[FP] LUCCA JACOMETTI

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[FP] LUCCA JACOMETTI

Mensagem por Lucca Jacometti em Sab 5 Jul 2014 - 23:37


LUCCA JACOMETTI



HISTÓRIA

Algo sobre mim? Certo, eu nunca fui um bom narrador. Mas irei tentar, afinal eu preciso que todos me conheçam um pouco não é? Primeiro quero que saibam que foi difícil aceitar o meu sotaque italiano, enquanto meus pais são americanos. Sim, eles deixaram os Estados Unidos um ano antes da minha mãe engravidar pela primeira vez. Eles sempre alegaram que não queriam que seus filhos crescessem em Boston, local onde ambos nasceram e viveram a maior parte de suas vidas. Então, com uma novo oportunidade de trabalho eles decidiram seguir para a Itália, mais exatamente em Palermo.

Um ano depois eu nasci, minha mãe deu a luz ao pequeno e loiro Lucca. Por que esse nome? Não sei ao certo, sempre que pergunto eles se esvaem em explicações confusas. Prefiro acreditar que foi apenas um nome bonito que resolveram escolher. Aliás, eu gosto do meu nome. Não, não sou uma pessoa convencida. Como disse antes, eu precisei completar quatorze anos até aceitar que eu falava diferente dos meus pais. Mesmo sendo educado em inglês, minha língua nata é o italiano. Vez ou outra acabo falando alguma expressão de minha nacionalidade, as quais estou acostumado a ouvir por onde convivo. Prometto di controllarmi. Droga, foi sem querer. Io giuro. Não é sempre que isso acontece, então irei me esforçar para não complicar a mente dos meus novos colegas americanos.

Pois é, agora em meus dezesseis anos e com um irmão de sete, meus pais resolveram voltar para os Estados Unidos. Minha mãe foi convocada para trabalhar em Ohio e depois de muito debaterem sobre o assunto resolveram preparar a mudança. Precisei protestar? Non. No fundo era isso que eu queria. Me sentir um pouco americano. Malas prontas, seguimos então para nosso novo lar. Agora eu precisava de uma nova escola, de novos amigos e recomeçar meus sonhos. Mas que sonhos seriam esses? O único que eu tinha acabara de ser realizado. Vir para a América. Estou há duas semanas no McKinley e ainda não consegui me encaixar em nada. Saio vagando pelos clubes, mas não me sinto apto a nenhum deles. Nem ao menos passei no teste de nado sincronizado. Seria eu um deslocado? Algumas pessoas olham estranho para mim, ainda mais quando acabo falando em italiano. Muitos deles não compreendem o que eu digo, então eu poderia xingá-los a vontade. Mas minha língua pátria não é um orgulho, não é algo que eu possa me vangloriar. Por que me sinto assim? Traumas de infância talvez. Eu gosto da sonoridade do inglês e sempre invejei meus pais, por falarem como eu desejaria falar.

Depois de um dia cansativo de aulas, acabei ouvindo um som que não tinha reparado ainda nessas duas semanas. Era música, muito boa por sinal. Estava sendo cantada em inglês e não era um CD. Podia sentir o poder nas vozes, a paixão. A emoção. Nunca me atrevi a cantar, mas sabia que esse só podia ser o Clube de Coral. Caberia a mim tentar fazer parte disso? Talvez seja minha única chance. Mas e se eu não conseguir cantar? O que farei? Desistir? Non. Eu irei insistir.

DADOS

NOME: Lucca Jacometti.

DE ONDE É?: Palermo, Itália.

IDADE: 16.

GRUPO?: New Directions

AUDIÇÃO

Paro. Fico calculando quais seriam meus próximos passos. Ergo meu punho cerrado, pronto para bater à porta. Mas hesito. Abro a mão e limpo o leve suor em minha camiseta. Sim, estou severamente nervoso. Respiro fundo. Novamente. Certo, não preciso tremer tanto. Olho para o que estou vestindo. Meu jeans rasgado está fora do padrão despojado, poderia jogá-lo fora agora mesmo. Meu casaco vermelho cobre meus ombros e braços, os quais estão descobertos por que decidi estranhamente vir a escola com um camiseta regata branca. Mas se eu não tirasse o casaco ninguém iria perceber isso. Meu tênis não está combinando com nada, o que me deixa bastante frustado. Seria por isso que ninguém me aceita por aqui?

Chega. Irei entrar agora. Bato três vezes na porta e espero alguma reação. Observo através do vidro e vejo que alguém vem em minha direção. Não tinha reparado que a sala estava tão vazia. Havia apenas mais duas garotas com ela, deveriam estar ensaiando alguma coisa. Em seguida ela abre a porta e solta um sorriso.

- Posso ajudá-lo? - fico ainda mais tremo e começo a gaguejar.

- Mi dispiace disturbarla. - sempre desembesto a falar em italiano quando estou nervoso. - Digo, desculpe atrapalhar.

- Tudo bem. - ela tenta me acalmar sorrindo. - Pode falar.

Respiro fundo e desvio os olhos dela. Talvez assim fosse mais fácil.

- Como faço para participar do clube? - enfim pergunto.

- Simples. - ela responde. - Vá até o Auditório e faça sua audição.

E assim ela segue de volta a suas companheiras, me deixando sem chão. É, parece que eu não fugirei de cantar. Na verdade é até um pouco óbvio. Um Clube de Coral precisa testar as habilidades de canto.  Dio Mio. Começo a caminhar pelos corredores já vazios. Os horários de aula há haviam encerrado há mais ou menos meia hora. Acho que sei onde fica o Auditório, então traço minha rota para lá sem pensar exatamente no que estava acontecendo.

Alguns passo depois e entro no local desejado. Há um círculo bem no centro do palco e no centro dá para ver uma mulher de altura mediana. Boa parte dos alunos era maior do que ela, mas isso não vem ao caso. Me aproximo deles e atrapalho seus exercícios. Pareciam estar aquecendo a voz, com aqueles estranhos sons repetitivos. Tipo: Mi Mi Mi Mi Mi Miiii. Isso deve ter realmente algum efeito, mas ainda não compreendo nada de canto. Lá na Itália, eu me reunia com meus amigos para tocar violão. Isso eu sei fazer. Mas cantar? Nunca foi minha função. Todos então olham para mim quando estou perto o bastante. Eles recuam para trás da mulher, que parecia ser a liderança. Sou tão assustador assim que eles precisam se esconder atrás dela? Sem pensar, resolvo falar primeiro.

- É aqui que eu posso fazer audição para o clube? - falo um pouco ligeiro, mas sem usar o italiano.

Alguns dos garotos sorriem, mas não pareceu ser algo simpático. Tem certo tom de deboche. Retraio meu corpo e escuto uma resposta.

- É sim. - ela responde. - Pode nos mostrar um pouco de sua voz?

- Assim na frente de todos? - questiono e eles sorriem novamente.

- Sim. - ela é a única a sorrir educadamente.

Ela começa a empurrar todos para desceram do palco e eles saem sussurrando alguma coisa na direção das cadeiras na platéia. Logo estão todos sentados, com a líder no centro deles. De lá ela me informa que a banda não está presente nesse momento. Eu teria a disposição apenas um violão, caso contrário iria ter que cantar acapela. Bom, preciso tentar impressionar de alguma forma. Se não confio nas minhas habilidades de canto, posso mostrar que pelo menos sei tocar violão. Vou até a lateral do palco e pego um banco e o violão. Levo-os até o centro e ajusto o pedestal, onde já há um microfone pronto. Alguém acende um holofote em mim e reduz a luminosidade ao redor. Fico um pouco atordoado com tanta luz em mim, mas logo meus olhos se acostumam.

Dedilho o violão, para testar a sonoridade ambiente e sinto uma vibração percorrer o meu corpo. Adrenalina foi injetada em minha corrente sanguínea. Não posso pensar nisso como um julgamento, preciso levar com mais tranquilidade. Sento no banco, ajustando a altura ideia pro microfone. Pigarreio e testo minha voz.

- Me chamo Lucca. - faço uma pausa. - Eu irei cantar uma das minhas músicas preferidas, que é Young and Beatiful da Lana.

Ninguém se manifestou desta vez, nem com risadas. Respirei fundo uma última vez antes de começar. Desviei minha atenção do público, embora a baixa luminosidade dificultasse ver os seus rostos. Foquei no ponto acima das cadeiras, eles nem iriam perceber que eu não estava a encará-los. Comecei então a introdução da música. As notas vinham a minha mente com uma assombrosa reprodução. Meus dedos então se movimentavam obedientemente, com uma sincronização perfeita nas cordas. Não dava mais para adiar. Eu teria mesmo que cantar.

I've seen the world, done it all
Had my cake now
Diamonds, brilliant
And Bel-Air now

Minha voz oscilou um pouco no início, pelo meu nervosismo. Logo eu consegui achar um tom bastante confortável e pude impostar minha voz pelo auditório. Percebi a surpresa, com alguns sons vindos da platéia. Estava irreconhecível. Parecia que um anjo tinha me abençoado e eu estava entoando uma linda canção divina.

Hot summer nights mid July
When you and I were forever wild
The crazy days, the city lights
The way you'd play with me like a child

De repente imaginei que não havia mais ninguém na platéia me assistindo, mas atrás de mim havia toda uma orquestras. Dezenas de homens e mulheres tocando violinos e um maestro regendo todo o conjunto. Eu estava diante dele, liderando com voz e violão.

Will you still love me
When I'm no longer young and beautiful
Will you still love me
When I got nothing but my aching soul

Os violinos produziam um som perfeito na minha mente, aflorando meus sentimentos e me proporcionando uma confiança ímpar. Minha voz estava mais segura e eu arriscava até algumas firulas no meio dos versos.

I know you will, I know you will
I know that you will
Will you still love me
When I'm no longer beautiful

O cenário se desfez. Eu estou de volta ao auditório e agora posso ver os garotos do clube me assistindo. Suas bocas se movimentam acompanhando a música e uma das garotas parece estar chorando. Lágrimas. Pude enxergá-las de longe. Foi o suficiente para reviver algumas lembranças.

I've seen the world, lit it up
As my stage now
Channeling angels in
The new age now
Hot summer days, rock and roll
The way you'd play for me at your show
And all the ways I got to know
Your pretty face and electric soul

Enquanto eu cantava revivi a imagem daquele garoto, que um dia roubou meu coração. Já se passaram dois anos desde que ele sumiu da minha vida. Foi o meu primeiro amor, difícil e doloroso de aceitar. Meus pais já deviam saber sobre minha sexualidade e demonstravam aceitar tranquilamente. Porém eu não conseguia conviver com isso, o que afastou o garoto que eu amei. E o pior, ele me amava muito mais. Porém não conseguiu suportar a minha repulsa pelo meu próprio ser.

Will you still love me
When I'm no longer young and beautiful
Will you still love me
When I got nothing but my aching soul

Busquei em minha mente seus sorrisos, mas eu só conseguia ver suas lágrimas em nossa despedida. Ele preferiu me deixar, do que continuar a me ver daquela forma. É de partir o coração, reviver tudo isso. Fico a imaginar se ele ainda me ama. Mas e se tudo tivesse sido diferente? E se eu tivesse me aceitado? É tentador imaginar se ainda estaríamos juntos. Se ele ainda me amaria.

I know you will, I know you will
I know that you will
Will you still love me
When I'm no longer beautiful

Meus dedos vacilam e acabo errado uma nota, mas minha voz se mantém firme. Esforço-me para segurar minhas lágrimas e tento focar toda a minha emoção na música. Baixo um pouco meu tom, como se estivesse implorando em uma prece. Eu precisava que alguém acima pudesse me ouvir.

Dear Lord when I get to heaven
Please let me bring my man
When he comes tell me that you'll let him in
Father tell me if you can

As lembranças estão retornando ainda mais vivas. Meus olhos começam a ficar cheios de lágrimas e eu estou com dificuldade de manter a voz. Mesmo assim insisto. Fecho os olhos, na tentativa de amenizar o sofrimento. Não quero parecer fraco, mas estava nítido a minha vulnerabilidade a intensidade dos meus sentimentos.

Oh that grace, oh that body
Oh that face, makes me wanna party
He's my sun, he makes me shine like diamonds

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e minha voz embargou. Um aperto consumiu o meu peito e eu já não consigo mais manter o ritmo e o equilíbrio entre voz e violão. E assim fica difícil não errar. Desafino e me sinto ainda pior.

Will you still love me...

Encerro a música antes mesmo do seu fim. Deixo o violão de lado e enxugo minhas lágrimas. Dou dois passos a frente e peço desculpas a todos, não conseguia dizer mais nada. Preferi parar do que tornar uma performance sutíl e bela, em algo desastroso. Não houve uma reação sequer nos minutos seguintes, até que a líder puxou uma salva de palmas e os seus estudantes a acompanharam. Eles não sorriam mais de mim, pareciam ter compreendido todo o sentimento que diretamente ou indiretamente imprimi na canção. E assim terminou a minha audição.





____________________


Thank You, Mary. ♥️

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Re: [FP] LUCCA JACOMETTI

Mensagem por Timothy D. Keynes em Dom 6 Jul 2014 - 0:08





Aceito!

Sua ficha foi aprovada! A partir de agora, você é um membro oficial do RPG. Pronto para postar e conhecer novas pessoas e lugares? Divirta-se ao máximo!

ANÁLISE DA FICHA:

Bem, você é do tipo que dispensa comentários, mas ainda assim acho que dá pra citar um pouco do que gostei. Pra começar tem a coisa do italiano no meio das frases, isso dá um charme todo especial ao personagem que eu adorei de verdade. Sua forma de escrita é uma delícia, boa de se ler, as palavras fluem bem e portanto não é nada cansativa. Quanto a performance, fica bem claro que você mais o estilo emotivo, enquanto algumas pessoas montam apresentações incríveis com coreografia e biquínis de concha, o seu grande talento vai ser visto de verdade quando você fechar os olhos diante de um microfone e deixar os sentimentos fluírem através das palavras. Bom, é com um certo aperto no coração e alguma inveja da Mary que lhe desejo muita sorte em sua jornada no New Directions.

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