Auditório

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Auditório

Mensagem por Stalker em Ter 16 Set 2014 - 16:14

Auditório

A sala usada para apresentações e competições da academia. Cotidianamente, é território do clube de teatro, visto que os Warblers já tem sua própria sala para atividades diversas. A acústica da sala é impecável, além de também ser protegida sonoramente. As poltronas são de couro, confortáveis e dispostas em um semicírculo pelo local.


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The your ghost, the ur image. I'm the stalker!

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Re: Auditório

Mensagem por Timothy D. Keynes em Qua 12 Nov 2014 - 17:12




You had my heart inside of your hand


Não sei bem como me posicionar diante de tudo o que aconteceu nos últimos dias, acho que o drama começou quando um telefonema, Tyler me ligando e dizendo pra eu ir visitar ele, tinha música alta no fundo, duvidei que ele estivesse em casa, de fato não estava, portanto dei meia volta. No dia seguinte, munido das chaves, voltei ao local e fui recepcionado pelo cãozinho que ele havia me dado, mas que por algum motivo morava com ele, Levine II carregava um sutiã na boca, aquilo me frustrou um pouco, mais do que um pouco! Voltei para a república as pressas, fiquei algumas horas tentando assimilar a informação, só as piores teorias se formavam em minha mente, como poderia ser diferente? Em algum momento, movido pela raiva, pelo desapontamento e por sei lá mais o que, liguei pro rapaz, eu pretendia chamar ele pra conversar, mas mais uma vez só conseguia ouvir som de música alta no fundo, me pareceu a gota d'água. - Tyler, Acabou - foram as únicas palavras que consegui proferir! Mais tarde vim a saber que quando o telefone tocou ele estava ficando com outro membro do coral. Quantos não devem ter sido afinal? Parece trágico, mas depois o idiota bêbado pegou e saiu pra sabe-se lá aonde, agora está em coma, e eu sou um monstro pq terminei com ele. Acho que o fato de o outro cara ter entrado no quarto com título de "namorado da vítima" reduz minha culpa, aliás, que culpa?!
E foi isso o que você perdeu em glee! Mas de volta ao presente, ao que eu amo e sei que não vai me dar problemas, só dor de cabeça, mas enfim, a coisa em questão é o Coral, após passar uma tarefa que não foi bem aceita pelos rapazes deixei a sala e fui pro auditório, sentia que estava precisando ficar sozinho, não que pensar a respeito de tudo o que havia acontecido pudesse ajudar em algo, na verdade eu tinha a impressão que só atrapalhava, mas inibir isso também não ia funcionar. Frustrante, deve ser muito cansativo ler todas essas lamentações, neh? Sinto muito por isso, não vejo outra forma de deixar claro o que se passa comigo. Adentrei o auditório pelo palco, estar naquele lugar sempre me transmitia uma sensação no mínimo interessante, seja pela forma como o som ecoava, ou a disposição das cadeiras que criava uma estampa legal, eu usaria aquilo. Me sentei a borda do palco um pouco desnortado e suspirei.
De repente, como que preenchendo um vazio no ambiente, eis que se inicia um stacato acústico, claro que eu conhecia aquele som de cor e salteado, no momento mais oportuno dei início a uma voz carregada de rouquidão.

There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch and it's bringing me out the dark

O "fire" é extremamente prolongado enquanto trago a mão para junto do peito, meus olhos fechados enquanto a cabeça se curvava para trás, dentro de mim um calor se espalhava, era como gritar para extravasar um sentimento ruim, só que mais sonoro. Minhas canelas cruzavam forçando-se contra a parede do palco, uma mistura de sentimentos fluía perceptivelmente nas palavras.

Finally, I can see you crystal cle
Go ahead and sell me out and I'll lay your shit bare

Ainda com os olhos fechados e agora com a cabeça baixa, minha voz soava mais forte, notas longas e sofridas, uma coisa quase no estilo Lana Del Rey, só que não tão depressivo assim, minhas mãos iam para a lateral do meu corpo se agarrando à borda do palco.

See how I'll leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do

Abri os olhos encarando o fundo do salão, minhas cordas vocais relaxavam tornando o som menos intenso, mais limpo e gostoso de se ouvir, após o "you" eu me levanto e caminho para o centro do palco, encarando as poltronas como se houvesse pessoas ali, enquanto me agarrava a minha própria camisa, na altura da barriga.

valeu @ carol!


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Re: Auditório

Mensagem por Logan Schaeffer Löhnhoff em Qua 12 Nov 2014 - 17:57


Novato
oCoisas novas
Canção

Desde a mudança de Los Angeles para Ohio as coisas ficaram mais complexas, na realidade estive mais livre para tudo, e com um simples deslize poderia ter sucumbido a perdição. Meus pesadelos ainda me atormentavam, maldito acidente, ele até deveria ter ido, mas ela não. Um adolescente praticamente sozinho em uma cidade é o que eu sou, meu tio viaja praticamente meses, então eu fico sozinho em casa. Nesse momento estudo na Dalton, sim uma das melhores escolas que já consegui em toda a minha vida, até então ainda estou um pouco confuso com as coisas. Para falar à verdade confuso é pouco na minha situação estou totalmente destruído por dentro e por fora. O interessante dessas coisas todas foi que eu consegui entrar no coral, agora sou definitivamente um Warble, tinha que me enturmar para se dar bem com tudo isso de uma vez só. Deixei meus relacionamentos do passado para trás, mesmo tendo um amor e carinho intenso por ele. A questão é, porque não pulei de um edifício de uma vez para acabar com a dor que se mantem dentro de mim? Acho que deve haver forças que ainda querem lutar e encontrar alguma coisa que possa me fazer bem. Minha vida é um verdadeiro Drama, Argh! Não me arrependo de ter contado nada pro meu pai, dizer o que eu realmente era, mas não sabia que resultaria em uma fatalidade como aquela.
O destino as vezes correi a gente aos poucos, agora o fato é, vamos mudar um pouco essa rotina? Acabar com essa vida triste e deprimente que um garoto de dezessete anos vive? Sim é isso que devo fazer, erguer a cabeça e seguir para frente. Na verdade a única coisa que não devo deixar de lado é minha compaixão por aqueles que gosto, o dom de conhecer a pessoa, ter uma intimidade maior. Há muito tempo a aula de química terminou, fiquei meio desamparado sem saber para onde ir, quando pensei que o auditório é uma boa escolha, afinal dificilmente é frequentado. O topete loiro está em pé, como sempre uniformizado. Ao adentrar o grande local uma voz eclodia por todo local, eu conhecia aquela música, continua a prosseguir com a escuta, até que tive que me intrometer, não resistir, afinal é Rolling in the Deep.

There's a fire starting in my heart Reaching a fever pitch And it's bringing me out the dark

O início da frase é totalmente dedicado para ter uma tonalidade alta, e prolongada. Olhava para o garoto que se mantinha no palco, segurando no corrimão caminhando em direção ao mesmo, o resto da música foi concluído em um ritmo calmo. Levei minha mão ao peito, demonstrando o que realmente sentia naquele momento, sem mais.

The scars of your love remind me of us They keep me thinking that we almost had it all The scars of your love they leave me breathless I can't help feeling

Continuei agora me debruçando em uma das paredes ao meu lado, com um piano no palco não consegui resistir, com o tom vocal só aumentando a cada minuto. Cheguei no objeto musical, dando leves toques, fazendo com que tocasse ao ritmo da música, fazendo toda aquela dor passar em apenas uma canção. Em uma breve pausa mordi o lábio, olhando nos olhos do homem que ali se mantinha.

We could've had it all Rolling in the deep You had my heart inside of your hand

Dessa vez a emoção me contagia, me fazendo continuar a tocar, e o som da minha voz se espalhar por todo o auditório, dando uma piscadela para Tim. O som sai com o coração é o que fazia ali.

All Rights Reserved for Larissa

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Re: Auditório

Mensagem por Timothy D. Keynes em Qua 12 Nov 2014 - 19:09




You had my heart inside of your hand


Fui surpreendido por uma nova voz que deu continuidade a música, a princípio não sabia quem era, nem de onde vinha, o eco do auditório costumava pregar peças na gente, mas não tardei a ver o rapaz que descia pelas escadas em caminho ao palco, ele se dirigiu ao piano e em determinado ponto da música os acordes começaram a preenche-la. Por alguns segundos eu me mantive estático, apenas o acompanhava com os olhos. Mas não logo voltei a música o acompanhando.

You had my heart inside of your hand
And you played it to the beat

Eu sorria pro rapaz entrando junto com ele em "You had...", minha mão vinha em direção ao meu corpo como que puxando em algo e minha voz se elevava ao ponto que eu começava com o verso seguinte, começando então a caminhar na direção de Logan.

Baby, I have no story to be told
But I've heard one of you and I'm gonna make your head burn
Think of me in the depths of your despair
Making a home down there, as mine sure won't be shared
Apoio meu corpo no piano e continuo num ritmo calmo, quase como se estivesse havendo um dialogo, apesar da música retratar um diálogo, este era bem menos agressivo que o que era apresentado por Adele. Então me aproximo um pouco mais rapaz e me sento ao seu lado, porém de frente pra ele, passando uma perna de cada lado do banco, eu encarava o rosto do rapaz e cantava pra ele, as palavras lamuriosas perdiam o significado naquele momento, eu sorria com o corpo inclinado para a frente, me apoiando sobre os braços que se prendiam nas bordas do banco.


The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
he scars of your love, they leave me breathless
I can't help feeling
Minhas mãos passam para a parte de cima do banco e de forma quase involuntária começam a bater, sem emitir som algum no ritmo constante que marca o tempo da música. Cruzo as pernas sobre o banco enquanto minha voz se mantém num tom constante para então vir a ganhar muito mais força num longo - Could have had it all!

valeu @ carol!


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Re: Auditório

Mensagem por Logan Schaeffer Löhnhoff em Qua 12 Nov 2014 - 22:56


Novato
Coisas novas
Canção

Há anos não me sentia com uma liberdade total para cantar, sempre fui bem reprendido até nesse ponto. Bem à música faz parte de mim de alguma maneira que não sei explicar, e com uma voz perfeita como aquela cantando comigo, é meio complicado recusar ou parar de cantar na metade. Os acordes do piano bradavam por todos os lugares, o Boy do outro lado fazia a canção ficar melhor a cada minuto, me recordava poucos dos membros do coral, então como lembrar dele? Foque em um loiro, tenha lembranças, seja feliz. Meus pensamentos repercutiam em minha mente, o que por um lado pode se dizer bom pra mim.

We could've had it all Rolling in the deep You had my heart inside of your hand And you played it To the beat

Por ser uma música vamos dizer assim, um pouco lenta, usava minhas cordas vocais para deixa-la mais animada, com mais intuito, mais berros. O ‘’ beat’’ teve uma grande extensiva, se propagando entre todas as outras palavras. O loiro caminhava em minha direção, se sentando ao meu lado, inclinado de frente a minha face. Continuei a tocar, mas não pude deixar de escapar um sorriso bobo e de um verdadeiro maroto.

Baby I have no story to be told But I've heard one of you And I'm gonna make your head burn Think of me in the depths of your despair Making a home down there As mine sure won't be shared.

Apontava o dedo indicador em direção ao peito do homem, fechando os olhos por uma questão de segundos, dessa vez cantava mais devagar, pois ele estava praticamente ao meu lado. Fui abrindo os olhos aos poucos, prolongando os acordes do piano para dar uma tonalidade e sonalidade melhor na nossa canção, mal o conhecia, porem conseguia ver uma certa intimidade. Deu um soco de leve no peito do garoto, continuando, voltando suas duas mãos para o instrumento musical. Fiquei o encarando por alguns segundos, em todas as pausas fazia isso, tentava reconhece-lo, sabia que o conhecia de algum lugar, mas de onde?

The scars of your love remind me of us They keep me thinking that we almost had it all The scars of your love they leave me breathless I can't help feeling

Estilo não faltava para pessoa que está ao meu lado, o Boy é chamativo, sabia como lidar com as palavras. Meus olhos se encontravam com os dele por um momento, como se aquela canção fosse especialmente para ao mesmo. Depois de tudo isso ele se assustaria comigo, nunca mais voltaria, pois sei lá, sentia alguma coisa estranha. Seguiu calmamente.

We could've had it all Rolling in the deep You had my heart inside of your hand And you played it To the beat. We could've had it all Rolling in the deep


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Re: Auditório

Mensagem por Timothy D. Keynes em Qui 25 Dez 2014 - 19:47




You had my heart inside of your hand


A música fluía intensamente, de alguma forma aquilo me libertava, fazia todos os pensamentos ruins se esvaírem da minha mente. A som entrava com mais intensidade, eu ia me preparava para prosseguir com a canção quando o som de counting star soou interrompendo nosso momento. Tirei meu celular do bolso pra ver que se tratava de Mary me ligando, levantei pedindo desculpas para o rapaz e caminhei até o outro lado palco atendendo, Ela me dava algumas notícias que talvez não viessem ao caso agora, eu então voltava até o rapaz - Sinto muito, mas preciso ir, foi muito bom cantar com você, talvez tenhamos a chance de terminar a música um dia - Então lhe dava um beijo no rosto antes de sair correndo pelas coxias.

valeu @ carol!


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Re: Auditório

Mensagem por Nathaniel W. Sibley em Qua 18 Fev 2015 - 21:59

It felt so sweet, It felt so strong, It made me feel like
Never thought that I could be Happy
Meus passos eram os únicos sons que ecoavam pelo local. Engoli em seco, pensando na canção que eu iria performar ali, pensei quando pisei pela primeira vez naquele assoalho amadeirado com seu típico cheiro do óleo de menta, pensei nos holofotes e no olhar avaliativo do treinador antigo dos Warblers, e principalmente pensei no sentimento de integração que permanecia em mim à medida que meus passos avançavam e eu ia para o centro do palco, como um louco que se atira às chamas crepitantes de uma lareira. Meus olhos abriram-se e avancei, os pensamentos e memórias mesclavam-se, vívidas como se fossem ontem os meus primeiros dias pelos longos e suntuosos corredores da Dalton.

Couldn’t relax
Couldn’t sit back
And let the sunlight
In my lap
I sang a hymn
To bring me peace
And then it came
A melody

Minha voz caiu acapela, suave e nostálgica, porém meu olhar permanecia fixado nos meus velhos amigos e parceiros do coral, tão antigos e tão novos que era impossível permanecer minha ânsia em agraciá-los com o meu melhor. Não me esforçava apenas pela aprovação de nosso treinador, e sim com a aprovação de meus amigos e de seus sensíveis ouvidos, sempre acostumados com vozes belas. E assim o fiz, no terceiro verso abriu-se e prossegui com o próximo com um olhar fixo em meus amigos, erguendo-se para encarar os holofotes como um par de olhos febris a me encararem ansioso por uma boa apresentação. Nos dois últimos versos baixei minha cabeça e minhas mãos uniram-se na altura de meu peitoral, em "melody" minha voz tornou-se de um timbre visivelmente mais alto e forte, arrastado e prolongado.

It felt so sweet
It felt so strong
It made me feel like
I belonged
And all the sadness inside me
Melted away
Like I was free

Suavizando-se, minha voz saiu soprano e delicada, exercendo o efeito desejado de sentimentalismo aos versos seguidos, minha mão direita pousou em meu peito, como um sinal de sentimento e conforto que eu podia sentir naquele coral. No verso em que terminava com "inside me" pus a minha mão esquerda no peitoral junto da direita, e então as pus com as palmas abertas para o coral à minha frente, com um leve sorriso no rosto em "away" e no último verso da estrofe abriu-se um leve sorriso novamente, o "free" entoado num forte timbre.

I found what I’d been looking for in myself
Found a life worth living for someone else
Never thought that I could be
Happy, happy

Os versos agora eram cantados em seu refrão poderoso com uma força maior, a suavidade tornava-se um pouco mais agitada e minhas mãos continuavam a pender no ar enquanto meus olhos fechavam-se e eu sentia o turbilhão de emoções se misturarem dentro de mim, eclodidas com o eco de minha voz naquele auditório tão conhecido, usado, amado e adorado por mim desde os primórdios de meus tempos por aqui na Dalton. Era reconfortante cantar a contagiosa e alegre música naquele tom nostálgico meu que só amigos próximos meus conheciam, e sabiam quão feliz eu estava em cantar aqueles versos. O último verso que dava título à canção foi proferido de forma sonhadora, lírica e perfeita.

I believe in possibility
I believe someone’s watching over me
And finally I have found a way to be
Happy, happy

Estes novos versos surgiam na ponta da língua enquanto minhas mãos subiam de forma agradável ao alto e desciam no ritmo lento da música, com suas batidas leves, alguns poucos amigos ao fundo repetiram o "watching over me" de forma lírica e agradável, cantando comigo "Happy" enquanto minha mão repousava em meu coração, onde repousava todos os meus mais amigáveis e amorosos sentimentos, onde repousava todas as dores, decepções, mas também todas as amizades e expectativas para minha vida.

From the concrete to the coast
I was looking for a holy ghost
Like the land joining the sea
Happiness it followed me
I believe in possibility
I believe someone’s watching over me
And finally I have found a way to be
Happy, happy

Cantei com um sorriso na face, meu timbre de voz era suave porém ainda sim possuía sua força e ergui minhas mãos cantando "Happy" diversas vezes, repetindo-a ao seu final com meus amigos laranjas cantando ao fundo, acompanhando-me formando um lírico e angelical coral que, ao seu término, abriram um amplo e vitorioso sorriso.

- Bem, é isso que o coral me faz sentir... - Falei suspirando pondo as mãos unidas atrás de mim e dei uma leve piscadela para Timothy, saindo dali.

Song
Encerrado
NOTES: Happy


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Sibley
Been trying hard not to get into trouble, but I, I’ve got a war in my mind, So, I just ride

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Re: Auditório

Mensagem por Troy Lein D'eve em Dom 22 Fev 2015 - 2:20




Not a Star


Assim como os outros Warblers estava na sala do coral esperando, ainda não conhecia nenhum deles de forma intima, naquele momento vestia o uniforme assim como os outros. Tantos talentos dentro de um único lugar me fez sentir pequeno novamente, assim como antes minha confiança era facilmente abalada e eu me perdia na minha própria sombra. Me acordando daqueles pensamentos, ele falava com todos cheio de segurança pedindo para olhar nosso passado e de nossas memorias extrair um sentimento para a seguinte apresentação. Todos pareciam olhar para baixo por um momento, alguns pensativos e outros que pareciam não querer lembrar.
Voltando um pouco, não faz muito tempo que eu era aquele garoto no canto do quarto que brigava com o pai para depois se esconder e chorar. Deixei meu pai e meus antigos colegas de classe acabarem com minha confiança e dei valor ao que eles falavam sobre mim. Por um tempo acreditei que era verdade, mas nesses últimos dias eu estava mudando aos poucos, conseguia ver que aquele garoto ainda não desapareceu, naquele exato momento eu podia sentir um pouco daquele medo de ser rejeitado novamente.
Lutava contra aquele sentimento minha vida inteira e não deixaria ele ganhar, não na minha primeira apresentação. Poderia usar qualquer roupas, efeitos de palco e criar uma apresentação impactante.

Antes de mim, outro aluno se apresentou. Aquele garoto ainda estava de uniforme, apenas ficou no meio do palco e cantou, sem instrumental, sem figurino, apenas seu próprio talento. A apresentação foi feita de uma forma tão simples que comoveu. Depois de esperar um pouco até a musica acabar, pisei no palco, vestindo apenas camisa e calça pretas, meus sapatos pretos brilhavam com a luz que com um gesto pedi para ficar mais suave, olhando para eles sentados esperando minha apresentação, ajustei meu microfone de rosto e respirando fundo para me acalmar disse algumas palavras.

-Essa é minha primeira apresentação então, espero que gostem.

Minha voz soava um pouco nervosa e tímida, eu tinha a musica em algum lugar em minha mente e ela deveria aparecer naquele momento. Podia sentir a pressão de todos, uma versão antiga de mim correria daquela situação, mas agora eu seguiria em frente. Respirando fundo, depois de ter escolhido a musica, comecei a cantar com minha voz grave natural e suave.

Well I woke up to the sound of silence
The cars were cutting like knives in a fist fight
And I found you with a bottle of wine
Your head in the curtains
And heart like the 4th of July


Ao começar fechei meus olhos para me concentrar, ninguém falava naquele momento e minha voz soava clara com uma mistura de emoções naquele timbre natural. Cantava lembrando um pouco de minha infância e todos aqueles momentos em que fiquei sozinho em meu quarto. Naquelas primeiras poucas palavras dei alguns passos para frente me aproximando mais da beirada do palco, a musica seguida em uma pausa. Abrindo meus olhos com a cabeça erguida. Percebi que não estava tão nervoso quanto antes, agora eu sentia um incentivo para continuar, aquele incentivo eram eles na minha frente me assistindo. Mexia meus pés enquanto continuava, tentando buscar alguma felicidade de minhas lembranças, um leve sorriso apareceu em meu rosto no momento que terminava o verso depois da pausa, com uma leve risada no final.

You swore and said
We are not
We are not shining stars
This I know
Cause I never said we are


Ao continuar juntei minhas mãos no peito falando com uma calma e contagiante, fechando meus olhos novamente e levando meu corpo no ritmo da musica. Quando começa o terceiro verso abro meus olhos encarando para eles novamente, aquela parte falava exatamente o que eu sentia. Dentro de mim, eu sabia que não seria um grande astro de musica, pois tinha abandonado este sonho, abrindo minhas mãos e passando ela por cima da cabeça indicando as estrelas com um rosto sonhador, começando o próximo verso depois de uma pausa curta com uma culpa e remorso na voz enquanto fecho as mãos e trago elas de volta para o peito. Pouco antes de começar a ultima linha dou uma pequena risada encaixando ela no breve intervalo entre as linhas.

Though I've never been through hell like that
I've closed enough windows
To know you can never look back


Ao começar o primeiro verso sentia aquela mesma fragilidade novamente, lembrando das inúmeras ocasiões onde me afastei das pessoas, fugindo de qualquer oportunidade, vivendo sempre sozinho. Naquele momento eu sentia que não estava mais correndo, pois queria conhecer cada um deles e isso me fez sentir parte de algo. Prosseguia cantando a capela suave e com meu tom grave natural, sem forçar minha voz em um tom muito alto. Cantava de uma forma que parecia ser fácil como respirar, deixando meu rosto transparecer meus sentimentos. No fim da ultima parte fiz mais uma pequena pausa esperando o tempo certo para continuar.

If you're lost and alone
Or you're sinking like a stone
Carry on
May your past be the sound
Of your feet upon the ground
Carry on
Carry on, carry on


Sorri um pouco levantando meu rosto olhando para cima. Cantando um pouco mais forte  e agudo nas primeiras palavras e logo depois voltando para um pouco mais grave, baixando a intensidade da voz como uma escala nas palavras seguintes. Naquele momento parecia cantar para mim mesmo, como uma nova versão de mim falando com meu passado e isso ficou ainda mais claro no verso seguinte.  Estendendo os braços, como em um abraço, estiquei as notas na terceira linha que soaram tão fortes que ecoaram sozinhas no auditório. Baixando com força meus braços estendidos, continuava cantando com a mesma intensidade de antes, estava cansado da tristeza, da solidão. Novamente cantando tão forte como a terceira linha, estendia as notas daquelas duas palavras com intensidade enquanto fechava meus punhos com aquela força. Meu rosto catando tinha uma expressão de felicidade enquanto terminava a ultima linha, em um pulo separei meus pés. Naquela pausa depois da ultima linhas, bati o pequeno salto de meu sapato no chão sem tirar a ponta de meu pé do chão criando um som inconfundível, sorri com uma ideia em mente, sapateando  para criar um ritmo para aquela pausa, andei para frente me aproximando da plateia com um sorriso no rosto. Meus passos enquanto seguia em frente batiam no chão em uma sincronia perfeita com a melodia da musica que estava cantando.

So I met up with some friends
At the edge of the night
At a bar off 75
And we talked and talked
About how our parents will die
All our neighbours and wives


Antes de começar a cantar, cruzei as pernas com meu pé direito depois puxando o corpo e girando com os pés arrastando criando um som que encaixava naquele momento e depois parando batendo com os pés intercalados poucos antes de continuar cantando, a minha voz e minha atitude mudam para algo cheio de energia e de forma contagiante, continuava sapateando sem harmonia com a musica, criando as batidas usando aqueles sapatos. No inicio da terceira linha dou um impulso para cima parando em cima do meu pé esquerdo dando um estalo e batendo com a ponta do pé direito logo atrás com uma batida mais grave, naquele momento sentia um sentimento de liberdade. Cantando com a voz natural, sem exageros ou tentando provar alguma coisa, pois a unica coisa que pensava naquele momento era mostrar uma parte de mim. Chegando na ultima linha meu pé direito desliza para o lado e bate com o canto do sapato dobrando o pé em uma batida.

But I like to think
I can cheat it all
To make up for the times I've been cheated on
And it's nice to know
When I was left for dead
I was found and now I don't roam these streets
I am not the ghost you want of me


Cantando a primeira linha sem nenhum acompanhamento, em uma intensidade um pouco maior que antes que causa em eco no auditório, logo depois usando o calcanhar dos meus pés revesando, eles criam uma batida assim como na musica em um pequeno intervalo pouco antes de começar a segunda linha. Olhando para cima agora com um pouco menos de ar, continuei a segunda linha crescendo ainda mais a intensidade das notas, apenas com o som da minha voz, meus pés por sua vez estavam parados, mas assim como a primeira linha na pequena pausa depois que terminei de cantar, separei em um pulo meus pés causando dois estalos em tempos diferentes para logo depois aproxima-los novamente em mais alguns passos. Comecei em uma nota alta forte a terceira linha com uma mistura de sentimentos, quase como um grito de libertação enquanto prosseguia as linhas seguintes sem dar nem mesmo um único passo, variando minhas notas entre graves e agudos. Na ultima linha logo depois de terminar, voltava a criar a batida da musica com um giro usando a base dos sapatos firmes no chão parando em duas batidas sincronizadas com o inicio do refrão seguinte.

If you're lost and alone
Or you're sinking like a stone
Carry on
May your past be the sound
Of your feet upon the ground
Carry on


Sincronizando cada silaba com uma batida de meus pés, continuava cantando enquanto andava sem sair do lugar fingindo correr na direção deles, enquanto minha voz soava um pouco mais animada que antes. Ao chegar na terceira verso iniciando ele com com uma voz forte e determinada. Meu rosto tinha um sorriso e o palco estava mais iluminado que antes. Por alguma rasão eu ainda me segurava, não tentava passos arriscados, ficava naquela segurança dos passos básicos apenas para preencher a musica, enquanto ela passava para sua próxima parte, em um pulo muito breve firmei meus pés no chão e girei o corpo novamente emitindo um som arrastado das solas no piso.

Woah
My head is on fire
But my legs are fine
Cause after all they are mine
Lay your clothes down on the floor
Close the door
Hold the phone
Show me how
No one's ever gonna stop us now


Em uma batida forte com o pé esquerdo parando o giro, seguro minha cabeça com as mãos fingindo estar desorientado me balançando um pouco para os lados enquanto cantava a primeira nota de forma intensa em um tom alto para mim. Continuei a parte seguinte tirando minhas mãos da cabeça com um uma sensação de divertimento que dava para notar em minha voz que parecia de alguma forma rir naquele momento sem perder o controle da musica. Nos versos seguintes permaneci parado cantando para eles com meu coração cheio, de esperança, de realização, uma mistura que nunca experimentei, mas que estava gostando.

Cause we are
We are shining stars
We are invincible
We are who we are
On our darkest day
When we're miles away
So we'll come
We will find our way home


Cantava naquele momento de maneira prolongada, com força e paixão na voz. Lembrava de como eu costumava me colocar para baixo, sempre deixando todos me afetarem tão facilmente, costumava acreditava neles, mas agora eu precisava acreditar em mim mesmo. Sem acompanhamento, apenas minha voz ecoando no auditório com um sorriso que contagiava. Ao chegar perto do quinto verso, me direcionei novamente para o centro do palco, novamente sapateando com um ritmo contagiante. Prosseguia cantando em sincronia com a batida, concentrado em meus movimentos até que em um estalo mais forte termino de cantar a ultima nota.

If you're lost... and alone
Or you're sinking like a stone
Carry on
May your past be the sound
Of your feet upon the ground
Carry... on


A luz do palco fica fraca novamente, iluminando apenas o centro que era onde eu estava parado totalmente em silêncio. Levantando meu rosto e cantando com a voz doce e gentil, que atingia todos como o conselho de um bom amigo. Comecei a cantar o primeiro verso dando uma pausa na metade dele antes de continuar, logo depois de alguns momentos minha voz intensifica, sem deixar de ser gentil com uma leve tristeza. Os versos seguintes eram lentos e emocionais, até chegar ao ultimo momento. A primeira palavra saiu rapidamente seguida de uma pausa, respirando fundo continuei a ultima nota concluindo a musica prolongando e deixando a nota desaparecer aos poucos enquanto dava alguns passos para trás saindo da luz. Meus passos enquanto recuava davam estalos no ritmo da musica, por um momento aquele ritmo familiar continuava tocando, mas agora lento e solitário, ecoava na escuridão até que parou. Sabia que em algum momento ligariam a luz novamente, entretanto não estava em condições de falar com qualquer um deles. Colocando a mão em meus bolsos sai do palco correndo sem me despedir deles.


                     

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Re: Auditório

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