Valchard Lofrev, Jynx

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Valchard Lofrev, Jynx

Mensagem por Jynx L. Valchard em Seg 1 Jun 2015 - 22:33


Jynx, the sweet child

─ Nome Completo:
Jynx Lofrev Valchard

─ Idade:
14 years, seven months

─ Escola:
Winterfield Academy

─ Grupo:
Cheerios

Personalidade:

Dona de atributos físicos e qualidades inigualáveis, Lofrev detém de um charme notável e um físico indubitável que mescla-se em todos os sentidos à perfeição californiana. De maneiras suaves e ritmadas, lembrando até mesmo uma bailarina que treina ao extremo exausto, Jynx é uma menina calma e até mesmo ingênua, algo que condiz contra a natureza de seu progenitor.

Alta, magra e loira; conjunto de características que aos demais só é permitido sonhar, principalmente àquelas pertencentes ao sexo feminino. Olhos de um cinza intenso que mesclam-se ao azul escuro, relembram bastante as nuvens tempestuosas em tempos difíceis, tais como a obscuridade do mar, contudo, buscam a cada momento enxergar algo de bom ao seu redor com uma obsessão até infantil. Lábios fartos, corpo curvilíneo e dotes acentuados por natureza, o que a torna tão voluptuosa muito embora oculte-se por detrás de vestimentas incomuns a alguém da sua idade.

Nunca se trajou de forma chique e muito menos glamourosa, usando roupas gastas e por muitas vezes remendadas ou de porte masculino, que ficavam largas demais em seu corpo curvilíneo e delgado, mesmo que tivesse condições suficiente para possuir quantas roupas da Versace quisesse.

Suas madeixas possuinte de uma tonalidade fúcsia em uma mistura alourada servem para tornar a donzela o centro das atenções, mesmo que não sendo a real intenção da prodígio. O par de pernas desenhadas cautelosamente pelos deuses gregos -como brinca a mãe de Valchard-, ajudaram-a desenvolver uma silhueta extremamente fina, já vitima de semelhanças a bonecas desde o dia de seu nascimento.

Lofrev é surpreendentemente explosiva, exaltando-se tão facilmente como qualquer outra garota. Ao esgotamento de sua tão desejada paciência, mostra as presas como ninguém, tornando-se auto-ditada o suficiente para utilizar todos os meios como arma para atingir os seus objetivos, onde sua persistência toma conta, a transformando em um ser dotado de extremo orgulho, futilidade e egoismo, massacrando os outros com o desenvolvido vocabulário.

Na maioria das vezes é definida como uma boa garota. Consolidada em uma personalidade extremamente forte, esconde sua verdadeira face - a ruim. Ostenta na maior parte do tempo a personificação mais-que-perfeita de uma menina competitiva e confiante, que não mede esforços para conseguir o que quer. Resoluta em seus intentos, dificilmente muda seu posicionamento ou aceita seus erros, assumindo-se como uma pessoa de costumes irritantes por intermédio disso.
Leva suas amizades muito a sério e defende aqueles que a cercam sempre que pode. Mas, apesar de todos os seus pontos falhos e de um egoísmo nato que lhe aderna, Jynx é também uma ótima e dedicada amiga quando conquistada, e está sempre apta a auxiliar aqueles que ama, seja do modo que for.

Garota que tenta seguir as normas, mas é sempre pega metida em confusão. Perfeccionista e superficialmente delicada, consegue atrair as pessoas com uma facilidade notável, até mesmo aqueles que não quer ao lado. A essência de sua vida é baseada em laços de amizade, quando sozinha, é simplesmente uma pessoa vazia e sem vida, você nunca irá ver Lofrev abandonada pelos cantos, e sim caçando confusão com o queixo erguido, mantendo as características tóxicas de sempre, mas lembre-se é apenas uma casca irrisória.

Apesar de sua expressão solene e seu jeito resignado, a jovem luta com afinco para esconder a garota instável e facilmente influenciável que se mantém dentro de si.
Valchard não se prende a garotos, mantendo-se livre e disponível para os amigos na maior parte do tempo, inclinando-se aos impulsos de sua personalidade. Apesar de seus traços notavelmente marcantes, esconde um fragilizado coração, limitando-o. Aprendeu de forma precoce que muitas vezes é melhor usar uma máscara do que colocar a face a tapa.


História:


Querido diário,
Fevereiro de 2015.

Ele disse aquilo de novo, sabe?
Disse que eu poderia ser a melhor se me esforçasse mais um pouco, mamãe forçou um sorriso no mesmo instante. E você sabe que eu sempre entendi essas jogatinas dos dois, esse modo de levar a vida ao encrustar todos os sonhos em uma única pessoa e se tornar o seu próprio carrasco ao ver o findo desses almejos.

Vocês também sabe que eu tento. Mas meus dedos doem toda vez que eu tento. As cordas já se partiram três vezes apenas essa semana, e os livros me dão dor de cabeça.
Talvez se eu usasse aqueles óculos insuportáveis, mas também sei como ele vai me olhar com descaso e crispar o lábio superior em uma feição clara de escárnio e desgosto. Mamãe vai me forçar um sorriso, ela vive fazendo isso. Apenas forçando sorrisos e dando ordens para as empregadas que também forçam sorrisos para ela. É um jogo que nunca tem fim.

Os professores os chamaram semana passada, falaram que sou a melhor aluna, o que nunca foi uma real surpresa. Vão me passar de ano, mais uma vez. Meus pais falam que é algo bom, significa que sou mais inteligente que os demais e provavelmente vou ir parar nos jornais por ser uma prodígio, eu tento entender.
É o sonho deles que me forçam a fazer tudo isso, mas é um belo sonho, afinal.

E o que me restaria se não fosse pelos quereres alheios?
E me desculpe pelas lágrimas, odeio molhar suas páginas, mas fica difícil ter pensamentos coerentes e sentimentos liquidados nestas situações. Bem, essa é a última vez que escrevo aqui, pelo menos por um tempo.

Eu te disse que vão me passar de ano, não é?
Aos meus lindos e belos treze aninhos estarei indo para o Ensino Médio, em uma escola que é classificada como a melhor do estado. A Winterfield Academy, só espero não ser forçada a compactuar mais uma vez com os clubes de música e fingir deleitamento ao manusear o violoncelo. Não que eu não goste do instrumento, contudo, estou farta dos calos e o irritante tilintar das cordas ao se partirem.
De ser a principal no palco, já que o violoncelo, geralmente, é tido como apresentação solo.

Entretanto, está tudo bem.
Tudo fica bem no final, e de qualquer modo, não me parece tão assustador quanto foi ir da primeira série à segunda em um piscar de olhos. Papai gostou da iniciativa da mestranda naquela época, sorrindo largamente para todos que passavam por nós enquanto seguíamos o caminho para casa. É de conhecimento geral o fato dele amar ter a melhor sobre seu teto, e como o bom político e neo-socialista que era não poderia fazer feio.

Neo-socialista.
Sempre tive vontade de rir dessas coisas que ele fala na frente dos demais, principalmente para a câmera. Denotando a bondade, o modo de levar a vida democraticamente sem afetar os mais pobres, assim como a saúde deve ser mantida como a maior fonte de um país. Porém, o mais engraçado foi a uns meses, eu já te contei, quando ele deixou exclusivamente toda uma ala de um hospital porque estava doente, disse para os jornais que era algo extremamente contagioso. Ebola, algo do tipo.

Não passava de uma sinusite que se tornou crônica e estava indo para bronquite. Quem manda passar as madrugadas junto de vagabundas ao relento enquanto bebe. Isso quando não ficava no escritório em Washington fingindo ser o que não era. Mas não quero falar sobre isso, não hoje.

Atenciosamente,
The sweet chield.


♔♔



Querido diário,
Abril de 2015.

Bem, oi.
Papai foi preso.
Hoje me falaram que a palavra universal para se sair da solidão é "olá".
Disse tantas vezes essa palavra hoje que cheguei a ficar com a garganta seca, mas nada adiantou. É como se eu utilizasse uma capa da invisibilidade que me fornecesse a capacidade, óbvia, de ficar invisível 24hrs por dia. Conduzindo-me para as infiéis carteiras ultima fileira na sala de aula. A mesa vaga que fica no refeitório, vaga sim, porque ninguém quer sentar naquela mesa que fica ao lado da lixeira.

Mas tudo bem.
E quanto ao papai, está tudo bem. Ele parece estar agindo melhor do que o esperado, mantém a cabeça em pé e os ternos alinhados. Disseram que roubou milhões de uma única vez, não entendi muito bem. Ele sempre fez isso, e agora, quando já estava para se tornar algo grande dentro da política foi preso.
Mamãe forçou mais sorrisos quando apareceu em frente as câmeras, mergulhando em seu próprio mundinho de bonecas.

Trajou o vestido mais caro que possuía, daqueles que o estilista mais famoso de todos faz apenas um modelo.
Defendeu meu pai até quando pode, mantendo a voz baixa como uma perfeita dama. Os trejeitos cordiais e as maneiras comportadas, atualizou a todos sobre o que ocorria e disse-lhes como era uma real injustiça. Tudo não passou de uma perfeita máscara que ela sempre usou.

Eu sorri em conjunto, derramando duas ou três lágrimas a pedido do agente publicitário que conduzia nossa família a festas e eventos do tipo. Papai foi condenado a trinta e três anos de prisão, sem direito a nos ver, nem mesmo no natal. E bem, como ele tanto apoiava ao se declarar neo-socialista; crimes derivados de pessoas com colarinho-branco são mais hediondos do que estupros e assassinatos.

Internamente, eu sorri verdadeiramente. Boa parte do peso que eu carregava nos ombros havia se findado, tipo um lastimoso fim.
Eu sei que disse que não escreveria mais em você, e bem, aguentei bastante tempo até. Mas foi necessário, talvez explodiria sem declarar à algo o que eu realmente penso sobre tudo o que vem ocorrendo, mesmo que não diretamente, sei que a prisão dele vai afetar toda a nossa vida. Desde minha mãe às empregadas e a nossa condição financeira.

Atenciosamente,
The sweet child.


♔♔


Querido diário,
Junho de 2015.


Hoje, enfim, eu entendi os motivos de nunca ser convidada para a mesa dos populares.
De não ser a primeira escolhida para os jogos de vôlei nas aulas de Educação Física.
Tampouco, o fato de nunca lembrarem meu nome ou gravarem minha aparência.

Hoje eu compreendi que ser má é o melhor caminho para ser dona e participante de um grupo equilibrado, chamar atenção. Andei com os populares, sabe?
Até mesmo aqueles que outrora me empurravam ao passarem por mim, aqueles que riam da maneira que eu me trajava ou apenas ignoravam minha participação em qualquer coisa.

Foi engraçado quando eu discuti com o professor e todos pareceram me apoiar. Mais engraçado ainda quando eu fingi não querer fazer nada durante as aulas e fiquei no fundão mascando chiclete, é como um ímã. Fui a primeira escolhida, e na hora do almoço peguei apenas uma maçã e já ia saindo do refeitório como se nada ali me interessasse.

Foi quando o Capitão do Time de Futebol gritou meu nome, tão alto e forte que todos pararam para ouvir. Era algo automático, as pessoas olhando umas para as outras até perceberem que os populares olhavam diretamente para mim. Não para outra pessoa, para mim.
Eu pisquei um dos olhos, jogando o cabelo para trás. O vento ajudou no momento, e com um sorrisinho sacana a estampar os lábios dei as costas e fui embora.

Simplesmente. Fui embora.

Assim que acabou o almoço, andei pelos corredores bem ao meio da multidão. Não perto dos armários, não, entre todos e era quase que uma brincadeira de mal gosto. Aqueles que me empurravam, agora abriam caminho. Fingi ao máximo ser uma deles, dei uma desculpa qualquer sobre o motivo de ser tão calada antes, que pareceu cair como uma luva sobre o ego inflamado do grupo.

Me acolheram. Agora, de certo modo, eu seria uma cheerleader mesmo nunca fazendo um testo real.
A professora apenas riu da euforia das garotas, e eu lhe disse que sempre fiz ballet, jezz e valsa. Não perguntou uma segunda vez, pediu uma apresentação rápida. Haviam vagas abertas, afinal, só queriam os melhores. Não estava maquiada, nem mesmo vestida de moda glamourosa.

Mas ao meu modo, dobrei a blusa até os cotovelos, abri dois ou três botões da camisa mostrando a camisa branca por dentro. A calça negra, assim como os sapatos em evidência.
Os cabelos sempre presos estavam soltos em cascatas, afirmando a coloração pouco utilizada na mistura loura e rósea. Foi um dia realmente engraçado, e pelo modo que me diverti em um parca realidade, espero ter mais dias assim.

Gosto muito de você, mas não quero ter que retornar a chorar sobre suas páginas.
Atenciosamente,
Jynx Lofrev Valchard, ex-sweet child.


"Minha vida é um filme que eu não pagaria pra ver.”— Otávio L. Azevedo

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