{DR} First Class - Theater and dance

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{DR} First Class - Theater and dance

Mensagem por Dianna E. Voss-Ohlweiler em Seg 15 Jun 2015 - 15:37

dance room
A sala de dança da Newtt Mckinley é uma das maiores, perdendo apenas para o pavilhão central, que funciona como espaço para os show's de talento. A parede central fora substituída por um espelho que vai do chão ao teto, com uma barra bem ao meio, para a prática de baillet. Um equipamento de som moderno e de fácil acesso encontra-se instalado no compartilhamento no canto da sala, onde dá para um escritório ao qual apenas o instrutor e professor tem acesso, ligado a caixas de som de alta potência dispersas em seis, plugadas ao canto de cada ponta de parede. O chão é do melhor mármore em tom de mogno brilhante, enceirado e antiderrapante, no intuito de evitar quedas e machucados, o que danificaria a educação do artista, e claro, sua estrutura física.

A permissão para se estar aqui deve ser concedida por um responsável legal do departamento de dança, ou seja, a presença de qualquer intruso será cortada, e uma punição possivelmente será aplicada de imediato. Os horários-aula desta modalidade costumam funcionar em dois tempos. Em alguns dias, as aulas ocorrerão de nove ao meio dia. Em outros, de duas às cinco.

Hoje, a aula inaugural se passa entre os alunos de dança e teatro, com Dianna e Shannon. Lembrando, que só os alunos dos dois departamentos são os únicos permitidos a frequentar a aula. A única exceção, deve-se apenas para cheerios, que escolheram uma das modalidades para ser a atuante.  
corporal expression
make by dianna for lutw

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Re: {DR} First Class - Theater and dance

Mensagem por Convidado em Seg 15 Jun 2015 - 16:20




Lights, Camera, Action!
Who Is The Real Devil?


Atuar. A incrível capacidade de criar olhos que choram lágrimas duplas; às vezes, um olho ri enquanto o outro chora. Olhos que olham um tempo para fora e outro para dentro. É preciso ter a boca treinada para separar o sabor da sua lágrima do gosto da lágrima criada, mas, principalmente, é preciso manter a alma ensolarada e ampla para ser um Deus dentro de si. Para poder jorrar para fora, com luz, angústia e talento, com toda a voz, o comando "faça-se homem; interprete!".

Fora uma honra quando o diretor do colégio lhe deu a notícia que era a nova monitora de teatro. Ela havia conseguido jorrar o comando com toda a maestria possível; mostrou, para aquele pequeno círculo de pessoas, que era capaz de se tornar um nada - porque no nada tudo cabe - para fazer nascer um personagem complexo e cheio de vida. Ela ficou em êxtase (e com o ego massageado), e acabou que passou a semana inteira planejando uma aula que não fazia a mínima ideia de como dar. Como ensinar a ser ator? Ensinar pessoas se esvaírem de suas emoções para criarem novas que não serão suas? A viver um personagem que, em um pequeno espaço de tempo, acaba transformando-se em você? A resposta veio tão rápido que mal teve tempo de piscar: Expressão corporal. A incrível arte de comunicar-se com o outro sem o uso de uma palavra sequer, utilizando técnicas que vem desde os primórdios da humanidade. O que é ser ator quando não se tem uma boa comunicação? Exatamente. Com um ponto de início em mente, dedicou-se a procurar como ensinaria, a princípio, a comunicar-se com o corpo. Ela já estava certa de que o foco da aula seria "não usar a voz", como em uma aula de mímica. Só que mais intenso. Muito mais intenso. A cartada final veio enquanto estava na aula de ballet, se preparando para um grand battement:

Dança.

Uma das principais e mais antigas das artes cênicas da Antiguidade. Embora tivesse noção de passos, movimentos e fizesse ballet desde os quatro anos de idade, a loura não tinha a didática necessária para passar dança aos seus alunos. Mas, por coincidência (ou não), ela conhecia uma pessoa que era muito boa em usar o corpo dentro de um ritmo imposto. A primeira coisa que fez uma semana antes do início das aulas foi procurar Dianna e dizer o que tinha em mente, interessada em saber se a morena - que era a monitora da área - lhe ajudaria em sua aula. A menina com pele cor de canela (que por acaso era sua namorada há algum tempo) aceitou de imediato, complementando a ideia com outra incrível. Por que não?
▽△▽

Tente aprender os passos, de forma rápida, quando sua namorada está usando roupas que não podem ser consideradas roupas. A coreografia apresentada tinha tudo para ficar digna de aplausos até do mais crítico do mundo da dança, mas ela não conseguia se concentrar. Pediu para parar três vezes antes de ir até o banheiro para se encarar no espelho, dando um basta em toda aquela situação. A letra da música era linda, a dança era intensa e Dianna ficava incrivelmente sexy dançando, mas ela precisava ser profissional ali. A garota que a guiaria não era sua namorada, era uma personagem. Assim como ela. Dito e feito; após mais uma passagem dos passos, conseguiu, em fim, deixar tudo perfeitamente limpo, sem nenhum escorregão ou movimento fora de hora.

- Parece que daremos inicio as aulas em grande estilo, huh? Eu sou um gênio. – Comentou enquanto bebericava a água da garrafinha, após passar a coreografia pela terceira vez no dia. Olhou a namorada e percebeu que a mesma a encarava com uma sobrancelha arqueada. Ops. Pigarreou. – Quer dizer, nós somos um gênio. Quem pensaria nisso? – Levantou-se do banco onde estava sentada, indo em direção à morena e ficando a centímetros do corpo esguio. – Você é incrível e fez uma coreografia cinquenta vezes melhor do que eu podia ter imaginado, então... Obrigada. – Sorriu de lado, fechando o espaço existente entre ambas e deixando um selinho demorado nos lábios da outra. Afastou-se. – Te vejo amanhã, sim? Eu serei a garota ansiosa para dançar com você. – Piscando um olho, pegou suas coisas e foi para casa, dar início ao seu ritual de concentração-barra-preparação para o dia seguinte.
▽△▽

Ela não estava nervosa, ansiosa era a palavra certa. O batuque dos dedos no volante do seu Grand Cherokee, no ritmo de uma música qualquer de Steve Aoki, mostravam a loura que ela não estava completamente concentrada. A sua aula, junto de Dianna, seria no primeiro horário, era de esperar que estivesse naquele semi-Nirvana para passar a seus – carinhosamente apelidados – gafanhotos, tudo aquilo que havia preparado da melhor forma possível. Estava uma hora e meia adiantada, fato que explicava ter chegado no colégio antes mesmo no zelador abrir as portas principais.

Sail. Essa era a música que tocava em seus fones de ouvidos quando fez o primeiro movimento para alongar o corpo. Os olhos estavam fechados, o pé em contato direto com a madeira do tablado que havia ali. A loura permitiu-se parar em sua sala para preparar o corpo e concentrar-se direito antes de ir para a sala de dança, no intuito de encontrar aquele “eu” profissional que tinha necessidade de aparecer. E, claro, trocar de roupa. O jeans escuro, o vans e a camisa três tons mais claros que a calça, deram lugar ao short de lycra curto e uma camisa de manga comprida que batia no meio de suas coxas. Confortável. Assim que ela se sentia no momento. E era desse jeito que pretendia dar a aula; seria ela e ao mesmo tempo não seria. Subiu para a sala de dança vinte minutos depois, sabendo que encontraria tudo ainda vazio e incrivelmente quieto.
▽△▽

- Atuar requer um conhecimento do espírito humano e do ator o poder de transmitir ao público, uma dita história, de forma bela e verdadeira, através do caminhar – Deu alguns passos, circulando aos dez pares de olhos que a encaravam. A postura ereta, o queixo erguido. - Do olhar – Abaixou um pouco a cabeça, o suficiente para olhar nos olhos de cada um ali presente. - Do falar – Direcionou um sorriso mínimo as pessoas sentadas. – E principalmente da expressão. O ator vive todas as vidas, existentes ou não, e tem o poder de rir e chorar todos os extremos. - Findou a pequena introdução que havia preparado, voltando para o lugar que estava quando o sino deu incio a aula. - Sejam bem-vindos a primeira aula de atuação do ano. Vocês devem estar se perguntando o que exatamente estão fazendo aqui, então tirarei essa dúvida antes mesmo que ela seja verbalizada. - Piscou os olhos e tomou uma pequena respiração antes de prosseguir. - Como puderam perceber, eu e a senhorita Ohlweiler tomamos a liberdade de unir ambas as classes para uma aula um tanto quanto importante para as duas modalidades. - Pausa para encarar os meninos e meninas de sua idade ali presentes. - Expressão corporal. - Sorriu, dando alguns passos para trás e ficando a uma distância maior dos outros, ao lado de Dianna, que mantinha uma postura confortável e impessoal. - A incrível arte de comunicar-se com outrem, sem o uso da linguagem falada, que existe antes mesmo de suas tataravós pensarem em nascer. Abrange a postura, gestos e expressões faciais, pontos essenciais para quem tem em mente ser um bom dançarino ou ator. E, como bônus, te faz um excelente jogador de Imagem e Ação. - Brincou, juntando as duas mãos na frente do corpo, entrelaçando seus dedos na altura no quadril e dando a Dianna sua deixa para falar a parte que era dela. Aguardou alguns minutos e colocou-se na posição que iniciaria o que fora combinado; a expressão do rosto estava neutra, porém suave. A concentração alcançava os níveis desejados pela loura. Shannon, naquele momento, era a personagem que havia criado em sua mente para realizar o que viria a seguir.

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Re: {DR} First Class - Theater and dance

Mensagem por Dianna E. Voss-Ohlweiler em Seg 15 Jun 2015 - 18:08

That baby now

People fall in love in mysterious ways. Maybe it's all part of a plan. ✖︎

O que faz o artista, se não, o aprendizado? Claro, várias outras coisas exigem do talento e fazem de um qualquer, o melhor de todos os tempos., mas nada como absorver uma nova onda de informações que podem melhorar – e muito – um dom que já esta dentro de si. O início das aulas estava a apenas uma semana de distância, Dianna encontrava-se pronta para atender à primeira instrução de dança do ano. Shannon havia lhe procurado, e talvez isso fora o ponta pé inicial que a morena precisava para formular algo para ser um primeiro dia decente. O luau havia lhe distraído momentaneamente. Não tinha nada devidamente planejado, mas, assim que levantou do sofá na sala de casa, dando de cara com a menina loura com a qual namorava já a bons meses atrás, foi como se uma bolha estourasse, livrando-a de todo o estado de torpor ao qual estava. Tirou um dos fones do ouvido, obrigando-se a deixar a melódica voz de Ed Sheeran de lado por um momento, para dar total atenção para sua garota. Acabou que, juntas, tiveram um par de ideias para dar a aula.

xXx

Ensaios e a certeza de que estariam fazendo algo digno de uma boa ovação de pé, somados a uma pequena quantidade de ansiedade era tudo o que havia se passado durante os dias restantes, até o atual. Tudo estava nos eixos, perfeitamente organizado para orbitar a primeira aula, que seria em dose dupla. Se estava nervosa? Bom. Pra ser sincera, não. Não estava nem um pouco. Apenas, apreensiva. O que faria, era algo inteiramente profissional, apesar do sentido verídico existente. Estava de frente para o espelho em seu quarto, fitando seus próprios olhos. Estaria Dianna pronta para àquilo? Por mais profissional que pudesse ser, sabia que poderia acabar saindo dos eixos em algum momento, e adicionar um quê pessoal. Mas, isto não seria visto como algo mau formulado ou desnecessário. Para um artista ser bem sucedido, não é apenas seguindo o roteiro fielmente, ou ser somente bem preparado emocionalmente. Sim, estas coisas equivalem a uma importância muito favorável, mas, nada melhor do quê dar um aspecto seu ao personagem. O uniforme da Newtt estava devidamente engomado - o qual seria substituído por uma camiseta preta -, já no corpo da morena, que o havia complementado com uma legue negra. Não usaria jeans, no intuito de não ser prejudicada no momento da aula. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo firme, e tratou de pegar as coisas que precisaria, para então, partir ao seu destino final.

Como já era de se esperar, encontrou o ambiente vazio. No final da sala, ao lado esquerdo, existia um compartimento. Uma porta, onde daria para um tipo de escritório pequeno, porém, confortável. Uma mesa com uma cadeira rotatória atrás, e mais duas em frente, uma estante com alguns livros, uma luminária para não ficar tão escuro, e o resto, era apenas espaço. Dianna passou para lá, deixando sua bolsa por ali. Pegou o controle do equipamento de som, ouvindo passos dentro da sala, do outro lado da porta. Então, seus olhos foram atraídos para uma outra bolsa ali, e de fato, sabia de quem se tratava. Baixou a cabeça por uma fração de segundos, um sorriso espontâneo expandindo-se por seus lábios. Seria sempre assim quando apenas pensasse nela? Mesmo depois, quando os anos passarem e ainda estiverem juntas? Poderia ser diferente, mas, tinha quase completa certeza de que era isso o que aconteceria, sim. Voltou para a sala, revelando-se para a menina. Ao estar próxima o bastante, tratou de puxá-la para perto, tendo envolvido um de seus braços à cintura da loura. Com a outra mão, tocou seu queixo, segurando-o para lhe aplicar um selinho em seus lábios.

Oi. – lhe sorriu, abraçando-a apertado. Afastou-se poucos passos, virando-se de frente para a o espelho que tomava conta da parede central, do chão ao teto. – Pronta para hoje? – lhe questionou, fitando seu reflexo.

Faltavam pouco mais que sete minutos para o início das aulas, onde cada aluno se pusesse a procurar onde seria o seu primeiro horário do dia. Como o tema da semana se tratava de expressão corporal, Dianna e Shannon decidiram que o melhor, seria fazer a aula na sala de dança, por ser mais espaçosa e dinâmica. Precisariam de bastante espaço. Dianna aqueceu-se com alguns exercícios para relaxar a musculatura corpórea em geral. Fez com que Shannon fizesse o mesmo, para que a namorada não sentisse dores após o término da aula. E também, para uma preparação antes do que seria feito. O sinal tocou, indicando que logo a turma estaria reunida. Dez pessoas eram esperadas, e não mais que isso. Para as aulas inaugurais, não seriam permitidas a invasão de alunos de outros departamentos. Lado a lado, Shannon e Dianna estavam próximas a parede central, mas não tanto. A frente delas, de pouco a pouco, os seletos para teatro e dança chegavam. A morena conhecia alguns daqueles rostos, uns mais que outros. Assim que o último aluno passou pela porta, fechando a contagem na décima presença, a porta fora fechada, e segundos após isso, Shannon tomara a frente da sala, dando alguns passos para o meio, estando mais próxima daquelas novas pessoas. Retratou coisas importantes, frisando bem o que deveria ser visto e aprendido no momento em que suas reuniões na sala de teatro ocorressem. Dianna apenas acompanhava, ouvindo com atenção o que era dito, enquanto o olhar era direcionado para alguns alunos. Estava com os braços voltados para trás do corpo, onde a mão direita estava entrelaçada a esquerda. Uma das pernas estava cruzada frente a outra, deixando uma postura relaxada e não tão séria a morena. Após o término da explicação, Dianna tomou a frente da sala, ocupando o lugar que Shannon havia estado a poucos segundos atrás.

Antes de mais nada, gostaria de dar as boas vindas à todos. – ainda com as mãos para trás do corpo, encarou algumas pessoas. – Também deveria dizer, que fizeram ótimas escolhas, mas não ficaram apenas por isso. – deu um sorrisinho fechado.  

Virou-se, dando uma porção de passos para o lado esquerdo da sala, os olhos nunca abandonando àquelas pessoas. Muitos alunos da Newtt preferiam estar ali, por que não gostariam de entrar em um sistema colossal como o da Winterfield. Por já ter estudado lá, Dianna sabia bem o que se passava por trás do sistema educacional, e como as coisas podiam funcionar ali dentro. Em como tudo parecia difícil, e não só parecia, realmente era. Poderia não ser o caso daquelas pessoas a sua frente.

As coisas aqui na Newtt podem ser complicadas. Vocês precisam saber o que estão enfrentando, e para isso, passaram por diversas avaliações. Esta, é apenas a primeira. – parou de ir para a esquerda, parando onde estava. – Todos aqui conhecem a si mesmo? Tem controle do próprio corpo ou se deixam levar pelos instintos? – deu um passo a frente, estando a uma pequena distância de uma menina morena de olhos brilhantes.

A encarou de uma forma fixa, mas não se demorou. Ao seu lado, Nathaniel. Sua vontade era de sorrir para o menino, dar-lhe um bom abraço, mas, neste momento era uma profissional.

Expressão corporal é algo bastante complexo. Você pode se conhecer, ter controle, mas não saberá reagir aos seus instintos. Por quê? – passou os braços para frente, erguendo-os na altura do busto, deixando as palmas viradas para cima. – Por quê vai existir um momento, em que vocês terão de enfrentar a única coisa que se é praticamente impossível de controlar. Suas emoções. Não importa o quão bom ator ou atriz você possa ser. Treinar a expressão do corpo é algo de suma importância. Você aprende a dominar suas emoções, a transformá-las.  – deu as costas, não que parecesse algo rude.

Fora apenas para voltar até onde Shannon estava. Seu olhar pousou sobre a loura em uma fração de segundos, desviando ligeiramente para o reflexo de todos os presentes na sala. Com o controle do equipamento de som em mãos, Dianna o ligou, deixando-o numa bancada alta no canto direito da sala, vindo para perto de sua namorada.

Vamos começar. Quero que cada um se sinta confortável, primeiramente. Depois, façam alongamentos. O corpo de vocês precisa estar relaxado, para evitar a propagação de futuras dores musculares. Não que isso irá evita-las, só não deixará tantos locais doloridos. – alertou, pondo-se novamente ao lado da instrutora de teatro. – Se alguém esta se perguntando, mesmo depois do que Shannon disse, sobre o por quê de estarmos dando a primeira aula juntas, deixem-me esclarecer: Teatro pode ser difícil, assim como a dança. Vergonha, medo de errar, de não ser o bastante, atrapalham o desempenho do aluno. E isso, é algo fora de cogitação, aqui. Vocês serão treinados para serem os melhores, e claro, de uma forma saudável. Futuramente, poderão trabalhar juntos, dividirem os palcos, isso vai depender do que acontece aqui dentro. E para os que ainda não captaram a mensagem, serei ainda mais direta. Só vai ficar entre nós, aqueles que são realmente bons no que fazem. E bem, peço a todos que se afastem do centro da sala. – virou-se de frente para os alunos, após a mensagem.

Deu alguns minutos para que todos fizessem o que tinha dito, e estivessem bem aquecidos para o que deveriam fazer em seguida, então voltou-se para o equipamento de som, apertando o play no controle. A melodia de Thinking out loud preencheu o ambiente silencioso, Dianna já se encontrava em sua posição, assim como Shannon.

When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet
Will your mouth still remember the taste of my love
Will your eyes still smile from your cheeks

De costas para Shannon, que tinha o rosto virado para o de Dianna, que estava da mesma forma, porém, em lado oposto, virou seu rosto para o da menina, mas logo desfez o gesto ao ser fracamente empurrada para frente. Em um movimento quase que robótico, a morena esticou o braço esquerdo, deixando-o levantado na altura de seu busto, fazendo um movimento ondulatório com ele, que repassou para seus ombros, e logo depois para o braço direito, que fora esticado, convertendo o movimento em uma puxada para frente, onde deixou ambos os braços próximos, passando o direito por cima do esquerdo, em direção ao lado oposto. Deixou de mover os braços, para impulsionar uma perna para frente, girando em torno do próprio eixo, e quando estava para parar, deslizou, parando em frente ao corpo de Shannon, que pôs as mãos em seu busto, tendo as de Dianna por cima das suas, mas, logo a loura retirou suas mãos, e o corpo de Dianna se reclinou em sua parte posterior lateralmente, de uma forma lenta, virando o corpo aos poucos, para estar um pouco mais de lado do lugar onde Shannon estava, lhe observando, mas logo deu passos para trás, ao dar as costas para Dianna, que esticou ambos os braços para frente, entrelaçando os próprios dedos uns nos outros, simulando um gesto de puxar as mãos para o lado, como se tivesse batido em algo, cedendo os joelhos, agachando-se um pouco, para subir em um pulo.

Darlin' I will be lovin' you
Till we're seventy
Baby my heart could still fall as hard
At twenty three

Ambas as garotas giraram os corpos, equilibradas apenas a cima de cada pé esquerdo de seus corpos, com pequenos pulinhos até estarem lado a lado. Entrelaçaram as mãos, olhando de esguelha uma para outra. Os olhares foram acompanhados de pequenos e justos sorrisos. Não era a demonstração de duas garotas que namoravam e estavam deixando isso explícito. Era a alma de duas personagens que se encontram com o desfecho da canção. Que se completam com a música. Duas artistas interpretando. Shannon virou o corpo, ficando de costas para Dianna, e em lateral para os alunos. Dianna fez o mesmo, deixando um curto espaço entre os corpos, para que executasse bem os movimentos seguintes: Colocou ambas as mãos na cintura da menina, e ergueu seu corpo do chão. A loura abriu os braços em forma oval, uma das pernas estando recolhida para dentro, como uma bailarina ficaria ao executar um giro. Ao ser posta no chão, a instrutora de teatro deu passos rápidos para frente, tendo Dianna a seu encalço. As duas ergueram o braço direito, fechando a mão em punho na altura do rosto, o braço esquerdo inclinado para trás, enquanto a perna esquerda tinha a parte da canela até o pé erguidos até a altura da dobra do joelho. Seus rostos estavam sérios, os corpos flexíveis e expressos. Dianna se aproximou mais um pouco, e juntas, fizeram um movimento de repuxar o braço direito para o lado, ondulando as mãos, e ao estarem voltando com ela, aguacharam os corpos, lentamente movendo-se para o lado esquerdo, lateralmente.

I'm thinkin' bout how
People fall in love in mysterious ways
Maybe just the touch of a hand
Me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you I am

So honey now
Take me into your lovin' arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud
Maybe we found love right where we are

Shannon pegou a mão esquerda de Dianna, e passou por cima de si, enquanto girava o corpo, erguendo uma das pernas, passando-a lateralmente em frente a seu próprio corpo, Dianna logo atrás de si, sem tirar os olhos da loura, que se abaixou em meio tempo, a morena repetindo sua ação, passando uma mão por dentro de sua coxa, tomando o devido cuidado para não tocar certa região, a ergueu do chão uma segunda vez, apoiando o restante do corpo ao lado esquerdo de seu ombro, enquanto ainda permaneciam com a outra mão entrelaçada. Deram alguns giros suaves, nada muito rápido para evitar uma tontura. Shannon fora posta no chão, e usando da mão entrelaçada a da instrutora de dança, a loira se aproximou, onde se encararam por alguns segundos. Dianna fora empurrada com um pouco de força para trás, onde andou com uma mão encostada no peito, sem tirar o olhar da parceira, que agora executava uma coreografia de baillet muito bem elaborada por ela mesma. Esticou um braço, erguendo uma das pernas ao se reclinar um pouco para frente, girando ao seu redor. Logo após girar, Shannon deu alguns passos para frente, deixando um dos pés mais a frente do corpo, passando o braço direito por sobre a cabeça, usando o esquerdo - que estava mais puxado de lado - para dar impulso ao corpo e se virar de lado, a mão direita em frente ao peito, enquanto ondulava o corpo em um movimento robotizado ligeiro. Dianna repetiu este último movimento do outro lado, a uma boa distância. Logo depois, as duas deram uma breve corrida, até estarem abraçadas. Shannon se soltara rapidamente, deixando Dianna sozinha, agora de costas para si, enquanto fazia novos passos dignos de uma verdadeira bailarina. Assim que esticou a perna esquerda um pouco para trás, Dianna fez o mesmo, e juntas, deram um pulo para a mesma direção, inclinando a parte superior do corpo um pouco para baixo, os braços esticados e em movimentação unilateral. Em devida circunstância, Dianna se agachou.

When my hair's all but gone and my memory fades
And the crowds don't remember my name
When my hands don't play the strings the same way (mm)
I know you will still love me the same

Cause honey your soul
Could never grow old
It's evergreen
Baby your smile's forever in my mind and memory

A loura passou a perna direita sobre o ombro de Dianna, que estava apoiada em apenas um dos joelhos. A morena se ergue, deixando Shannon se inclinar um pouco para trás, onde sua perna que estava no ombro da parceira fora passada para frente, onde Dianna a segurou pela cintura, deixando que Shannon erguesse pernas e braços para frente, e logo estava de volta ao chão. As duas se reclinaram para baixo, erguendo primeiro o braço esquerdo, depois o direito, em movimentos simultâneos e repetidos, enquanto iam subindo o corpo de volta. Ao estarem estabelecidas, Dianna ergueu os braços, ajudando Shannon a dar um giro, enquanto esticava uma das pernas, o pé quase chegando a sua cabeça. Ao soltá-la, a morena voltou a se abaixar, devagar. Sentaram no chão, dando impulso para o corpo ir para trás. Dianna se deitou, ao chegar no local devido, Shannon deixou uma mão de cada lado da cabeça da morena, dando uma "estrelinha" lenta, tendo o apoio da parceira, que segurava sua cintura, até que sentou sobre seu quadril. Dianna ergueu a parte superior do corpo, à vista do corpo da namorada. Sua concentração estava a um nível gama, onde nada lhe tiraria a atenção. Mas, ainda sim, era difícil controlar a parte instintiva, que certamente seria a de agarrar a menina ali. Porém, já era treinada. Sabia bem o dever de ir contra isso e o de mostrar aos alunos. Ficaram se encarando mais uma vez, enquanto Shannon segurava na nuca da morena, a boca rosada levemente entre aberta, enquanto Dianna a fitava com o semblante calmo, passivo e inofensivo. Apaixonado. A loura correu para o outro lado da sala, enquanto Dianna deu um mortal para trás, levantando, para logo correr em direção da menina, que pulou em seu colo, e juntas executaram um giro.

Baby now
Take me into your loving arms
Kiss me under the light of a thousand stars (oh darlin')
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud

Maybe we found love right where we are
Maybe we found love right where we are
And we found love right where we are


Dianna se deitou, deixando apenas a cabeça ao lado da de Shannon, que também fez a mesma coisa. A morena fixou ambas as mãos no chão, e virou as pernas para trás, sustentando o corpo com a força que tinha nos braços, aos poucos, colando-o ao da parceira. Resistiu ao impulso de beijá-la com certa facilidade, apesar da vontade enorme. Shannon impulsionou Dianna para ir para frente, onde ela se sentou, mas logo levantou, ajudando a loira, que correu para o lado oposto ao qual a morena tinha ido, mas logo aproximou-se, abraçando-a pelas costas. Dianna segurou uma de suas mãos, fazendo-a girar, bem ao fim da canção. A respiração estava agitada, o corpo coberto por uma fina camada de suor evidente. Assim que Shannon parou, lhe recebeu com um abraço apertado, roçando a ponta do nariz por seu pescoço, sabendo o que causaria. Se afastou, parando frente aos alunos.

A primeira tarefa, é fazer algo relacionado a expressão corporal. Mas, deverá ter sentimento envolvido. Pensem em algo forte, e nos demonstrem. Não é obrigado que seja uma dança, especificamente. Pode ser uma passagem de um texto, uma dramatização de alguma peça famosa, ou o que queiram fazer. – controlou a respiração, ditando sem pressa. – Vocês tem o prazo de cinco dias para fazer isso, e caso não o façam, ou não seja bom o suficiente, temo que a vaga de vocês será dada a outra pessoa que realmente queira estar aqui. Isso é tudo, pessoal. – sorriu fechado, as mãos de volta para trás do corpo.

Já estava ao fim da primeira aula, e minutos depois, o sinal estridente tocou, afirmando seus pensamentos. De um por um, todos foram saindo aos poucos. Restava apenas Dianna e Shannon ali dentro. Virou-se para a loura, um sorriso peculiar para ambas no rosto da menina morena. Tomou a mulher pela cintura, dando-lhe um verdadeiro beijo digno de uma música daquelas. Intenso, expressivo.

A garota ansiosa para dançar comigo me surpreendeu. Achei que ela não estaria pronta, mas esteve muito mais que isso. – brincou, rebatendo ao comentário da namorada de quando estavam ensaiando em casa. – Vamos, temos outras aulas, mais algum tempo aqui, e eu vou te atrasar pelo dia inteiro. – mordiscou seu lábio inferior, entrelaçando as mãos.

Pegaram seus pertences no escritório, indo para fora da sala, ao vestiário. Precisavam se preparar para as aulas restantes do dia, ou Dianna realmente tinha planos de fazer Shannon ser punida - e também ser - por faltar alguns horários do primeiro dia de aulas.


Maybe we found love right where we are


PS: Para quem achar mais fácil acompanhar a coreografia por um vídeo, aqui esta:

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Re: {DR} First Class - Theater and dance

Mensagem por Nathaniel W. Sibley em Qua 17 Jun 2015 - 21:02




If this would be a perfect world
We'd be together then
Only got just one life this i've learned
Who cares what they're gonna say
I wanna dance, and love, and dance again
I wanna dance, and love, and dance again
All Rights Reserved for Flawless
Dança. Era uma forma de se expressar que eu prezava, uma arte, uma espécie de adição às minhas aulas de ginástica do colégio anterior no qual cursei. Sempre havia gostado da música, da dança e de seus movimentos expressionistas. Os filmes, as séries de televisão, tudo sempre foi sedutoramente incrível e envolvente, trazendo um novo Universo aos meus olhos, uma nova espécie de experiência que você não via facilmente nas ruas de seu bairro. Você aprendia, você estudava, basicamente, enriquecendo seu intelecto, afinal meu grande gosto por livros se iniciou pelos famosos filmes "cult" na televisão e séries similares. Então, quando me registrei na Newtt McKinley, automaticamente procurei por estas duas aulas. Me registrei em Dança, fazendo Atuação como matéria secundária, além de ter me interessado por Música. Ainda era algo novo para mim; andar pelos corredores de um local que você não vê faz certo tempo, mas logo eu recuperaria o gosto pelo McKinley, talvez demorasse, mas chegaria este dia. Andava sem livros ou bolsas; não havia tais requerimentos e exigências para uma aula onde unicamente precisaríamos de nossos corpos como forma de expressão.

Abri a porta observando o ambiente ao meu redor, fitando-o do teto ao piso anti-derrapante, que nos pouparia de tombos desnecessários e escorregões memoráveis. Havia, além de mim, nove outros jovens alunos, formando uma perfeita linha semi-circular de frente para a professora de atuação, juntamente com a de dança. Eu conhecia ambas, Shannon Kempner e Dianna Ohlweiler. Shannon caminhando lentamente ao nosso redor, começou a introdução à aula explicando a essência da atuação, que era a de conhecer o espírito humano e transmitir histórias através da expressão física ao caminhar, ao andar, ao olhar, ao falar, e ela explicava, clara como cristal, sobre os extremos da atuação; tínhamos a capacidade de chorar ou rir. Atento, fitei cada passo que ela dera, absorvendo tudo o que ela dizia, anotando mentalmente que precisaria sempre recordar-me dessas lições. Ela nos saudou, explicando que aquela era uma aula importante, unindo ambas as modalidades - dança e atuação, a qual eu havia matriculado-me em ambas. A surpresa não se fez presente quando ela comentou nosso primeiro assunto do ano; expressão corporal. Como eu vim pensando pelo corredor vindo para cá, a expressão corporal é simplesmente o cerne da atuação e da dança, como uma teia de aranha; resistente, porém ainda sim com sua sensibilidade, desfazendo-se se inteiramente caso um único fio for retirado da teia - neste caso, uma falta de ação/expressão pela parte do ator/dançarino. Me senti um pouco melhor por saber daquilo.

Ouvi-a explicar-nos que a expressão corporal é uma forma de comunicação rústica, antiga e primordial, comprovada até mesmo pelos cientistas, na época onde a fala nem existia dentre os homens das cavernas. Pensei no Egito, onde todos apreciavam sempre boas músicas, ou nos tempos medievais, onde canções eram feitas homenageando os bons cavaleiros e guerreiros, os nobres reis e rainhas e seus atos corajosos e que faziam tais fatos prevalecerem na história do mundo. Gesto, postura, expressões faciais, pontos essenciais do corpo; tudo isso era uma poderosa ferramenta para um ator, ressalvou Shannon, totalmente compenetrada no assunto, ao lado de uma quieta e complacente Dianna. Não sabia dizer se era apenas admiração ou um real reconhecimento da forte personalidade tão fixa de Dianna, mas quando ela começou a falar minha atenção se atentava a tudo que saía de seus lábios. Sincera, ela comentou que nada seriam flores, que aquilo era uma avaliação principiante, que muitas viriam. Sua pergunta se fez ecoar na minha mente. Eu era nervoso, não tinha muito controle quando ficava nervoso, mas na dança eu podia extravasar toda a minha raiva, todos os meus pensamentos.

Eu havia extravasado na dança toda a minha raiva e angústia num dos momentos mais difíceis de minha vida antes, eu sabia bem responder a pergunta de minha professora barra amiga. Shannon havia sido profissional, como eu recordava-me bem quando eu havia conhecido-a no acampamento um ano atrás, e continuava da mesma forma, ao passo em que a sinceridade de movimentos e falas de Dianna eram totalmente condizentes com sua personalidade.

"Por quê vai existir um momento, em que vocês terão de enfrentar a única coisa que se é praticamente impossível de controlar. Suas emoções. Não importa o quão bom ator ou atriz você possa ser. Treinar a expressão do corpo é algo de suma importância. Você aprende a dominar suas emoções, a transformá-las."

Engoli em seco, tentando não associar a frase à minha vida pessoal, tomando o conselho como um simples conselho escolar, como parte formal da aula e uma nota da professora para a dança/atuação naquela sala. Dianna não parava muito tempo no mesmo local, podia perceber uma pequenina ânsia da mesma em começar logo uma demonstração de sua impecável mobilidade na dança? Sorri comigo mesmo, enquanto ouvi-a comentar sobre as aulas, sobre relaxarmos, então tomei a liberdade de vê-la encerrando comentando que só ficariam ali os realmente bons, então sentando-me eu no chão e cruzando as pernas em posições de lótus, inclusive pensando numa dança. Eu improvisaria, logicamente. Mas precisaria de uma boa música, que transparecesse tudo que eu sentia, mas o quê eu sentia? Uma verdade congestão de sentimentos, mas também uma abundante e infindável vontade de amar Adryan e receber amor de volta. E lógico, eu queria dançar. Bastante!

O que se prosseguiu após o findar do discurso de Dianna foi de longe a coisa mais perfeita que eu já vi. Shannon não era apenas uma boa atriz e professora, como também dançarina. A música era linda, romântica, e elas expressaram algo que eu sabia que realmente existia entre ambas. Fiquei boquiaberto com os fluidos movimentos, por um momento sentindo uma pontada de tristeza. Sim! Tristeza; como eu chegaria a um nível tão colossalmente grandioso de dança como aquela? Mas logo me relembrei que éramos todos alunos, deveríamos manter o equilíbrio emocional, e para minha sorte sempre fui privativo e fazia a linha "rei do gelo", sempre quieto e sem demonstrar emoções, quase como se elas pudessem virar armas postas na minha testa. Podia ser loucura, mas o que era visto como insensibilidade e frieza, eu via como um poderoso autocontrole e uma ótima ferramenta para atuação. Ao findar da coreografia de ambas, Dianna comentou que nossa primeira tarefa era expressarmos nossos sentimentos, algo relacionado a tarefa. Mordi o lábio inferior. O que eu poderia fazer? Ela então nos dispensa, pois precisaríamos de tempo. Mas como sempre fui apto a improvisar, eu não treinaria, apenas iria improvisar na hora, ver o que poderia sair.

No dia seguinte, abri um sorriso para ambas, aproximando-se delas. Dei um passo à frente, erguendo o queixo e estreitando os olhos, sem esboçar sorrisos. Assenti e então pus as mãos na cintura, olhando para o aparelho de som. Retirei de minha calça confortável e própria para rápidos movimentos um celular, pondo na música correta. Ao iniciar da canção, o toque suave eletrônico iniciava, enquanto as batidas começavam a surgir, eu batia o pé direito acompanhando o pequeno verso de Pitbull, até começar o verso da artista.

Nobody knows what i'm feeling inside
I find it so stupid
So why should I hide
That I love to make love to you baby
(yeah make love to me)
So many ways wanna touch you tonight
I'm a big girl got no secrets this time
Yeah I love to make love to you baby
(yeah make love to me)

Na primeira estrofe meu braço esquerdo circundou minha cintura, como num abraço próprio, meu olhar era fixo em uma pessoa invisível, nas duas estrofes seguintes meus quadris foram para a direita e foram para a esquerda, meu braço ergueu-se e em "That I love to make love" minha mão esquerda pousou em meu rosto, descendo em meu pescoço, peitoral e parou na cintura, com ambas as mãos ergui-as e dobrei os joelhos, rebolando e baixando-me quase encostando o bumbum nos calcanhares, e em "Yeah" subi de uma só vez, pus a mão direita com a palma para baixo, abrindo um sorriso de canto de rosto.

If this would be a perfect world
We'd be together then
(let's do it do it do it)
Only got just one life this i've learned
Who cares what they're gonna say
(let's do it do it do it)

Na ponte próxima do refrão, ergui a mão direita para o alto, abrindo-a e rebolando com os quadris e pondo a mão esquerda em meu peitoral, fechando os olhos, enquanto meu pé direito batia no chão de acordo com a canção e suas batidas. Girei o corpo ficando na ponta dos dedos, duas vezes, ao seu findar jogando-me ao chão e, de joelhos, ergui o dedo do meio em "Who cares what they're gonna say", um sorriso um tanto quanto cínico no olhar, rapidamente pondo-me de pé e batendo com as palmas abertas no ar na última estrofe antes do refrão.

I wanna dance, and love, and dance again
I wanna dance, and love, and dance again


O refrão era absurdamente arrebatador, a vontade era de dançar sem ordem ou coreografia improvisada, entretanto a vontade de me sair, no mínimo, razoavelmente aceitável era maior, o que me fez abrir um leve sorriso e ficando na ponta dos pés girei para trás. Fazendo um coração com as mãos ao findar da primeira repetição do nome da canção, erguendo os dedos indicadores e ainda na ponta dos pés sacudindo os quadris ao findar de cada repetição, terminando pondo as mãos em minha cabeça, girando-a e pendendo-a para o lado esquerdo, quase que roboticamente.

Baby your fire is lighting me up
The way that you move boy is reason enough
That I love to make love to you baby
(yeah make love to me)
I can't behave
Oh I want you so much
Your lips taste like heaven
So why should I stop?
Yeah I love to make love to you baby
(yeah make love to me)

Ao iniciar de uma nova parte da canção, voltei com a postura normal, minha cintura ia para os lados e eu deixava meu corpo rebolar e passava lentamente a mão por sob meu corpo, terminando "That I love to make love" erguendo a mão, mordendo o lábio inferior. "Oh I want you so much" deixei meus lábios entrabrirem-se, erguendo a cabeça para o alto e com as mãos na cintura, continuei com o gingado, subindo e descendo os quadris e abrindo as pernas, quebrando com apenas o lado direito de meus quadris e girei o corpo, abraçando a mim mesmo rapidamente.

If this would be a perfect world
We'd be together then
(let's do it do it do it)
Only got just one life this i've learned
Who cares what they're gonna say
(let's do it do it do it)

Ergui meu ombro esquerdo, descendo e subindo-o a cada batida, fazendo o mesmo com o direito a partir de "let's do it", seguidamente indo com o corpo para a frente e para trás, porém da cintura para baixo sem mover os quadris, valendo-me de minha cintura.

I wanna dance, and love, and dance again
I wanna dance, and love, and dance again

Dei um mortal para trás no refrão. Sim, eu fazia ginástica antes de vir para cá, e até mesmo cheguei a ser animador de torcida. Ergui as mãos para cada direção, rebolando ao refrão e avançando na ponta dos dedos, indo com a cintura da esquerda para a direita e por fim rebolando, descendo até ficar basicamente agachado, subindo novamente e girando para a esquerda e depois para a direita. O refrão cessou, as batidas continuaram junto da melodia e logo a mesma cessava.

- Eu considero essa música a mais apta a descrever meus sentimentos atuais, além de ser uma ótima forma de ficar por cima e com um ótimo astral... - comentei, ofegante, pegando uma toalha branca oferecida por algum dos outros alunos e esfregando-a pelo rosto. Dei de ombros. - Enfim, espero que tenham agradado-lhes. - Olhei para ambas as professoras nervosamente, dando de ombros. Éramos apenas nós três, e até minha respiração me parecia ameaçadora. Será que me saí bem?

____________________

Sibley
Been trying hard not to get into trouble, but I, I’ve got a war in my mind, So, I just ride

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Re: {DR} First Class - Theater and dance

Mensagem por Allyria Spohr Miquilini em Qua 24 Jun 2015 - 21:57



The girl who never cried again, and he never forgot what he'd learned
Earned It;

O dia clareava à madrugada, ou talvez podia-se dizer que a madrugada já se tornava dia. Allyria passou as mãos sobre os fios de cabelo de maneira superficial, tornando-o um coque desajeitado. Suas manhãs monótonas. Caminhou para fora, para o banheiro, jogando um pouco de água no rosto e em seguida escovando os dentes, pensou duas vezes antes de tomar banho, já que o frio lhe atacava ao longo do dorso, mas o fez, deixando o corpo com o passar de minutos com cheiro de ervas. Ao quarto vestia um daqueles conjuntos sem jeito que sempre usava, já pensando em seu decorrer do dia. A calça saruel preta lhe cairia bem durante as danças, e foi exatamente o que vestiu, acompanhada de um cropped branco com a palavra “Boy” estampada a seus seios. Seria assim que passaria toda sua manhã. Era sua volta as aulas e não dizia-se por ansiosa, apenas com um pouquinho de enjoo ao pensar que estaria saindo das férias outra vez e demoraria “séculos” para estar nelas novamente.

Correu o corpo para fora de casa, mas quando pode reparar já estava estacionando à escola sem muito tempo. Correu pelos corredores sem prestar atenção em qual fosse a quantidade de olhos que a seguia, queria se localizar outra vez ali dentro, estava perdida, não que não se recordasse dos momentos no Newtt, porém não se encontrava a seu respectivo horário de aula. Caçou no mural de avisos mais próximo, qual se tornaria a próxima aula, onde sem mais ou menos começaria o dia exatamente com sua arte. Dança. Dianna seria a garota responsável por essas aulas.


● ● ●


Havia cacos em seus sapatos.

Estavam todos de par quando se deixava ao balanço da música. Eram dez, exatamente dez com a sua presença. Não precisou muito de esforço para conseguir identificar alguns daqueles rostos, porém nem todos eram veteranos como esta. Em pouco momento estavam diante a professora, que como todos, realizava seu discurso de boas vindas e outras apresentações quais fosse. Não ousou interrompe-la, mas sentia o sono lhe atacar firmemente ao querer abrir a boca, não o fez, mas desejou. Juntou as mãos ao redor do corpo, gélidas, como se estivesse passando frio, porém não estava, muito menos podia senti-lo em uma sala tão cheia de corpos quentes.

Moveu a estrutura imitando o da morena a direita, podia sentir o gosto da dança ao vê-la dançar, algo não muito diferente que se encontrava em Ally. Com emoção a garota mexia, como outros não faziam, talvez por falta de interesse, talvez por um esforço grande, ou até mesmo por desanimo. Seguia os passos de forma lenta ao inicio, em seguida na mesma velocidade e à mesma ferocidade que qualquer outro poderia atingir.

Darlin' I will be lovin' you
Till we're seventy
Baby my heart could still fall as hard
At twenty three

A música como um pequeno eco soava em sua cabeça, transformando-a em pequenos pensamentos e aos poucos parecia ter lembranças. Queria senti-la, queria senti-la como se fizesse parte de seu passado.



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Re: {DR} First Class - Theater and dance

Mensagem por Hyu P. Winter em Ter 21 Jul 2015 - 16:23

Actor?
Quando os dias passam diante de seus olhos e você não sabe onde está o controle remoto para pausar.  

Em comparação a sua antiga escola, Winterfield, a Newtt era completamente diferente. Pessoas conversavam livremente, andavam livremente e até dançavam por aí ensaiando para aulas ou coisa do tipo - pelo que ele pôde ouvir ao deixar o carro de sua mãe e adentrar na construção.

Aquela seria a sua primeira aula em sua nova escola, graças a sua psicologa que insistira bastante para ele estar ali. Hyu não se considerava agressivo e muito menos hiperativo, mas, para o bem de sua mãe, tinha de estar ali e fazer a tal "terapia" em forma de aula com outros alunos. A princípio ficou um tanto perdido, mas, após perguntar a alguns funcionários, descobriu onde era a sala de dança. No começo achou estranho, sempre pensou que aulas de teatro fossem acontecer em um auditório ou algo do tipo, mas continuou andando até o seu destino.

***

A sala realmente era bonita, elegante e bem estruturada. Tinha o piso de mármore e vários espelhos distribuídos pelas paredes. Quando adentrou o local, um tanto tímido, o garoto percebeu que duas garotas - com a sua idade, aparentemente - estavam em um canto da sala, em pé, enquanto os outros alunos que entravam iam sentando-se. Elas vão dar aula? pensou o garoto, um tanto confuso. Sem dar um intervalo, a loira começou a falar ao perceber que todos já estavam acomodados.

— Atuar requer um conhecimento do espírito humano e do ator o poder de transmitir ao público, uma dita história, de forma bela e verdadeira, através do caminhar. — Embora aparentasse estar nervosa, a voz da loira saiu suave enquanto ela andava pelo tablado. — Do olhar, do falar. — Enquanto falava, expressava em seu corpo as palavras, tal como uma sombra faz quando um corpo se põe frente ao sol. —  E principalmente da expressão. O ator vive todas as vidas, existentes ou não, e tem o poder de rir e chorar todos os extremos.

Então ser ator era ignorar-se por completo ao subir no palco? Era como ser uma pessoa totalmente diferente, que nem mesmo o eu conhecia... Hyu ignorou seus pensamentos quando a garota voltou a falar.

— Sejam bem-vindos a primeira aula de atuação do ano. Vocês devem estar se perguntando o que exatamente estão fazendo aqui, então tirarei essa dúvida antes mesmo que ela seja verbalizada. — Ela deu uma pequena pauso os observando antes de continuar. — Como puderam perceber, eu e a senhorita Ohlweiler tomamos a liberdade de unir ambas as classes para uma aula um tanto quanto importante para as duas modalidades. — Então elas eram mesmo as professoras? Não... Pareciam mais monitoras. — Expressão corporal.— A loira sorriu e continuou, era bem simpática pelo visto. — A incrível arte de comunicar-se com outrem, sem o uso da linguagem falada, que existe antes mesmo de suas tataravós pensarem em nascer. Abrange a postura, gestos e expressões faciais, pontos essenciais para quem tem em mente ser um bom dançarino ou ator. E, como bônus, te faz um excelente jogador de Imagem e Ação.

A introdução parecia estar chegando ao fim, ou pelo menos fora esse o pensamento de Hyu até que a morena, pela primeira vez, começou a falar e parecia menos simpática, ou melhor, mais direta.

– Antes de mais nada, gostaria de dar as boas vindas à todos. — Falou a jovem, observando-os. —  Também deveria dizer, que fizeram ótimas escolhas, mas não ficaram apenas por isso. — Deu um sorriso fraco.  

Como em uma decisiva partida de basquete, Hyu ficou nervoso com o que viria a seguir.

— As coisas aqui na Newtt podem ser complicadas. Vocês precisam saber o que estão enfrentando, e para isso, passaram por diversas avaliações. Esta, é apenas a primeira. Todos aqui conhecem a si mesmos? Tem controle do próprio corpo ou se deixam levar pelos instintos?

Hyu engoliu em seco ao lembrar-se do carro do treinador da escola adversária, totalmente arrebentado e ao seu lado ele, com um taco de baseball em mãos. Tinha se deixado levar pelos instintos e comportara-se como um verdadeiro animal naquela noite.

— Expressão corporal é algo bastante complexo. Você pode se conhecer, ter controle, mas não saberá reagir aos seus instintos. Por quê? — Toda aquela conversa estava ficando desconfortável e o garoto queria levantar-se e partir. Não podia. — Por quê vai existir um momento, em que vocês terão de enfrentar a única coisa que se é praticamente impossível de controlar. Suas emoções. Não importa o quão bom ator ou atriz você possa ser. Treinar a expressão do corpo é algo de suma importância. Você aprende a dominar suas emoções, a transformá-las.  

Ele conseguiria fazer isso? Ou, será que fora justamente por isso que sua psicologa o mandara para ali? O garoto começava a entender e não gostar muito da ideia.  

— Vamos começar. Quero que cada um se sinta confortável, primeiramente. Depois, façam alongamentos. O corpo de vocês precisa estar relaxado, para evitar a propagação de futuras dores musculares. Não que isso irá evita-las, só não deixará tantos locais doloridos. — Finalmente algo real, ele queria sentir seus músculos se contraindo depois de tanto tempo parado, sem treinar. — Se alguém esta se perguntando, mesmo depois do que Shannon disse, sobre o por quê de estarmos dando a primeira aula juntas, deixem-me esclarecer: Teatro pode ser difícil, assim como a dança. Vergonha, medo de errar, de não ser o bastante, atrapalham o desempenho do aluno. E isso, é algo fora de cogitação, aqui. Vocês serão treinados para serem os melhores, e claro, de uma forma saudável. Futuramente, poderão trabalhar juntos, dividirem os palcos, isso vai depender do que acontece aqui dentro. E para os que ainda não captaram a mensagem, serei ainda mais direta. Só vai ficar entre nós, aqueles que são realmente bons no que fazem. E bem, peço a todos que se afastem do centro da sala.

Ele obedeceu o que a jovem disse, e, com o o auxílio das barras, começou a alongar as pernas de forma que ficassem esticadas em apoio as tais barras. Com isso, levou todo o seu tronco em direção a elas, abraçando-as. Direita, esquerda. Em seguida, ergueu a perna dobrada de encontro ao peito, fazendo o mesmo com o lado de trás, puxando o calcanhar até próximo a bunda. Esquerda, direita.

Após isso, tinha de alongar os braços. Levou-os em direção as costas, puxando-os e sentindo os músculos latejarem, sentiu-se vivo. Então ouviu a música tocar, virou-se para ver o que viria a seguir.

O garoto não soube ao certo identificar qual a música que estava tocando, no entanto, o contraste que as duas garotas tinham uma com a outra era impressionante. Pareciam duas e em momentos depois, apenas uma. Eram como as águas de uma cachorreira, descendo por entre as pedras e indo se encontrar no leito do rio. Todos os passos eram feitos com tanta maestria que o fizeram pensar que elas faziam isso juntas a muito tempo, anos talvez e, sem perceber disse um Uau!, baixinho e de forma que ninguém o ouvisse.

— A primeira tarefa, é fazer algo relacionado a expressão corporal. Mas, deverá ter sentimento envolvido. Pensem em algo forte, e nos demonstrem. Não é obrigado que seja uma dança, especificamente. Pode ser uma passagem de um texto, uma dramatização de alguma peça famosa, ou o que queiram fazer. Vocês tem o prazo de cinco dias para fazer isso, e caso não o façam, ou não seja bom o suficiente, temo que a vaga de vocês será dada a outra pessoa que realmente queira estar aqui. Isso é tudo, pessoal.

A aula havia acabado. Cinco dias! Isso era muito pouco! O garoto começou a se desesperar, internamente, claro. Nunca fora íntimo das artes, mau sabia como dançar e não era bom ator, nem de longe. O que ele faria? Caso não o façam ou não seja bom o suficiente, temo que sua vaga será dada a outra pessoa... Talvez ele não se importasse com aquilo, não de verdade mas, e sua mãe? O que ela falaria para ele se ele a decepcionasse novamente? Cinco dias, ele tinha de pensar em algo, rápido!

***

Quando chegou em casa e viu sua mãe adormecida no sofá, sorriu. Aquela era a certeza que tinha de que conseguiria fazer o que as professoras o requisitaram. Ainda não sabia muito bem como, mas, de alguma forma, ele faria, afinal de contas, tinha de fazer para que fosse aceito e, principalmente, para não decepcionar sua mãe. Subiu feito um foguete para seu quarto e ali se trancou, jogando sua mochila para um lado e a camisa que vestia para outro.

Em sua última gaveta, dentro de um fundo falso, encontrou uma pequena garrafa de vodka e tomou um gole, pensaria em algo e tinha de ser rápido.

Após secar a garrafinha de bebida e não ter pensado em nada, o garoto se deitou em sua cama e ficou observando o teto branco acima de si. Por que ele era tão inútil? Se conseguisse se controlar não estaria passando por isso, talvez fosse a hora de tentar faze-lo.

primeiro dia...

Com força e impaciência, o garoto se sentou na cadeira e pegou um antigo caderno seu, contendo anotações de suas antigas escolas e poucas lembranças de seus velhos amigos. Se ele sentia saudades dessa época? Talvez, mas não sabia se era seguro demonstrar para si mesmo, podia se sentir... Fraco.

Tentando limpar sua mente, ele começou a escrever coisas que achava que expressavam seus sentimentos, poemas ou músicas, desenhos ou mensagens. Qualquer coisa.

"Sempre olhar o céu, sem nada de bom para ver..." "...e quem sabe eu seja a própria chuva..." "Não me lembro de ter feito de mim o próprio inferno" "Por que tenho que provar para alguém que a amo? Ela deveria saber disso!"

Apenas papéis e mais papéis jogados em sua lixeira, eram apenas coisas melancólicas ou sem sentido e que nem mesmo ele entendia. Será que sua cabeça estaria tão bagunçada quanto aquelas frases no papel?

segundo dia...

Escrever não estava em seus planos, afinal de contas, não havia conseguido nada de interessante. Passou um tempo pensando no que a morena falara, ele poderia tentar interpretar algum papel famoso, como Rocky Balboa, por exemplo, levaria sacos de pancada ou carnes cruas e daria socos, era fácil... Até pensar onde encontrar carnes daquele tamanho, ideia descartada.

Poderia interpretar o Exterminador do Futuro, era só comprar uma lente vermelha e um... Deixa para lá, não daria certo. O que mais então? Séries da disney? Animes? Jogos? O que ele interpretaria?

Em um pequeno excesso de raiva por não conseguir pensar em nada, ele jogou um copo na parede e sentou-se em sua cama, com chateado. Ninguém veio saber se ele estava bem, era comum esse comportamento e todos sabiam que ele precisava ficar sozinho. Sozinho!

Tinha de fazer algo que remetesse a questão de ficar sozinho, afinal de contas, era apenas isso que ele sabia fazer, e sabia fazer muito bem. Agora precisava de algo que simplesmente lacrasse isso. Pegou o seu computador e começou a pesquisar, até adormecer sem perceber o que estava fazendo.

terceiro dia

Após retomar suas pequisas do dia anterior e tentar encontrar algumas músicas para cantar, Hyu ficou contente em ver que algumas faziam o seu estilo, tal como Bloom. Mas, ele conseguiria cantar tal música? Resolveu pesquisar um pouco sobre ela, tentar ver o que conseguiria fazer com a letra daquela canção.

Os acordes eram fáceis de se acompanhar com a voz, e até que não ficava tão ruim. O garoto então pegou o antigo violão de seu pai e começou a dedilhar acompanhando o ritmo da música...

In the morning when I wake
And the sun is coming through,
Oh, you fill my lungs with sweetness,
And you fill my head with you.

Era o que ele queria sentir, mas não podia. Por estar sozinho. O garoto suspirou e continuou a dedilhar todos aqueles acordes, cantando a música com a voz calma e lenta, tal como se houvesse todo o tempo do mundo para aquilo, talvez realmente houvesse.

Quando terminou, sorriu para si mesmo. Tinha conseguido.

quarto dia, o dia.

Hyu acordou cedo naquele dia, seus dedos estavam doloridos por tanto ensaiar no dia e noite anteriores, estava ansioso e não sabia de fato o porquê. Vestiu-se com uma camisa roxa e jeans, calçando um tênis preto qualquer. Quando olhou-se no espelho percebeu que sua barba estava grande e por fazer, mas não se importou, aquelas eram marcas do esforço que havia feito para encontrar algo a apresentar.

Pôs o violão de seu pai dentro da capa e desceu as escadas apressado, sua mãe estava na cozinha pegando suas coisas para sair.

— Não vai comer nada? — Ela perguntou, escondendo um sorriso ao ver o interesse do filho.

— Sem fome. Vamos? — Disse ele.

Ela deu de ombros e em poucos minutos ele se viu dentro do carro, a caminho de sua nova escola. Aqueles foram os minutos mais demorados de sua vida.

***


Algumas pessoas estavam sentadas no chão do lado de fora da sala, aviam chegado mais cedo que ele e aguardavam sua vez para entrar e se apresentar. Ao todo eram umas três, duas meninas e um garoto. Hyu sentou-se no chão, ao modelo dos outros, e aguardou pacientemente sua vez, vendo um por um os garotos entrarem na sala e saírem.

Então, chegou sua vez.

O jovem levantou-se e lentamente se dirigiu para o interior da sala, pegando um banquinho de pernas altas e tirando o violão da capa para apoiá-lo sobre a coxa, olhando para as garotas com um certo frio na barriga, que de longe era algo ruim. A sensação o lembrava o início de uma partida de basquete, onde não sabia-se o resultado final mas tinha-se esperanças.

— Procurei algo nas palavras, não consegui escrever. Tentei pensar em algum filme mas... Todos envolviam punhos, armas e etc... Queria algo que pudesse me identificar, no início. Como, sei lá, basquete. Mas achei fútil... É algo que gosto, mas não o que sou.

Ele então encarou o chão por uns instantes e olhou para o instrumento em seu colo. Pôs os dedos no primeiro acorde e começou a dedilhar. Seus olhos fechados e a cabeça mexendo-se lentamente no ritmo que seus dedos produziam a melodia.

Sua voz então saiu fraca, com medo e receosa, a melodia a acompanhando. Como um pássaro que vê seus companheiros voarem livres e sente-se triste por não conseguir ter forças para abrir as barras de sua gaiola. Como querer ficar com alguém mas não conseguir admitir para si mesmo e desistir de uma ideia por medo de tentar.

Mas, a cada acorde sua voz começou a ganhar um pouco mais de força, tal como se o pássaro ao ver que não perderia nada se tentasse, começasse a forçar as barras para abrir a gaiola. O refrão mexeu com Hyu de forma que sua mão tocou violentamente nas cordas de aço, ampliando o som, rompendo as grades de sua gaiola.

E, no final, o pássaro percebeu que as asas estavam atrofiadas. De que adiantava estar livre se não poderia voar?

Hyu suspirou e tocou pela última vez nas cordas, fazendo com que o som ecoasse pelo local até morrer aos poucos.

Funebribus

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─ I WANT YOU TO MAKE ME FEEL. LIKE I WAS ONLY BOY IN THE WORLD.

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