SONDERBURG, Arthur

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SONDERBURG, Arthur

Mensagem por Arthur B. H. Sonderburg em Qua 17 Jun 2015 - 2:26


Arthur

─ Nome Completo:
Arthur Bartholomew Holstein Sonderburg

─ Idade:
17

─ Escola:
Winterfield Academy

─ Grupo:
Esportistas

Personalidade:

A principal característica que define Arthur é a sua necessidade de independência e autonomia. Algumas vezes esse traço de sua personalidade pode ser confundido com rebeldia, mas não o é; ele consegue, algumas vezes, aceitar ordens e conselhos, só não admite ser controlado e que suas vontades sejam ignoradas. Ele não é orgulhoso ao ponto de ignorar o bom senso, complicado mesmo é fazê-lo enxergar que um senso externo e contrário ao seu é o correto.

Mesmo que tenha conquistado muita coisa por conta própria, o grego é mais inseguro do que demonstra. Lutou muito para manter suas emoções sob controle, a tal ponto que quando não está bem é difícil que se sinta à vontade para demonstrar. Além disso, se tem uma coisa que ele aprendeu com os erros é a ser menos cabeça dura e mais cauteloso, o que o leva a ser receoso. Tem trabalhado em não deixar que seu desejo por autonomia se confunda com impulsividade.

É sério, centrado, mas não mal humorado. Leva a vida com certa leveza, aproveita os bons momentos e se esforça ao máximo para não extrapolar. Sorrisos contidos, um jeito mais introspectivo. Mas quando encontra alguém que o cative, pode apresentar o completo contrário. Sua maturidade pode dar lugar a um jeito muito mais brincalhão e relaxado.

Por fim, é difícil abalar as emoções dele. É um garoto feliz, calmo e paciente. Ama experimentar sensações novas, mas tenta ao máximo fazer isso com serenidade. Esta é uma das características mais conscientes que carrega, é fruto de esforço e crescimento próprios.


História:

Minha história, creio, começa na Grécia, onde meus pais se conheceram quando ainda eram adolescentes. Ambos estavam em viagens de férias com a família e não trocaram nada além de olhares. Três anos depois coincidentemente se reencontraram em sua terra natal, a Alemanha, e começaram a namorar. Depois de formados – Albert em história e Amélie em direito – decidiram ter uma vida nova, em um local diferente de Berlim e lembraram-se do país em que se viram pela primeira vez, com sua carga histórica perfeita para meu pai e a modernidade da capital que poderia oferecer oportunidades à minha mãe. Para seus pais parecia uma mudança insólita, mas mesmo assim arrumaram as malas e partiram para Atenas.

Minha mãe, entretanto tinha problemas para engravidar, as tentativas simplesmente não davam certo. Naquela época, uma inseminação artificial era mais cara e complicada do que hoje em dia, então a única opção era buscarem o método natural, que não oferecia resultados. A última gravidez em especial foi mais destrutiva porque minha mãe sofreu um aborto natural aos sete meses - seu útero sofrera danos sérios, só não maiores que os efeitos que isso causou em sua mente -, o que fez com que os médicos recomendassem que eles evitassem ao máximo qualquer outra tentativa para preservar a saúde da minha mãe. Foi então que eu surgi.

Parece injusto mentir para uma criança, mas até que eu tivesse o mínimo de maturidade para compreender a verdade, eles contavam que me encontraram nas ruínas de um templo antigamente dedicado à deusa Atena, dentro de uma cesta e com uma carta em que alguém dizia não ter condições de cuidar de mim e por isso me deixou no templo, um ponto turístico onde eu facilmente poderia ser encontrado. É uma história linda e poética, eu seria um presente dos deuses. As ruínas são muito mais lindas que a lata de lixo onde eu realmente fiquei durante dias. A cesta e as cobertas seriam mais quentes que os pedaços finos de pano que me envolviam e tentavam me proteger do outono europeu e seria legal se houvesse uma carta explicando as razões que levaram minha mãe biológica a literalmente me jogar no lixo. Ainda que seja uma parte complicada e ainda confusa da minha história, eu evito pensar no assunto, definitivamente a mulher que me trouxe ao mundo tinha suas razões para não me querer e isso raramente me afeta. Mesmo porquê é provável que ela tenha inconscientemente me feito um favor. Meus pais são pessoas incríveis.

•••

Meus olhos estudavam cuidadosamente as feições daquele ser pequeno e encolhido no colo da minha mãe. É difícil dizer tudo que se passava na minha mente pois tinha só três anos e me recordo de poucos detalhes, mas a primeira coisa que disse sem dúvida foi bastante interessante.

- Ele é realmente muito... – eu olhei para o rosto do meu pai, que parecia ansioso pela minha reação - ...hm, bem, feio. – meu pai franziu a testa diante da minha sinceridade. – Ele é muito pequeno, a pele dele é muito rosa e ele tem um rosto... – estudei durante alguns segundos como definir sua face – esmagado. – parecia ser a palavra mais adequada.

Minha mãe, felizmente, riu.

- Você era exatamente assim quando te encontramos, filho. Ele, assim como você naquela época, é muito novinho. Em alguns meses ele deve ganhar peso e tamanho, sua pele deve ficar com uma cor mais normal e o rosto dele vai se tornar – ela riu antes de completar – menos esmagado, até fofo.

Eu soltei um “hm” longo e assenti.

- Isso tem nome? – meus pais riram.

Minha reação àquele novo membro da família não foi exatamente negativa, foi apenas surpreendente. Para mim era estranho ter mais alguém com quem dividir a atenção dos meus pais e talvez fosse pensando nisso que quando decidiriam ter um segundo filho preferiram que ele também fosse adotado, talvez temessem que no futuro eu pudesse me sentir deslocado pensando que eles o amariam mais do que a mim caso meu irmão mais novo fosse seu filho de sangue. Além, é claro, de uma adoção evitar todo o estresse pelo qual eles já tinham passado antes de me encontrarem.

- Ele se chama Friedric. – minha mãe foi quem respondeu. O bebezinho moveu os braços minúsculos como se atendesse ao nome que meus pais escolheram.

- Fri... – eu tentei imitar, mas era um nome complicado para mim, principalmente por estar começando a aprender o alemão dos meus pais – Fidik?

Meus pais riram. Eu não gostei e minha expressão se tornou emburrada.

- Pode chama-lo por um nome mais curto, Artie, um apelido talvez. Fredi...?

- ...eric. – eu completei e meus pais se entreolharam. A terminação do nome do bebê não soava precisamente como Eric e era provável que eles tenham pensado em me corrigir, mas é também provável que desistiram ao ver o sorriso que se desenhou em meu rosto – Eric. Eu gostei. – repeti o nome de novo para ver como soava – Eric.

Os dois deram de ombros. Ficamos alguns segundos em silêncio. Minha mãe aninhava meu irmãozinho contra seu peito e meu pai subira para verificar se estava tudo pronto no quarto do novo morador. Enquanto isso eu apenas o observava com atenção. O modo como sua expressão mudava sutilmente de serena para brava e em seguida se tornava dengosa; como sua boca se abria e a musculatura de seu rosto se contraía quando fazia menção em chorar e como tudo isso se dissipava no momento em que minha mãe beijava sua face; observei como seus dedos – pequenos e frágeis – se fechavam e abriam lentamente, vez ou outra agarrando o tecido da manta que o envolvia; por fim eu notei com profunda atenção como a pele de sua bochecha era macia e principalmente como seus olhinhos azuis – praticamente uma cópia do meu próprio par de olhos – pareciam vivos quando suas pálpebras se abriram e ele cravou seu olhar em mim. Essa última lembrança, aliás, é a mais nítida que tenho da chegada do meu irmão mais novo e uma das mais intensas da minha infância.

•••

Eles sorriram para nós dois com afeição quando nós nos sentamos no sofá da sala. Claro que eu percebi o olhar do meu pai ao computador, sua expressão de incredulidade e êxtase. Obviamente eu ainda consigo me lembrar de como minha mãe parecia chocada, mas igualmente feliz. Agora eles pareciam um tanto receosos, mas ainda restava em seus olhos uma animação que eles tentavam conter.

- Então garotos – minha mãe foi quem começou, com seu jeito advogada de falar, sempre muito fluente e sério, mas cauteloso. Eu tinha sete anos, Friedrich era ainda mais novo, então minha mãe buscava uma forma didática de falar –, o papai tem esperado durante as últimas semanas pela resposta de uma faculdade muito famosa e legal que ele queria muito trabalhar.

- Ela é muito conceituada e é uma honra pra qualquer professor dar aula nela – meu pai tomou a palavra, aparentemente tentando muito conter sua animação, o que me fez sorrir.

- Ele foi aceito. – mamãe sorriu largo ao dizer isso. É engraçado me lembrar de como meu irmão caçula apenas concordava com a cabeça e eu buscava entender aonde eles queriam chegar e, principalmente, o porquê de terem convocado uma reunião de família só para nos comunicar algo legal.

A nossa primeira reação foi abraçar nosso pai e lhe desejar parabéns. Nós dois não entendíamos muito bem o quão incrível era lecionar na Barry e, ainda mais, o que exatamente significava nosso pai se tornar professor nessa faculdade, mas ele parecia realmente muito feliz e nós compreendemos que isso era bom.

- Mas há um pequeno... contratempo – as palavras do meu pai pareciam querer minimizar a importância do problema, que naquela época realmente não era muito grande.

- Nós vamos ter de nos mudar, meninos. A faculdade fica em outra cidade, Miami. E Miami fica nos Estados Unidos, um outro país, um pouco longe daqui, da Grécia. – minha mãe ainda sorria, ela parecia tranquila. Eu e Eric também não estávamos muito nervosos, éramos apenas crianças, não compreendíamos o quanto seria complicado nos adaptarmos a uma nova cultura, novo idioma e nova vida.

Mesmo assim, essa mudança radical foi o primeiro passo para os momentos da minha vida.

•••

Eu fechei a porta com cuidado, as luzes da sala e da cozinha estavam completamente apagadas, o que me levava a crer que minha tia deveria estar dormindo. Minha respiração estava pesada, meu coração batia descontrolado, mas eu tentava me manter calmo.

“Deus, que horas será agora?”, foi o único pensamento que passou pela minha cabeça assim que ouvi o barulho metálico do trinco. A parte boa é que se eu conseguisse subir as escadas em silêncio eu estaria a salvo. Parei de caminhar e apoiei-me no batente da porta da sala para poder retirar os sapatos – andar de meias provavelmente diminuiria o barulho dos meus passos – mas quando terminava de retirar o segundo pé a luz do abajur se ascendeu.

“Oh, Scheisse!”, foi o único pensamento que tive tempo de ter antes de ouvir a voz da minha tia.

- Arthur?

Eu me virei para ela e tentei dar um sorriso que misturava simpatia e um pedido sincero de desculpas.

- Oi, tia. – sua expressão não era nada boa e eu sabia muito bem o motivo.

Quando eu completei catorze anos eu me sentia sufocado em Miami. Não era só o clima tropicalíssimo da cidade que me incomodava, mas o cansaço de ver as mesmas praias, as mesmas pessoas bronzeadas e amantes de Sol, os mesmos locais, tudo sempre muito igual. Foi quando tive a ideia de vir morar com minha tia em Nova York. Katarina era a irmã mais nova da minha mãe, ela morava no leste dos Estados Unidos há anos e construiu sua vida inteira lá e foi muito importante para que minha família conseguisse se adaptar bem ao país.

A desculpa era o estudo. Eu sempre fui um garoto esforçado e determinado, um bom aluno mesmo que um atrasado – a adaptação ao país na minha infância dificultou meus estudos – e sugeri aos meus pais que seria uma oportunidade incrível estudar na maior cidade do país. Eles ficaram receosos, mas minha tia ficara maravilhada com a ideia. Ela era dona de uma loja de doces em Manhattan. Uma mulher solteira, linda, independente e responsável. Perfeita, foi o que pensei. Eu só não contava com o fato de que ela ainda era a irmã da minha mãe e não minha melhor amiga.

- Você sabe que horas são? – ela ainda estava com o avental da sua loja de doces e seu celular repousava com a tela ligada na mesinha ao lado do sofá.

- Não, tia. Meu celular descarregou – eu tinha receio de olhar para ela pois sabia que seu olhar seria cruel. Minha tia não era mandona e controladora, mas ela sempre demonstrara um grande carinho por mim e pelo meu irmão, ela se preocupava muito conosco e eu sabia que minha demora a havia deixado muito preocupada.

- Onde você estava? – ela respirou fundo e cruzou as pernas. Eu escorei meu ombro no batente, ainda com os tênis na mão direita, e engoli em seco.

- Saí com alguns amigos, nós fomos ao Central Park.

Não quis olhar para ela enquanto falava, mas pensei que soaria mais convincente se ela visse uma expressão confiante em meu rosto, então ergui meu olhar em sua direção e tentei parecer estar sendo completamente sincero. Seus olhos verdes estavam sérios, firmes, mas ela tinha uma certa expressão de mágoa que me incomodou mais do que qualquer outra coisa e eu iria pedir desculpa mas ela me cortou antes mesmo que eu começasse a falar.

- Sabe o quanto eu estava preocupada, não sabe? – eu apenas afirmei com a cabeça – Arthur, você tem só quinze anos. Eu sei que você se sente livre e animado com todo esse espírito juvenil dentro de você. Mas a vida não é um mar de rosas. O mundo não é tão bom e simpático quanto você. – eu não sabia o que dizer. Na voz dela, da forma como ela falava, aquilo não pareceu um sermão, parecia mais uma espécie de conselho mesclado a um desabafo. – E eu sou sua tia, okay? Posso ser sua amiga quando necessário, mas sou a responsável por você nessa cidade. Já pensou se acontece algo com você e o que a Amy iria pensar de mim? Como o Albert iria reagir? E como o Fred iria ficar? Ou, talvez, como eu iria me culpar? – ela parou e sustentou seu olhar inesperadamente cansado enquanto eu tentava não abaixar os olhos e tentava também não chorar, pois uma vontade estranha de fazê-lo me invadiu.

Aquelas palavras provavelmente estavam engasgadas em sua garganta, pois não era a primeira vez que eu errara com ela e eu era capaz de ver em seu rosto que ela não queria que eu errasse de novo.

- Desculpa, tia. Não vai acontecer de novo, não vou mais te decepcionar, prometo.

- Pode subir. – ela falou por fim, depois de me observar durante alguns segundos mais. Eu não resisti a um suspiro aliviado e quando me virei em direção às escadas deixei escapar um sorriso. Sem punição! – Vai precisar de um relógio também – ela acrescentou como se fosse só mais um detalhe quando eu já estava de costas – você está sem celular contando a partir de amanhã, por um tempo ainda indeterminado.

- Tia! – eu me virei chocado, mas o modo como ela ergueu a sobrancelha diante do meu protesto deixava bem evidente que o castigo não estava em discussão. – Okay... – eu murmurei.

Enquanto eu subia as escadas, percebi que a madeira realmente parecia praticamente silenciosa quando eu pisava usando apenas meias. Eu não queria preocupar Katarina ainda mais, por isso não contei a ela que eu e meus amigos fugimos de um assalto naquele dia, que fomos perseguidos pelos criminosos e que realmente algo ruim poderia ter acontecido.

•••

Um sorriso escapou de meus lábios quando eu abri a porta do apartamento e respirei o ar de novo daquele lugar. Admito que sentira saudades daquela brisa úmida que vinha do mar e daquele calor incômodo, mas finalmente eu havia conquistado o que queria. Independência. Em partes, pelo menos.

Era um local minúsculo, mas muito bem mobiliado e moderno. Meus pais hesitaram muito que eu voltasse para Miami para morar sozinho, mas eu consegui convencê-los de que morar durante quase três anos apenas com Catarina tinha me ensinado coisas valiosas – e isso era verdade. Arrumar um emprego foi uma parte um pouco complicada, mas eu fui recomendado pela minha tia à uma amiga confeiteira dela na cidade. O futuro poderia ser um problema, porque eu ainda era menor de idade e meus pais estabeleceram como última condição para que eu tivesse meu próprio lugar que eu mantivesse notas boas no colégio – não na média e nem um pouco acima dela, notas realmente boas. Além de todas as regrinhas básicas de não me meter com drogas, não deixar o apartamento completamente desarrumado, não ser preso e um papo estranho sobre camisinhas que eu prefiro não lembrar.

Não pude deixar de sorrir ao ver aqueles olhos azuis animados sorrindo para mim do outro lado da sala assim que eu terminara de largar as malas e fechar a porta.

- Bart! – meu irmão apressou-se e veio correndo em minha direção. Ele era definitivamente a única pessoa que fazia referência ao meu segundo nome.

- Oi, pirralho, a quanto tempo. – eu abracei meu irmão com força, matando a saudade que sentira daquele garoto. – Você cresceu, hein? – ele sorriu. Sua pele estava ainda mais bronzeada do que da última vez que o vira, o que contrastava com seus olhos cor-do-mar.

Meu sorriso se alargou quando meus pais se aproximaram para me abraçar também. Havia sentido saudades de todos ali, afinal fiquei um bom tempo sem vê-los pessoalmente até me mudar definitivamente.

- Então, bruder, você voltou mesmo! – franzi o cenho pois era estranho ouvir alguém usando expressões em alemão comigo novamente, mas abracei os ombros do meu irmão e sorri para ele.

- É, bruderchen, eu voltei.


Responsibility is the price of freedom.

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I'll circle round you
We go round around the sun, In and out like the sea.

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