[FP] Juan Callejón Oritz

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[FP] Juan Callejón Oritz

Mensagem por Juan Ortiz em Seg 24 Nov 2014 - 1:42


Juan Callejón Ortiz



HISTÓRIA

A todo ano milhões de imigrantes ilegais tentam cruzar a fronteira México e EUA em busca de melhores condições de vida, grande parte dessas pessoas costumam morrer nessas travessias que são arriscadas e não dão garantia alguma de sucesso. Envolvem trechos perigosos com direito à ameaça de afogamento, ataque de crocodilos ou ainda ser baleado pelos valorosos soldados norte-americanos que defendem a fronteira atirando em tudo o que se move pelo simples prazer de ter carta branda para isso e assim apagar tantas vidas.

Juan felizmente não se tornou uma estatística macabra. O garoto tinha uma vida de merda com os pais em Monterrey, por mais atraente que o México seja, a camada pobre da nação é maior e muitos ainda vivem em condições sub-humanas. Ele morava numa grande favela, ou melhor, comunidade de moradores de baixa renda no subúrbio de Monterrey, aquele tipo de lugar que ninguém quer os turistas indo, mas todos os turistas querem ir por achar ser algo extremamente exótico. A condição de vida era precária, até hoje lembra muito bem do sufoco que passava dos dias com apenas 1 refeição ou da incerteza de que o pai voltaria do trabalho vivo e de todo o drama que passava quando estava voltando de uma creche comunitária na casa de alguma senhora e do nada algum tiroteio se iniciava. A renda da família era menor que um salário mínimo, comer sempre era a prioridade, então ele meio que se acostumou à usar roupas furadas ou doadas, mas nunca pediu esmola, o orgulho do pai era maior que tudo.

A travessia foi realizada em novembro, apesar de pequeno ele se lembrava bem da ação frenética. Tinha só 7 anos, mas passou quase 1 mês entocado num casebre com outras 14 pessoas até finalmente numa noite toda a movimentação ocorrer. A pior parte foi a trevessia do rio, parte foi feita à nado, e ele logicamente nos ombros do pai. Das 14 pessoas, apenas 8 conseguiram chegar à outra margem. Recordava-se bem de Maria, um garota um pouco mais velha que ele, que levou um tiro certeiro no olho, da mancha de sangue na água quando os crocodilos sentiram o cheiro das presas, dos gritos de agonia da mãe de Maria. Dessas 8, 2 foram apreendidas pela força militar da fronteira, entre eles seu pai. Mas não podiam parar.

Por alguns meses ele, a mãe e outros 2 refugiados viveram escondidos na casa de um casal bem jovem no interior do Arizona. Ele se recordava muito bem da correria que era se esconder no porão da casa quando a fiscalização batia na porta. Aguentaram os 2 meses e logo depois se mudaram para Missouri. O pai havia sido transferido para uma penitênciária de lá e incrivelmente não havia sido deportado porque de algum modo seu avô era norte-americano, o que fazia dos Ortiz detentores de cidadania americana, só que era certo que isso demoraria para ocorrer. Enquanto a burocracia rolava a mãe trabalhava numa fábrica de costura e ele frequentava a escola da região sempre enrolando para levar os documentos sob a desculpa de que os pais ou estavam ocupados ou os haviam perdido.

Ele não teve uma infância fácil, houve alguma ruptura nele que o forçou a crescer, o forçou a ser um guarda emocional para mãe, ele precisava ser forte. Mas onde ele mesmo se apoiava? A grande resposta veio quando ele voltava para casa e ficou encantado com um velho senhor de cabelos brancos e barba farta que tocava seu violão na praça para qualquer um que quisesse apreciar. Ortiz ía e voltava, sempre perdendo pelo menos 2 horas observando os shows improvisados, naturalmente foi criando uma amizade pelo senhor que lhe ensinou a tocar violão e deu-lhe algumas aulas de canto, nada demais, era tudo bem amador de algum jeito. O problema foi que, alguns anos depois o pai finalmente teria uma audiência para se explicar e conseguir a dupla-cidadania, só que a Justiça marcara tal chance para o plenário de Ohio. Ele e a mãe deixaram tudo para trás. E vocês não tem ideia de como ele sentia falta daqueles finais de tarde com o velho assistindo ou até participando dos shows na praça.

Com sorte tudo deu certo, conquistaram o direito de se chamarem 'americanos'. O pai abriu uma pequena floricultura e a mãe trabalha com ele. Atualmente desfrutam de uma vida pacata e bem melhor do que a que tinham no México. A personalidade de Juan se desenvolveu de modo à se adaptar à todas estas experiências que sofrera. Tornou-se um jovem bastante atencioso e esforçado, muito ligado à família, mas talvez por passar tanto tempo vivendo longe, ele simplesmente deixou de lado toda a cultura mexicana que tinha. Péssimo em inglês ou história norte-americana; adaptou-se bem, mas dá para perceber muito sutilmente o sotaque engraçado que os latinos tem ao tentar falar em inglês. A pele bronzeada quase mulata, os olhos e cabelos castanho fosco, todos traços de sua origem Latina, mas no coração algo se perdeu durante esse tempo e infelizmente não foi algo que ele conseguiu reparar. Não exatamente como uma crise de identidade, mas como se faltasse um pedaço de si, pedaço esse que ele só encontrava quando os acordes do seu violão uniam-se ao som da gaita do velho que lhe apresentou a música na praça daquela cidadezinha.

DADOS

NOME: Juan Callejón Ortiz

DE ONDE É?: Monterrey – México.

IDADE: 16

GRUPO?: New Directions

AUDIÇÃO

Era nada além da coragem naquele momento. Não via exatamente uma imagem certa ao se encarar no espalho logo pela manhã, eram respostas que ele buscava e sentia que apenas na música poderia encontrar. Não tinha tanta técnica, mas tinha sentimentos, e era por isso que acreditava ser capaz de entrar no coral da escola, mesmo que esse não fosse tão bem visto por seus colegas. Engoliu à seco, lavou o rosto, se vestiu e saiu sem abocanhar nada, estava ansioso demais para comer qualquer coisa mesmo com os conselhos da mãe para não ir em jejum.

Fora da sala onde a audição seria feita ele podia sentir as mãos suarem, cumprimentou algum colega de classe que passou por ele dizendo mil e uma coisa em espanhol talvez imaginando que ele entenderia tudo, lembremos vivia nos EUA desde os 7 anos, até seus pais falavam pouco espanhol como forma de praticar o inglês. Quando chegou o seu momento entrou na sala ouvindo o estalar dos passos, os tênis brancos surrados quase criando boca. Pediu apenas 1 minuto para mudar a afinação do violão que era oferecido e depois de tocar um dó, ré7 e fá sustenido ele concluiu que estava bom daquele jeito. Passou a alsa do instrumento sobre o ombro e ajeitou o microfone à sua altura.

- Bom dia. Eu me chamo Juan Callejón Ortiz, sou aluno do primeiro ano e vou cantar Heartless de Kanye West na versão acústica. - feita devidamente a apresentação ele fechou os olhos por meio segundo e respirou o mais profundamente que conseguiu. Naquela hora, no exato instante em que os dedos traçaram as notas e o som saiu era como se todas aquelas questões dele sumissem, como se ele achasse a parte de seu quebra-cabeça que faltava. Era a sensação deliciosa de se auto-realizar, para ele na música, ou quando conseguia um A+ em História da América, proeza realizada apenas 2 vezes na vida.

In the night, I hear 'em talk
The coldest story ever told
Somewhere far along this road, he lost his soul

A voz era suave, ele mesmo parecia se perder para tudo e estar somente vivo para aquilo. Cada verso saía com naturalidade espontânea casando simétricamente com os acordes do violão. O ritmo novo que conferia à canção propunha um novo tipo de reflexão sobre seu contexto, era uma narrativa fosse com os aparelhos digitais ou apenas com o violão, mas por ser tão mais 'folk' nesse aspecto parecia algo digno dos antigos trovadores.

How could you be so cold as the winter wind when it breeze yo
Just remember that you talking to me though
You need to watch the way you talking to me yo
I mean after all the things that we been through
I mean after all the things we got into
Ayo, I know there are some things that you ain't told me
Ayo, I did some things but that's the old me
And now you wanna get me back and you gonna show me
So you walk around like you don't know me
You got a new friend, well I got homies
But in the end it's still so lonely

Era capaz de alcansar notas altas sem afinar demais a voz, mantendo seu tom natural. O sotaque meio bagunçado deixava claro que ele não era um americano de nascensa, mas compunha de forma necessária para a harmonia da música. Ele dava pausas eventuais totalmente diferentes da versão original e nem tão típicas de uma versão acústica, era como aquela vírgula que sugere algo diferente do que poderia imaginar se ela não estivesse entre tais duas palavras. Ele se perdeu entre os versos, e talvez abraçado pela canção uma velha experiência voltava, se lembrava de Pablo, um caribenho que assim como ele seus pais tentava passar ilegalmente pela fronteira para os EUA. Pablo era sem dúvida um homem que queria um recomeço tanto quanto precisava dele, nas noites mais tristes o sujeito contava suas histórias de vida, e eram muitas mesmo ele não tendo mais do que 28 anos.

In the night, I hear them talk the coldest story ever told
Somewhere far along this road, he lost his soul
To a woman so heartless
How could you be so heartless?

Pablo contava em volta da fogueira sobre seu problema amoroso. Ele amava demais sua ex-mulher, tinha um emprego razoável e oferecia todo o tipo de regalia que podia para seu amor. Eles se amavam intensamente, eram o tipo de casal que parecia ter sido feito um para o outro, se beijavam em baixo da chuva, apreciavam o céu noturno e se divertiam vendo um simples programa de auditório na TV com imagem chamuscada que tinham. Não era uma vida rica, mas era da exata maneira que os fazia bem. Eles pensavam em ter filhos, pensavam em se mudar para os EUA e buscar novas oportunidades, mas tudo mudou tão drásticamente quando ele adoeceu de Tuberculose. Via sua musa se afastar cada vez mais, inicialmente a pedido dele mesmo para que ela não se infectasse com a doença, mas a cada dia sem tê-la ao seu lado era uma ferida maior em seu coração, maior do que ele poderia suportar na verdade.

How could you be so Dr. Evil?
You bringing out a side of me that I don't know
I decided we weren't gonna speak so
Why we up 3 A.M. on the phone?
Why would she be so mad at me for?
Homie I don't know she's hot and cold
I won't stop wont mess my groove up
Cause I already know how this thing go
You run and tell your friends that you're leaving me
They say that they don't see what you see in me
You wait a couple months then you gonna see
You'll never find nobody better than me

Abandonado em seu leito, duvidando que teria dinheiro para o tratamento e para sustentar a casa como fazia antes a mulher foi se afastando e a cada briga que tinham ele conhecia um lado da parceira que nunca tinha visto. Não era o amor que ditava as regras ali, era o poder do dinheiro, com o salário reduzido a paixão de antes parecia ter se tornado nada mais que uma vela que tremula com a menor brisa. Ela constantemente saía de casa e passava a noite com as amigas, dizia Pablo, até mesmo a mãe dela que queria que os dois ficassem juntos teve de ouvir poucas e boas da filha dizendo falsidades sobre ele. O calor dos dois se tornava o mesmo que um iceberg, ou seja, a ausência completa do som que bate no coração.

In the night, I hear them talk the coldest story ever told
Somewhere far along this road, he lost his soul
To a woman so heartless
How could you be so heartless
Oh, how could you be so heartless?

Juan cantava com delicadeza e leveza, a história do antigo companheiro simplesmente parecia brotar e emergir dos versos da canção, era impossível não se lembrar do olhar abatido de Pablo contando sua história e logo em seguida, vendo que todos se entristeciam mais ainda, ele dava um jeito de inventar uma piada ou situação adversa para dar risadas à todos. Em sua continuação Pablo dizia que nos últimos meses antes da separação encontrou a mulher nos braços de outro e por isso se afastou, não queria brigar, não queria ouvir dos lábios da amada as palavras que ele temia, preferia vê-la feliz sob o abraço de outro do que irritada com ele. A amava demais para lhe desejar seu mal mesmo com a falta de caráter dela. A partir daquele dia ele não voltou para casa, usou todo o dinheiro de sua conta para viver num quitinete e comprar os remédios para seu tratamento.

Talking talking talking talk
Baby lets just knock it off
They don't know what we been through
They don't know about me and you
So why I got something new to see?
And you just gonna keep hating me
And we just gonna be enemies
I know you can't believe
I could just leave it wrong
And you can't make it right
I'm gonna take off tonight (Into the night)

O clímax chegava agora, a separação definitiva, dos meses se passando e ele melhorando até descobrir que sua amada havia contraído tuberculose. Ele abandonou tudo para ir prestar auxílio à ela. Ela fora abandonada pelo homem de antes e deixada num leito de hospital para morrer, ele passou a fazer tudo o que pôde, até então recuperado arrumou um trabalho extra para conseguir mais renda, realmente se esforçava a ponto de parar com seu tratamento nos meses finais para se voltar à ela. E mesmo que os olhos frios e sem brilho sempre o encarassem do mesmo jeito, apesar dele saber que não teria nada em troca porque o que tocava seus corações já havia se rompido ele não poderia deixar de amá-la menos. Infelizmente ele não foi capaz de ajudá-la e suas últimas palavras foram como uma guilhotina: "Sabe, desde o início eu sempre te odiei. Seu dinheiro foi tudo que me interessou...". A partir daí ele resolveu viver o sonho de uma vida nas Américas, ainda abalado por aquilo, mas sentido a responsabilidade de viver pelos dois. Juan tinha de confessar que naquele momento derramou uma lágrima por Pablo.

In the night, I hear them talk the coldest story ever told
Somewhere far along this road, he lost his soul
To a woman so heartless
How could you be so heartless
Oh, how could you be so heartless?

Cantava com mais fúria nos momentos finais, exigiu mais de si mesmo mostrando toda a potência vocal que poderia ter. A história de Pablo terminou naquele rio, entre México e Estados Unidos quando 3 tiros atravessaram seu peito. Ele era tão pequeno e ainda assim se lembrava da lágrima escorrendo pelos olhos do breve companheiro e da mão se esticando como se clamasse que sua amada o puxasse de volta para a superfície. Terminou sua apresentação da mesma forma que a jornada de Pablo se encerrara, no mais profundo silêncio.




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Re: [FP] Juan Callejón Oritz

Mensagem por Dianna E. Voss-Ohlweiler em Seg 24 Nov 2014 - 14:29


words like a gun.
Well, vamos para a crítica de ficha e avaliação.

História interessante, muito bem desenvolvida e bastante criativa. É o primeiro mexicano de sangue puro neste lugar de americanos, ingleses & diversos estrangeiros, mas latino, fora Santana Lopez, é um dos poucos aqui presentes. Em relação a sua audição, só tenho que parabenizá-lo, fez um bom trabalho. Foi bem descritivo, fez bom uso de pontuações em seus devidos lugares e uma ótima coesão textual, sem deixar que nada faltasse com o que queria unir, que no caso, fora as coisas citadas em sua história. Sem mais...

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