Van Der Vaart, Cameron

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Van Der Vaart, Cameron

Mensagem por Cameron Van Der Vaart em Sex 29 Maio 2015 - 23:17


Primeiro Nome

─ Nome Completo:
Cameron Van Der Vaart

─ Idade:
Dezessete (17) luas.

─ Escola:
Newtt McKinley High School.

─ Grupo:
Atrizes.

Personalidade:

Eis um pequeno fato: a Van Der Vaart é complexa como um problema de matemática. São muitas as formas de resolvê-la, mas nenhuma delas pode dar a certeza de que se encontrará a verdadeira resposta da equação (até porque ela não existe, de fato). Usando metáforas ao invés de matemática, é possível dizer que tentar conhecê-la por completo é como engarrafar o ar: você sabe que está pegando-o, mas não sabe se ele permanece ali, na garrafa. A verdade é que Cameron é um mistério para si mesma, que simplesmente não sabe lidar com tudo que se passa por sua cabeça.

Dona de um sorriso cativante, olhar doce e um ar de arrogância ímpar, a garota que aparenta ser para o mundo externo pode ser definida em uma palavra: confiante. Controlada (e, às vezes, taxada de esnobe e metida devido a isso - não que não o seja, claro) e dona de uma confiança aparentemente inabalável, Cameron parece sempre ter uma solução para tudo na ponta da língua, o que faz com que as pessoas esperem isso dela: iniciativa e voz de comando. Ela está constantemente tentando manter o controle de todos os aspectos de sua vida: escola, amigos, família e, sobretudo, si mesma.

Quando as coisas ficam fora de seu controle, ela atua de uma forma média, como forma de salvar o mundo: Cameron vai mudar sua realidade externa perfeitamente, a fim de manter as aparências (as quais ela dá grande importância). Odeia que lhe digam o que fazer. É mestre em marionetes (controlar os outros, mesmo que contra sua vontade) e tem a sutil para arrancar as cordas se isso for de seu interesse. Pode parecer e agir como uma rainha do gelo, mas ela não é, de fato, tudo isso.

Quem tem o prazer de conhecê-la o suficiente compreende seus motivos de ser como é. A verdadeira Van Der Vaart é uma pessoa extremamente protetora: é capaz de estapear qualquer um que mexa com seus amigos. Ela é espirituosa e definitivamente gosta de pessoas que estão dispostas a ouvi-la pelo tempo que for – pessoas que demonstrem interesse e carinho por ela. É muito teimosa e decidida, nunca estando disposta a ceder em nada. O coração dela é maior do que qualquer outra coisa.

A garota é mimada, embora não seja (tão) egoísta. Precisa de pessoas que podem ensinar-lhe a arte do compromisso e de não se preocupar e dar tanta importância às pequenas coisas. Ela ama. Ela só quer que você esteja no seu pé e ela quer amar em seus termos. Possui um orgulho enorme que pode ser um de seus maiores defeitos, juntamente com a insegurança que procura esconder a todo custo. Em última análise, se ela está à procura de um amor em que ela possa confiar, alguém que pode fazê-la se sentir confortável para ser quem ela, de fato, é.

História:

"Onde liga esta... ah, aqui? [vozes ao fundo] Já está ligado? Nossa. Perdão, nem tinha visto. Não sei mexer direito nesta coisa. Obrigada, Gehard.  

Ahm, olá. Eu não sei como fazer isso direito porque é a primeira vez que eu uso um gravador e porque me sinto meio idiota falando sozinha. Meu nome é Cameron Van Der Vaart, tenho dezessete anos e estou voando neste exato momento. Estou sentada na poltrona do corredor, longe das janelas, pois tenho um medo absurdo de altura. O destino do voo é Miami, nos Estados Unidos. Estou voltando para casa. Não sou americana, mas meus pais são... quer dizer, minha mãe era e meu pai é... enfim, considero-me mais americana do que inglesa, mesmo que eu só tivesse estado nos Estados Unidos algumas poucas vezes. Papai não costuma levar-me junto quando viaja. Pelo menos, não mais.

[longa pausa]

Eu... não sei o que falar, na verdade. Meu antigo mordomo deu-me este gravador para desabafar, mas não sei por onde começar e continuo me sentindo meio boba porque sempre detestei essa coisa de "meu querido diário", etc. Acho que não sei como desabafar, também. Nunca fiz isso com ninguém, nem mesmo com meu pai. Na verdade, ele seria a última pessoa que eu procuraria se fosse desabafar com alguém.

Bom, está claro que não gosto tanto assim dele - pelo menos não tanto quanto uma filha supostamente deveria gostar de seu pai. Eu costumava gostar, antes de minha mãe morrer. Ele era completamente diferente do que é hoje: era simpático, amoroso e parecia capaz de fazer qualquer coisa por nós duas. Hoje ele é seco, arrogante e simplesmente detestável. Não parece a mesma pessoa. Aleph, nosso mordomo, diz que ele perdeu uma parte dele quando ela se foi. Ele alega que ele está de luto e que nada (nenhum remédio ou mesmo longo período de tempo) pode curá-lo e fazer a dor passar.

Eu sinceramente não suporto ouvir essas desculpas. Não suporto a ideia de ter que ser compreensiva. Ele não é um bebê: têm quase cinquenta anos e já deveria ter superado tudo isso, a julgar que fazem quase doze anos, eu acho, que mamãe morreu.

Quando uso esse argumento, Aleph diz que eles se amavam muito e de verdade e que um amor assim não se esquece. Ele me contou, uma vez, que já trabalhava para a família de meu pai quando Theodora Jonhson e George Van Der Vaart se conheceram. Foi na escola: eles estudavam em uma escola em Miami. Não sei exatamente qual, pois esse tipo de detalhe seria pedir demais da memória de um senhor de quase setenta anos, mas não sei se é realmente importante.

Mamãe era bolsista, pois não tinha dinheiro para pagar uma escola daquele porte. Era uma pessoa muito inteligente, já que conseguira uma bolsa em uma escola tão cara. Papai, por outro lado, tinha o dinheiro, então não precisava estudar e se esforçar minimamente. Os mundos eram diferentes. Eles se apaixonaram depois de um tempo estudando juntos, mas só puderam começar a namorar depois que saíram da tal escola, porque lá era proibida qualquer relação entre alunos.

Ele contou uma vez que foi difícil fazer os meus avós paternos concordarem com um casamento entre eles, mas que depois de anos tentando, eles finalmente conseguiram a tal benção, ou seja lá o que for. A cerimônia foi pequena a pedido de minha mãe, que sempre fora uma pessoa simples. Meu pai concordou. Aleph me contou que, quando ela pedia alguma coisa, ele sempre concordava.

Eles se mudaram para a Inglaterra, onde papai começou a trabalhar no que trabalha até hoje: comprando empresas falidas, restaurando algumas partes delas e vendendo-as de novo. Não entendo muito bem como isso funciona, só sei que é muito parecido com o que fazia Edward Lewis, de Pretty Woman. Mamãe odiava aquilo, pois achava que era um modo de mentira e ela detestava mentira. Eles brigaram várias vezes por causa do que papai fazia: quase chegaram a romper, uma vez. No fim, decidiram que não iam mais se meter no que dizia respeito um a carreira do outro.

Mamãe era artista. Suas mãos eram delicadas e ela desenhava incrivelmente bem. Tenho, até hoje, algumas pinturas e desenhos dela, além de ter escondido seu caderno de desenhos comigo, quando tinha dez anos e encontrei-o por acaso. Ela parou de trabalhar quando nasci, em mil novecentos e noventa e oito. Às vezes, quando olho os quadros dela, sinto-me meio culpada por ter tirado a arte dela. Uma vez, falei isso para ela, que apenas respondeu que tinha prioridades maiores. Depois isso, deu-me um beijo na testa.

Ela sempre me dava beijos na testa. Menos quando papai me beijava também: então, os dois colavam seus lábios em minhas bochechas, um em cada lado. Eu sentia-me protegida quando eles faziam isso. Gostava de quando eles deixavam-me dormir no seu quarto, mesmo quando eu tinha um enorme só para mim. Gostava dos piqueniques que fazíamos todos os domingos, quando meu pai reservava o dia para a família. Éramos unidos. Uma família.

Mamãe morreu quando eu tinha cinco anos. Câncer. Não gosto de falar sobre isso nem de lembrar dela na cama, doente, dizendo adeus para mim todas as noites, pois poderia não acordar no dia seguinte. Seu estado era crítico e embora eu tivesse pouca idade na época, sabia que ela estava sofrendo. Até que um dia ela simplesmente não resistiu a uma cirurgia e se foi. [respiração pesada]

Eu amava-a demais e sabia que ela sentia o mesmo. Ela tinha o coração mais doce do mundo. Era a única capaz de dobrar meu pai, que sempre agira como "o alfa" para tudo e todos. Eles se amavam. E me amavam. Nós éramos a família perfeita. [respiração pesada. silêncio.] Não posso chorar agora. Se eu fizer isso, não paro mais. [respiração profunda] Tudo bem. Pare com isso, Cameron.

Bom, depois disso, papai não foi mais o mesmo. Teve uma época em que esteve em depressão e simplesmente esqueceu-se de tudo: de mim, do trabalho, da vida. Alguns meses e medicamentos pesados depois, ele estava em pé novamente. Mas não era mais o mesmo. Sua expressão era séria, seus lábios não conheciam mais um sorriso e seus olhos tinham perdido o brilho que outrora tiveram. Ele foi ficando feio. E não só por fora: por dentro também. Ficou arrogante, ambicioso, sem paciência e completamente mal humorado.

Nunca mais fizemos piqueniques. Nunca mais sorrimos. Sequer jantamos juntos, agora. Papai ficou intolerante, principalmente quanto a mim.

Eu fiquei triste, também, mas não entrei em depressão como papai. Eu tinha psicólogos que ajudaram minha cabecinha de cinco anos que aquilo era natural e que, uma hora ou outra, acontecia com todo mundo. Aprendi a lidar com a falta que minha mãe fazia e, posteriormente, com a falta que meu pai fazia, pois eu havia perdido-o também, de certa forma. Afinal, ele simplesmente abandonou-me quando enrolou-se nas cobertas que tinham o cheiro de minha mãe e entregou-se ao luto.

Mas o que tudo isso tem a ver com o fato de eu estar em um avião, agora, sendo praticamente despachada para Miami?

Como eu disse, papai ficou intolerante. Houve um tempo que sequer falava comigo. Foi tornando-se ausente, e quase não nos víamos mais, embora morássemos na mesma casa. Justificava isso com o trabalho, dizendo-me sempre que estava muito atarefado. Sua falta foi suprida com objetos materiais: ganhei todas as bonecas que haviam lançado aquele ano. No ano seguinte, o celular mais caro. E no outro, quando fiz nove anos, meu primeiro cartão de débito. Aos dez, de crédito. E assim, foi. Eu tinha tudo, menos o que queria: atenção. [pigarro] Aos poucos, fui acostumando-me com aquilo. E fui gostando. Eu tinha o que queria, quando queria e do jeito que queria.

Alguns dizem que fiquei mimada, mas de que importa?

Quando fiz doze anos, ele levou a primeira namorada depois de mamãe para nossa casa. Detestei-a logo de cara. Ninguém poderia substituir minha mãe e ser boa o bastante para ocupar seu lugar naquela casa e no meu coração. O namoro de meu pai não durou nada e foi assim com todos os outros: do mesmo modo que elas eram detestáveis para mim, eu era para elas. Não fazia questão de ser simpática e conseguia tornar a vida delas um inferno. A maioria desistia depois de dois meses.

Mas não Brigitte.

Brigitte foi a vigésima terceira namorada de meu pai em três anos. Loira, alta e cheia de bottox, parecia um espantalho com peitos grandes demais para ela equilibrar naquele corpo anoréxico. No entanto, meu pai parecia gostar dela. [risinho irônico] Enfim, eu simplesmente detestava-a. E não por implicância: mas porque ela dava motivos. Sua voz era irritante, seus modos eram péssimos e ela era extremamente enjoada.

Eu a odiava e fazia questão de mostrar isso. E era recíproco: ela tratava-me consideravelmente bem (nos seus padrões, claro) na frente de meu pai, e depois era uma verdadeira... cadela. Desculpe o palavreado. Enfim. Briguei várias vezes com ela ao longo dos torturantes dois anos que eles estiveram namorando. Papai sempre ficava do lado dela, o que era irritante. E me pedia para ser compreensiva, pois era difícil para ela. HAHAHA, como se fosse difícil pr'aquela filha da...

[silêncio]

Desculpe. Falar sobre ela me irrita. Ok, já estou mais calma.

A nossa última briga foi, com toda a certeza, a pior. Foi no dia em que papai e ela anunciaram que iriam se casar. No mesmo instante pulei da cadeira e derrubei meu jantar inteiro na mesa. Acho que acabei jogando algo nela sem querer, mas sinceramente não lembro e tampouco ligo. Fiquei fora de mim e comecei a gritar. Não sei o que, mas gritei. Espero que tenham sido xingamentos e que tenham sido bons.

Sei que saí gritando pela porta e fugi de casa. Depois, lembro-me de ter ido para uma festa na casa de uma amiga. Tiffany, acho. Tanto faz. Tomei algumas bebidas e fiquei meio maluca. Adrenalina, irritação e álcool são uma péssima combinação. Acrescente um pouco de LSD e outras substâncias que parecem fritar seu cérebro e seus sentidos e voilá, a Cameron daquele dia estava feita.

Sei que surtei. Tenho recordações que sequer sei se eram minhas de fato ou se foram causadas por alucinógenos ou drogas que eu possa ter consumido sem sequer saber; E que acordei no hospital, com a cabeça, o estômago, tudo doendo. Quase tivera um coma alcoólico, dissera o médico. Na verdade, não sei ao certo o que ele disse: só me recordo do olhar de desaprovação de meu pai. Eu já estava acostumado a ele, mas mesmo assim, doeu vê-lo olhando-me daquele modo.

Ao lado dele, estava Brigitte, exibindo um enorme anel de noivado. Eu queria ter morrido quando vi aquilo.

Fiquei no hospital por mais três dias. Quando cheguei em casa, hoje de manhã, minhas coisas estavam arrumadas no hall. Vinte e duas malas grandes e algumas malas pequenas, juntamente com caixas de papelão aos montes. Era muita coisa. No início, não entendi, mas depois Aleph veio me dar o recado. Papai estava me despachando para os Estados Unidos. Ele achava meu comportamento terrível e que meus vícios (eu nunca havia tomado uma gota de bebida antes da noite do noivado, em minha defesa) deveriam acabar.

Jogou a culpa em mim. Fez-me passar de louca. Apunhalou-me pelas costas com aquela história de noivado e depois mandou-me para longe, para outro continente, para um lugar onde eu não conhecia nada nem ninguém.

Estou com ódio. Muito ódio dele. Mas, por outro lado, estou aliviada. Eu nunca iria aguentar morar sob o mesmo teto que o casalzinho feliz.

[longo suspiro] Acho que é isso. Bom, no fim, não foi tão difícil falar tudo isso. Embora, obviamente, eu continue me achando meio boba por estar fazendo isso. Mas talvez Aleph esteja certo: se ninguém é capaz de ouvir-me, talvez seja mais fácil eu falar sozinha. Na maioria das vezes, ele está certo, pelo menos.

Eu sei lá. Sei que vou sentir falta dele. E de meus amigos. Leah, Mellanie e Victor prometeram falar comigo todos os dias. Harry disse que ia escrever-me. E Isla disse que ia me ligar uma vez por semana. São bons amigos, mas eu duvido que realmente cumpram todas as promessas que fizeram quando foram se despedir de mim, hoje mais cedo. Mas, no fundo, eu espero que eles cumpram isso mesmo.

Não sei o que esperar dessa vida nova. Sei que vou morar em um quarto de hotel até que meu pai resolva que eu estou pronta para ter um apartamento. E tem a escola nova. Procurei sobre ela na internet. Tem envolvimento com as artes, o que é bom. Pensando agora, é quase como se eu tivesse recebido um presente. É. Vou poder ir para outro continente, para a América, para virar atriz e seguir meus supostos sonhos. Mesmo assim, algo nisso tudo me deixa com um pouco de medo, mas acho que consigo superar isso.

[vozes ao fundo. diálogo rápido. silêncio]

Estou chegando. Vamos pousar daqui há cinco minutos. Preciso juntar minhas coisas e colocar o cinto. Consequentemente, preciso desligar. Obrigada por me ouvir. É estranho agradecer um gravador, mas acho que é válido. Talvez sejamos amigos, hein? [risadinha] Bom, é isso.

Câmbio, desligo. Eu acho."
"Are you going to leave a path to trace?"

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