nada mais é que o espelho de sua crença.

Qual artista que mais se parece? Nenhum em especial, apenas mais um na multidão.





A minha curta e conturbada vida.



 Sentado em um banco qualquer ao redor do campo de futebol enquanto comia um sanduíche de creme de amendoim e geleia eu me recordava de como foi meu caminho até aqui, tudo o que passei, as dificuldades a serem superadas para melhorar quem eu era e chegar a ser quem eu sou hoje. Lembro-me de quando ainda era pequeno, tinha cerca de 5 ou 6 anos de idade e ficava atormentando a vida de meu irmão mais velho enquanto ele tentava praticar suas aulas de bateria na garagem, era divertido quando eu por traquinagem dava tapas nos pratos pois ele gritava comigo e me arremessava uma das baquetas, eu saía correndo e rindo enquanto ele me chamava de praga ou de miniatura do mal.

 A verdade é que eramos muito ligados, possuíamos um elo entre irmãos muito raro de ser visto em outras famílias, já que na maioria os filhos possuíam seus pais. Sim, eu e meu irmão não tínhamos pais, eles morreram durante um acidente em um cruzeiro que faziam para descansar um pouco do stress no trabalho, meu irmão já era bem mais velho do que eu na época, eu devia ter meus 3 anos e ele cerca de 19 anos pois assumiu toda a grana e as ações de nossos pais. Ele as vendeu pouco tempo depois pelo fato de não querer se tornar um cara cheio de compromissos e não ter tempo de cuidar de mim. Ele ficou como meu responsável já que não tínhamos familiares, depois de perdermos nossos pais ficamos somente eu e ele, o que foi muito bom para termos o elo inquebrável de companheirismo e amizade acima de tudo.

 A perda de nossos pais não me afetou tanto já que eu não tenho memória alguma de como eles eram ou de quem foram, pelo o que me era contado por John, meu irmão mais velho, eles pareciam ser pessoas incríveis e ótimos pais que se esforçavam para dar o melhor para John e para mim. Cerca de 2 ou 3 anos depois da morte deles comecei a ter mais consciência de tudo, e passei a ter noção das coisas que meu irmão fazia por mim e isso tudo era realmente admirável, ele sempre fora meu maior exemplo de como eu gostaria e deveria ser, com 8 anos decidi aprender a tocar guitarra pois ele tinha uma em seu quarto, me lembro de que era uma Fender Stratocaster com bordas pretas e o centro avermelhado em um tom amarronzado, eu poderia ficar horas a admirando, era realmente linda. Um dia ele ensaiava um pouco depois de ter praticado horas em sua bateria, eu estava na sala assistindo desenho animado quando ouvi seus solos que até hoje  me fazerem  arrepiar somente de lembrar, John era muito talentoso e eu queria ser como ele algum dia, na mesma hora me levantei do sofá e corri em disparada subindo as escadas e em seguida indo para seu quarto, assim que entrei me arremessei no chão me sentando à sua frente para assistir seu ensaio.

 Após eu assistir seu ensaio lembro-me de estar completamente arrepiado e admirado, ele parecia tocar com tanta paixão que fechava os olhos e viaja com a melodia, seu sorriso ficava largo quando fazia um pull off e o som se distorcia com o vibrato, eu não sabia na época o que ele fazia apenas acompanhava seus movimentos e me deixava levar pelo o que a música me passava. Assim que terminou ele me encarou e sorriu enquanto perguntava se eu queria aprender a tocar como ele, meus olhos encheram-se de lágrimas pois era o que eu mais queria, apenas acenei positivamente com a cabeça e fui me sentar ao seu lado, daquele dia em diante levei cada lição como uma tarefa diária, ainda hoje quando tenho algum tempo livre eu o dedico para praticar tudo o que me foi ensinado, já que não tenho mais meu amigo, professor, pai, mãe, irmão e acima de tudo, meu mestre.

 John se foi quando fez sua primeira viagem para um show em Nova York, eu tinha apenas 10 anos na época, eu não pudi ir com ele pois ele dizia estar com mal pressentimento sobre a viagem e queria que eu ficasse na casa de uma amiga dele. Na manhã seguinte após a partida de John, chegou a notícia de que o ônibus havia se chocado com um caminhão de mudanças na madrugada e todos haviam morrido, me lembro do policial avisar a amiga de John que provavelmente o motorista do ônibus teria dormido ao volante e isso teria causado o acidente.

 Aquilo me matou no mesmo instante, não chorei, não senti dor, apenas ouvi aquilo e me retirei da sala indo para o quarto, peguei a guitarra de John que estava comigo e comecei a toca-la, não sabia o por que mas parecia que o som não era mais o mesmo, o brilho que tinha não era mais o aquela do qual eu me recordava, fechava os olhos buscando na memória o som que John fazia enquanto tocava, então tudo veio a tona e a realidade caiu sobre mim como uma avalanche, ele não voltaria mais e eu nunca mais iria assistir um de seus ensaios que tanto me encantavam.

 Só depois de perceber que John havia morrido é que a dor me atingiu em cheio, comecei a chorar enquanto arrumava minhas coisas e me preparava para voltar para casa, a chave estava comigo pois o combinado era que meu irmão iria me buscar assim que voltasse, como ele não iria mais vir me buscar decidi voltar sozinho. A amiga de John quis me impedir mas não conseguiu, apenas juntei minhas coisas e sai dali, assim que cheguei em casa fui para meu quarto, peguei algumas roupas limpas e desci para a cozinha para apanhar algumas coisas, biscoitos, enlatados e algumas garrafas de água, então fechei a casa e fui embora.

 Nos anos seguintes eu aprenderia o que é estar sozinho e ter que viver por conta própria, eu não queria ir para um abrigo, eu preferia ficar sozinho e talvez morrer nas ruas, não conseguia me ver muito longe sem meu irmão pois ele era minha base para tudo, sem ele eu estava sozinho, perdido e confuso. Me lembro de nas primeiras semanas ter me saído bem pois tinha alimentos e água, apesar de feder eu ainda estava bem pois tinha alimentos de sobra, pena que outros moradores de rua perceberam e poucos deles eram gentis, numa noite qualquer eu abria minha mochila para pegar uma caixinha de biscoitos quando passou uma dupla de mendigos, eles viram minha mochila de suprimentos abarrotada de comida, um deles um negro alto barbudo sorriu e pegou minha mochila com um sorriso grotesco no rosto. Não me lembro de muita coisa apenas de ver um grande punho vir contra mim e sentir um forte baque, depois acordei com uma forte dor de cabeça e sentia uma tontura que me impedia até mesmo de me sentar, naquele momento me dei conta de que  eu não tinha realmente nada, apenas minhas roupas espalhadas pelo chão e com luvas e tocas faltando, aqueles dois haviam levado todo o resto inclusive minhas mochilas, encolhi minhas pernas e suspirei alto pensando no que faria.

 Algumas semanas depois vi um grupo de garotos de rua roubando uma mulher bem trajada que talvez estivesse indo trabalhar, eu já não tinha mais o senso de certo e errado que John me ensinara quando era vivo, estava dolorido física e emocionalmente pois passara a conhecer mais do mundo real e como era viver nessa realidade. Eu teria que viver esse mundo para poder sobreviver nele, então corri até onde a mulher estava e me lancei contra ela a derrubando com o impacto, ela soltou a bolsa e os garotos correram, pena que não tive a mesma sorte, um policial que fora alertado pelas outras pessoas que assistiam a cena chegou no exato momento que eu me preparava para correr. Dali fui levado para uma casa de guarda, lá eu saberia um pouco mais de como a vida era difícil, péssimas condições de vida, péssima alimentação e o maior conforto era ficar em pé pois deitar naquela cama de molas frouxas era horrível, eu não tinha muita fé que tudo aquilo iria melhorar pois estava amargurado e com ódio, além do mais,  eu descobriria o que era capaz de fazer em pouco tempo.

 Em uma quinta-feira no horário de almoço eu seguia para uma das mesas do refeitório após ter sido servido pelas cozinheiras, um dos garotos veteranos começou a me provocar e arremessar comida em mim, eu continuei andando em frente indo em sua direção calma e tranquilamente, assim que estava praticamente lado a lado do garoto ele lançou um punhado de macarrão em minha nuca, aquilo pegava fogo e foi quanto rapidamente me virei e soquei com toda minha força sua nuca, apenas ouvi um estralo e logo vi o jovem cair para trás. Todos se afastaram imediatamente e outros começaram a gritar pelo susto que levaram, o garoto não se movia e estava de olhos fechados, devia te-lo matado, mas por sorte não foi o que aconteceu, foi algo pior em minha opinião de hoje, ele ficara tetraplégico, naquele dia eu fui encaminhado para a solitária onde fiquei cerca de quatro semanas a base de pão e água, o que na realidade era melhor do que as refeições comuns daquele lugar.

Fiquei naquele local por 4 anos, até que Samanta a amiga de John onde eu fiquei na época em que ele morrera me encontrou nessa casa de guarda, ela havia passado todos estes anos me procurando depois que eu fugi para ter um tempo somente para mim. Ela pagou as despesas e a taxa para me liberarem, então fomos para casa, não a dela mas para a casa onde eu morava com meu irmão, onde eu senti novamente aquela dor que sentira no passado, assim que entrei e reparei que tudo estava do mesmo jeito de quando fui embora meu corpo estremeceu, eram muitas lembranças para minha mente, então buscando me aliviar de tantas memórias eu acabei indo para meu quarto.

Eu me mantive frio e inacessível por várias semanas após o retorno para casa, mas Samanta era uma pessoa muito adorável e atenciosa, não era de estranhar que John a admirava e havia se apaixonado por ela na época, mas ele jamais havia contado nada sobre isso para ela, John preferia manter isso em segredo pois tinha medo de assustá-la e perder sua amizade por isso guardava aquilo consigo, e somente vez ou outra comentava comigo o que sentia por ela. Samanta me trazia várias lembranças dele e por isso eu me mantinha afastado e fazia de tudo para afasta-la de mim quando ela tentava aproximar-se, sempre falando sobre ele e como deveríamos lidar com tudo aquilo já que fazia algum tempo que ele partira.

 Eu me tornara extremamente agressivo e rude, não aceitava conselhos e muitas vezes dizia coisas que não eram necessárias para ela a xingando e dizendo barbáries que aprendera nas ruas e na casa de guarda, mas ela mantinha-se amável e atenciosa do mesmo modo, parecia compreender o por que daquilo tudo e insistia em tentar aproximar-se, o que me feria ainda mais. Uma noite eu peguei a guitarra que era de John e fui até uma loja de instrumentos para trocar as cordas que estavam velhas e enferrujadas, além de mandar limpa-la, aquela era a melhor loja que havia nas redondezas e John sabia disso, pois na época não saía de lá fazendo parecer que aquela loja  era sua segunda casa, assim que foram feitas a limpeza e a troca de cordas eu voltei para casa e fui direto para meu quarto.

 Assim que entrei no quarto eu encostei a porta, conectei o cabo do amplificador na guitarra e fechei os olhos, me lembrei da música que John adorava tocar, The Unforgiven do Metallica, comecei a toca-la e deixei as lembranças de quando era menor voltarem à tona, depois de alguns minutos me dei conta de que Samanta estava parada ali enquanto cantava, silenciosamente ela havia aberto a porta e permaneceu ali, naquele momento entendi por que John se encantara por ela, sua voz era doce e suave como se fosse de uma voz angelical, e ela nem se quer fazia esforço para cantar, suas veias não apareciam em seu pescoço e mesmo assim seu alcance vocal era incrível.

 Após a música terminar eu a observei com um sorriso, ela admirou-se em me ver sorrir novamente depois de tanto tempo, eu pedi para que ela me ensinasse a cantar e ela o fez de bom grado, me ajudou a descobrir meu tom de voz o que me surpreendeu pois minha voz era bem grave, eu era um baixo e era bem legal ter uma voz grave como aquela para cantar, já que minha voz naturalmente sempre fora mais grave comparadas com outras crianças e garotos que conhecia. Com a ajuda de Samanta fui me aperfeiçoando rapidamente com a arte de cantar, ela era uma pessoa muito atenciosa e dedicada e não se importava em me ensinar várias e várias vezes a mesma coisa, em poucos meses eu já me via cantando de forma afinada e sem muitos problemas para conseguir fazer cover de minhas músicas preferidas.

Um certo dia Samanta me disse que mudaríamos de Malibu e iríamos para Lima- Ohio, alugaríamos as casas e delas teríamos uma renda para sobrevivermos, além de um emprego que ela tentaria arranjar, não me opus pois sabia que sua intenção era de nos afastarmos das lembranças que ainda tínhamos daquele lugar. Poucas semanas depois já havíamos mudado de Malibu para Lima, estávamos em um pequeno apartamento em um bairro de classe média onde tudo era diferente do que estávamos acostumados, poderíamos ter comprado uma boa casa com o dinheiro que John havia guardado para mim porém o banco decidira não libera-lo para Samanta, então ficamos apenas com a casa. Agora que a mesma estava alugada por um bom preço poderíamos ficar tranquilos com o aluguel do apartamento, eu queria poder ajudar mas ela não deixava pois queria que eu mantivesse o foco nos estudos, eu não queria estudar mais, os 4 anos que passara na casa de guarda já me bastava, era o que eu acreditava na época.

 Na semana seguinte inciei meus estudos no colégio Willian McKinley High School, de início eu o odiara por várias razões, sempre haviam os valentões que zombavam dos novatos ou mais fracos e eu não andava lá muito calmo para suportar bullying então nas primeiras horas já estava na sala do diretor por quebrar o nariz de um dos valentões. Uma coisa que havia aprendido nas ruas e na casa de guarda foi a me defender, então um valentão  era algo simples de lidar, Samanta não demorou muito para chegar, estava afoita e perguntou o que havia acontecido, ao reparar que um de meus olhos estava roxo e levemente inchado e o garoto que me agredira estava  com um saco de gelo no nariz e com a cabeça jogada para trás percebeu do que se tratava.

 Logo após o sermão do diretor sobre ética e toda a baboseira sobre regras e blá blá blá ele nos liberou e mandou que eu voltasse para casa, no meu primeiro dia já possuía uma suspensão de 3 dias, aproveitei para me exercitar e colocar meu corpo em forma pois precisaria estar apto para uma possível revanche do garoto que me perturbara. Naquela noite Samanta preparou um belo jantar e me chamou para conversar, ela disse que eu não poderia mais agir da mesma forma que eu estava acostumado, que o colégio não era a casa de guarda mesmo que para mim isso não parecesse ser verdade, eu mesmo me sentindo contrariado a ouvi atentamente e pensei no que me foi dito, não poderia contraria-la pois era ela quem cuidava de mim e quem me resgatou da vida que eu erroneamente escolhera seguir.

Após o jantar ajudei Samanta a lavar e secar a louça enquanto conversávamos sobre um pouco da vida de cada um, vivíamos juntos mas nos conhecíamos tão pouco ao ponto de parecermos estranhos convivendo juntos, ela era incrível e tinha um charme incomparável o que alguns de nossos vizinhos solteirões também notaram. Ela namorou uns e outros de nossos vizinhos, e se desiludiu muitas vezes, era triste ver aquela pessoa maravilhosa tão cabisbaixa e vezes ou outras no meio da noite era possível ouvi-la chorando. O choro de Samanta tocava minha alma e eu não deixaria aquilo barato, um por um dos ex de Samanta misteriosamente apareciam jogados em um terreno baldio ou beco da cidade, alguns conseguiam ir para casa e outros precisavam ser hospitalizados, e novamente Samanta tinha que me retirar de um dos abrigos para delinquentes juvenis, ela sempre me dava um sermão que mais parecia uma conversa entre amigos de infância, isso era incrível pois com certeza se fosse outra pessoa estaria certamente aos berros ou eu teria levado uma surra, mas ela não era assim. Sempre após algum sermão ela me abraçava forte e bagunçava meu cabelo me chamando de " pequeno encrenqueiro" eu tinha 14 anos e não gostava muito de ser chamado assim, mas vindo dela era aceitável e até que eu gostava, passado 1 ano Samanta arrumou um novo namorado, eu estava em casa quando ela apareceu com ele e fomos apresentados, Stuart era o nome do defunto ambulante. O safado estendeu a mão para mim e eu me neguei a cumprimentá-lo, Samanta notou o clima que ficou e foi buscar algumas bebidas, eu me levantei do sofá e o alertei:

- Magoa minha amiga e você será um cara morto, já deve ter ouvido falar do garoto que espanca homens pela cidade, ele sou eu, parta o coração dela e eu arranco o seu.-

 O cara arregalou os olhos e logo foi embora, eu ri baixo e voltei a me sentar para ver TV, assim que voltou  e não encontrou seu namorado Samanta perguntou o que havia acontecido, eu disse que tinha alertado sobre o que aconteceria se ele a magoasse, ela me encarou por alguns minutos com um leve sorriso no rosto e disse:

- Desse jeito vou virar uma velha sozinha, é isso que quer para mim? -

Sorri de volta para ela e me levantei dando-lhe um abraço e dizendo:

- Sozinha não, pois você tem eu ao seu lado, você cuida de mim e eu de você, melhor do que esses canalhas que só sabem maltratar seu coração. Posso ser revoltado e um delinquente, mas jamais faria algo que pudesse faze-la sofrer e chorar a noite toda, o que vem me tirando o sono sempre. -

 Ela ficou vermelha neste momento e logo começamos a rir, ela era uma boa pessoa e que eu amava muito pois era minha melhor amiga, eu não conseguia vê-la de outra forma pois sabia que John fora apaixonado por ela,  se eu me permitisse ter o mesmo sentimento seria como se eu estivesse ignorando os sentimentos de meu irmão e traísse sua memória, isso para mim era algo extramente errado e jamais poderia fazê-lo.

 Mal sabia eu o que estaria por vir, Samanta costumava ir ao colégio na hora da saída pra jantarmos fora, e em uma sexta feira ela se atrasou, ela já estava trabalhando e fazia hora extra algumas vezes na semana, mas ela não faria mais. Decidi ir sozinho para casa naquele dia  já que ela não aparacera, logo que cheguei em casa meu celular toca e repentinamente sinto uma forte tontura e um nó se forma em minha garganta, eu já sabia o que era, meus olhos lacrimejaram sem parar quando vi o numero do celular da Samanta, minha voz falha dizia:

- Samanta é você? -

- Sr.Petter? - Uma voz masculina me perguntara.

- Sim, o que aconteceu com Samanta? -  Meu coração palpitava desenfreadamente e o choro vinha a tona.

- Acalme-se rapaz, sei que é triste dizer e ao perceber seu estado me parte o peito mas..- Aquela pausa mutilava minha alma e arrancava meu coração de meu peito até que..

- Samanta foi vitima de um assalto, testemunhas alegam que ela negou-se a entregar a bolsa e o assaltante efetuou vários disparos contra ela. A propósito, um comerciante ambulante disse ter reparado que ela conhecia o seu assassino e o chamou de.. Steve, Steves.. -

Meu coração parou, e meus olhos secaram com o ódio que correu por cada veia de meu corpo.

- Stuart, esse é o nome dele. - Minha voz soou ainda mais grave do que o comum e meu punho fez meu celular estralar com o aperto que eu dera.

- Sim, Stuart foi o nome relatado pela testemunha. O Sr o conhece ou sabe onde ele mora? - Questionou-me a voz.

- Não sei onde ele mora, mas fique tranquilo que eu envio o corpo dele para os legistas da polícia.- Desliguei o celular, fui até a cozinha e peguei uma faca, logo sai do apartamento, andei pela cidade inteira procurando o assassino de Samanta, eu não voltaria para casa e nem mesmo para a escola até que o encontrasse. Infelizmente quando o encontrei ele já estava morto, estava baleado e jogado em um beco qualquer, eu não pude vingar Samanta mas fiquei aliviado pois aquele desgraçado recebera o que mereceu, morreu da mesma forma que matou, justiça fora feita pelas mãos de outra pessoa.

 Havia gasto duas semanas procurando Stuart, mas mesmo depois de encontra-lo jamais retornei para casa ou para o colégio, decidi voltar para Malibu e fiquei lá por mais 2 anos até que minha mente e minha alma se aquietaram, eu conseguira superar minha dor enquanto vagava pelas ruas sem rumo e apenas relembrando tudo que me aconteceu de bom enquanto vivi com Samanta, seus conselhos, seu modo de falar e pensar, seu modo sempre gentil e tranquilo. Ela era uma pessoa muito amável e que marcara muito minha vida, ao invés de sofrer e me deixar corroer e me entregar ao sofrimento decidi que iria seguir em frente e me tornar alguém melhor do que eu era, devia isso à ela pelas promessas que tinha feito após os sermões de amiga que ela me dava, era a coisa certa a se fazer e com certeza seria algo que Samanta iria aprovar.

 Então eu voltei, me matriculei mais uma vez no colégio e voltei para o apartamento, ele havia sido fechado pois não havia ninguém para pagar o aluguel durante os dois anos que eu estive fora, liguei para o proprietário e negociamos o novo aluguel após ter explicado o que havia acontecido, o dono compreendeu e me alugou novamente o apartamento me dando um tempo para pagar o novo aluguel e perdoou a divida passada. No mesmo dia ele me levou a nova chave do apartamento, assim que entrei fiquei surpreso pois todas as coisas que eram minhas e de Samanta ainda estavam lá, nada foi tirado do lugar, nem mesmo as garrafas de refresco que eu deixava ao lado do sofá e Samanta brincava me chamando de " porquinho folgado" por beber e não querer por no lixo. Aquilo foi dilacerante para mim e  não contive o choro, minhas pernas fraquejaram me fazendo cair no chão de joelhos e logo chorei com a voz de minha alma, a dor explodiu em mim me fazendo soluçar enquanto todas as memórias vinham em minha mente, subidamente eu comecei a chama-la repetidas vezes rezando para aquilo ser somente um pesadelo, rezando para  que logo ela fosse me sacudir e me acordar com um forte abraço dizendo que nada daquilo era real.

 Infelizmente era tudo real, tudo o que recebi foi um toque no ombro vindo do dono do apartamento, ele disse que iria embora para não me incomodar naquele momento, logo ele foi embora. Eu fiquei naquele local horas e mais horas, até que notei um novo dia nascer e então fui para meu quarto dormir. Minha exaustão me fez dormir um dia inteiro, assim que levantei vi a velha guitarra de John, suas cordas ainda estavam boas, apenas liguei o amplificador e conectei o cabo na guitarra, lembrei-me da música que Samanta cantou comigo quando ela me libertou da casa de guarda, Unforgiven, não pudi tocar e cantar ela inteira pois a lembrança da voz de Samanta fazia vários nós se formarem em minha garganta e a voz não saía direito.

 Depois disso fui tomar um banho e me arrumar para vir para o colégio, e agora estou aqui, relembrando minha vida inteira enquanto vejo o time se retirar do treino e os demais voltarem para suas salas enquanto meu sanduíche permanece intacto e lavado em minhas lágrimas, não é fácil lidar com essas perdas, apenas quem sente na pele toda essa dor pode compreende-la. Eu sempre sonhei em um dia poder tocar e cantar com Samanta, mas tenho que realizar meu sonho sozinho já que ela se foi, vi que um coral do colégio estava recrutando novos alunos, pensei em me inscrever pois hoje haveria novas audições.

 Me inscrevi e fui para a aula e logo após o dia de aula se encerrar eu segui até o auditório, eu conhecia muitas músicas mas muitas delas não faziam  eu  me sentir confiante para cantar, mas havia uma que eu precisava cantar, eu precisava canta-la para por para fora tudo aquilo que vinha guardando dentro de mim e eu sabia que poderia me aliviar, mesmo que não fosse aprovado para o coral e não pudesse realizar meu sonho, somente em desabafar através da música já iria ser mais do que eu precisaria naquele momento.

 Haviam vários alunos querendo participar e eu seria um dos últimos a se apresentar, eu tive a oportunidade de ver muitos talentos e aquilo me intimidou um pouco, porém algo me motivava novamente era de somente poder cantar e de forma discreta por para fora o que me consumia lentamente. Então após algumas horas finalmente chegara minha vez, eu avistei o violonista e sussurrei o nome da música que iria cantar e ele acenou com a cabeça que conhecia, então pedi licença e apanhei uma guitarra e afinei no tom correto para a música e logo a conectei no amplificador, me dirigi até o centro do palco e me apresentei ao avaliador dizendo:

 - Olá, me chamo Petter Von Hower, e para este teste eu cantarei Nothing Else Matters da banda Metallica. -

 Olhei para trás e acenei para o violonista indicando que poderia iniciar, assim que comecei a ouvir a introdução da música senti meu peito encher-se de paz e me senti confiante mais uma vez, me senti relaxado e pronto para começar, comecei a tocar junto e logo cantei:

          So close no matter how far
          Couldn't be much more from the heart
          Forever trusting who we are
          And nothing else matters


  Comecei com minha voz em um tom mais suave enquanto sentia a música percorrer por todo meu corpo e recarregar minha alma fazendo meus olhos se fecharem, e deixando apenas minha voz fluir em seu grave e ecoar pelo local enquanto sentia meus olhos se umedecerem lentamente enquanto seguia cantando:

          Never opened myself this way
          Life is ours, we live it our way
          All these words I don't just say
          And nothing else matters


  Eu podia me sentir entrosado perfeitamente com a música e seguir seu ritmo subindo e descendo o tom de minha voz de forma suave e sem esforço, me deixando levar com as viradas para o terceiro verso que me permitiria soltar um pouco mais minha voz :

          Trust I seek and I find in you
          Every day for us something new
          Open mind for a different view
          And nothing else matters
 

  Era algo que eu estava gostando de fazer e cantando com paixão e dedicação enquanto relaxa e logo entrava no próximo verso com paixão enquanto posicionava meu pé esquerdo a frente e aproximava ligeiramente a minha boca do microfone para não necessitar aumentar muito o tom de minha voz e nem forçar muito meu diafragma para projetar minha voz:

        Never cared for what they do
        Never cared for what they know
        But I know
 

   Esse verso fazia eu me sentir mais vivo e fazia meu corpo mover-se ainda mais até que paro de tocar e  pego o microfone de seu pedestal e aproximo-o um pouco de minha boca novamente e abaixo o tom de minha voz mais uma vez para aproveitar de meu tom e deixando-a o mais suave possível :

      So close no matter how far
      It couldn't be much more from the heart
      Forever trusting who we are
      And nothing else matters
 


 Em seguida afasto o microfone o máximo que podia e canto com toda força que podia tentando afinar  o tom de minha voz para assemelhar-la com a do cantor original sem desafinar e transmitir a emoção que invadia minha alma naquele momento enquanto inclinava meu corpo para trás levemente:

    Never cared for what they do
    Never cared for what they know
    But I know


 Enquanto cantava a segunda frase colocava o microfone em seu pedestal, assim que encerro a ultima frase  pego a guitarra e inspiro lentamente enquanto acompanhava o solo do violonista, assim que chega o momento me mantenho bem próximo do pedestal e torno minha voz levemente rouca para os próximos versos enquanto aumentava um tom em minha voz:

    I never opened myself this way
    Life is ours, we live it our way
    All these words I don't just say
    And nothing else matters

   Trust I seek and I find in you
   Every day for us something new
   Open mind for a different view
   And nothing else matters

   Never cared for what they say
   Never cared for games they play
   Never cared for what they do
   Never cared for what they know
   And I know


 Logo eu pegava a guitarra e com o braço secava ás lágrimas que escorriam pela minha face enquanto lembrava de John fazendo este solo, me inspirando nele eu afastava minhas pernas e as flexionava suavemente enquanto tocava fechando meus olhos com força e me balança tentando me focar no solo que tocava com minha alma e aliviava a tensão de estar sendo observado por alguém. Assim que o momento do solo se encerra eu me aproximo do microfone mesmo com a visão embaçada e com o mesmo tom do primeiro verso só que com a voz um pouco falha pelos nós em minha garganta eu canto o ultimo verso.

  So close no matter how far
  Couldn't be much more from the heart
  Forever trusting who we are
  No, nothing else matters


 Enquanto o violonista tocava os riff finais eu guardava a guitarra em seu lugar e retirava o cabo da guitarra enquanto secava meu rosto, assim que terminara eu fui até o microfone e encerrei dizendo:

 - Obrigado pelo seu tempo. -

 Logo me retirava do auditório incerto de estar melhor ou pior, a única coisa que tinha certeza é de que eu havia feito o que devia e agora poderia voltar para casa tranquilamente.



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Re: {FP} petter Von Hower

Mensagem por Arthur B. H. Sonderburg em Sab 1 Mar 2014 - 14:47





Aceito

Sua ficha foi aprovada! A partir de agora, você é um membro oficial do RPG. Pronto para postar e conhecer novas pessoas e lugares? Divirta-se ao máximo!

ANÁLISE DA FICHA:

Sua ficha está muito bem escrita. Sua narração é interessante e sua descrição física e psicológica estão muito bem feitas. Alguns erros de distração podem ser encontrados, mas o máximo que permitem é um conselho: da próxima vez, evite fazer descrições tão extensas e revise com atenção seu texto. Sua capacidade de passar emoção é interessante e sua criatividade para criar a história também. Meus parabéns e bem-vindo. :D

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