[DLD] Shane M. S. McCain

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[DLD] Shane M. S. McCain

Mensagem por Convidado em Sab 8 Ago 2015 - 14:03


Depuis Le Début

A seguite RP acontece com Shane Schwyz e está fechada para qualquer um que não tenha sido convidado. Passando-se em 15 de Agosto de 2015, na piscina da Winterfield Academy e com flashbacks do passado do rapaz. O conteúdo é +16. A postagem está em finalizada.



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Re: [DLD] Shane M. S. McCain

Mensagem por Convidado em Sab 8 Ago 2015 - 17:15

& Church in Ruins
Pool
Memories
I'm fucked up
Mal conseguia fazer minha mão parar de tremer. Não sabia se estava com mais medo de apertar o gatilho ou de enfrentar meu avô. Apertei com mais força e sentia como se o material da arma fosse se fundir com minha pele. -Sabe porque trouxe minha empresa para a América? - ouvi a voz grave atrás de mim, sobrepondo minha presença assim como quando comparam Marlon Brando com um novato no mundo das artes.

Engoli em seco e ergui um pouco a arma e apontei trêmulo para meu alvo. Era como se pudesse sentir a respiração dele no meu ouvido e sentir seu forte cheiro característico de pólvora e whisky. -Não a trouxe por que os Estados Unidos é a terra das oportunidades. Trouxe por que aqui qualquer covarde com uma arma na mão pode se fingir de perigoso. - continuou ele, colocando a mão pesada sobre meu ombro e apertando mais do que alguém que se preocupa com outro alguém o faria e me fazendo olhar sua cara de poucos amigos. Travei o maxilar para não soltar nenhuma reclamação de dor já que sabia que seria pior caso o fizesse. -Atire. - ordenou com a mesma voz grave.

Engoli a bile que teimava em subir por minha garganta e respirei fundo antes de olhar para o animal que estava amarrado na minha frente, com a língua de fora e se mexendo na esperança de que eu fosse brincar com ele. Eu havia feito tudo o que meu vô pedira até aquele instante, aprender a atirar, tirar as melhores notas, ser o exemplo, mas parece que para ele isso não era nada e que para me provar teria que matar o bicho de estimação que havia criado desde pequeno, teria que mostrar que não tinha um coração que nem ele. Mirei na cabeça do pastor alemão e tirei a trava de segurança, tentando controlar minha respiração levei o dedo ao gatilho. Mas antes que conseguisse puxar o gatilho levantei a mira para a parede um pouco acima propositalmente. -Não. - disse decidido a ir contra essa decisão ridícula da única figura paterna que tinha. Larguei a arma no chão e me virei para ele com um olhar firme. Como fui idiota.

Com apenas um movimento as costas de sua mão acertaram com força a lateral do meu rosto e me mandou ao chão. Levei as mãos ao chão para tentar me reerguer mas só senti meu rosto ser apertado com força contra o piso gelado e uma sola de borracha machucar minha orelha. -Os Schwyz não são covardes. Você é um bastardo e não da minha família, é um inútil como seu pai e é fraco assim como sua mãe. - disse em tom de escárnio, tentei sair do seu aperto mas só senti seu pé apertar minha cabeça com mais força contra o chão. Meu cachorro como se estivesse sentindo minha dor passou a rosnar e latir contra o homem mais velho. Ouvi o barulho característico do bau de um revolver ser colocado em seu lugar e senti uma lágrima escorrer do meu olho e sem conseguir tirar os olhos do animal pude ouvir o tiro e seu choro antes de ver o sangue começar a sair de seu pelo e ele aos poucos perder aquela fagulha de vida.

...


Sempre que a data se aproximava era isso, essa enxurrada de emoções e memórias que desejaria que estivessem desaparecidas de minha mente. Mas não tinha tanta sorte, nunca teria ao que parece. Ajeitei a touca de natação na cabeça e os óculos e corri saltando para dentro da piscina. A cada braçada eu procurava forçar ainda mais o ritmo, não importando se estivesse passando do limite do saudável, tudo o que importava era chegar a exaustão. Algumas pessoas assim como eu buscavam fugir de suas emoções correndo até não ter mais forças nas pernas ou socar algo até quebrar e eu nadava até não conseguir mais mexer os braços e as pernas direto. Depois de revezar entre os tipos de nado, fiquei com o mais exaustivo de todos, o borboleta, mas mesmo assim as memórias continuavam a voltar.

...

Sentei-me em uma das cadeiras disponibilizadas pelo lugar e observei as crianças correndo para lá e para cá, felizes... com a exceção de uma, um garoto que não deveria ter mais de 10 anos estava sentado em um banco do outro lado do jardim, meio escondido atrás de alguns arbustos. Ele era filho de um dos seguranças da família, um que havia morrido de maneira misteriosa sobre o comando do meu avô, e como um modo de mostrar "bondade" o garoto poderia viver na propriedade em Lenox Hills até ter a idade de seguir o mesmo oficio do pai. Juan era um homem bom comigo, sempre me ajudara em minhas escapulidas e outras artimanhas, me dava conselhos quando precisava ou até um puxão de orelha ou outro se aprontava, sentiria sua falta.

Me levantei e atravessei o gramado, ignorando os filhos dos executivos amigos de meu vô que conversavam sobre assuntos inúteis, o churrasco "familiar" entre as famílias dos executivos e ele não era nada mais do que uma desculpa para fazer mais negócios sujos. Sentei ao lado dele sem saber muito o que falar, eu sabia o que era perder alguém e sabia que algumas palavras teriam me ajudado a lidar melhor com a falta da minha mãe. Sem olhar em meu rosto ele apenas se moveu um pouco para o lado para me dar espaço. -Seu pai... Ele era bom, um homem bom. - comecei meio exitante e me virando para olhar para seu rosto. -Ele era um dos melhores. - continuei. Ele me respondeu que sabia e que as pessoas deveriam parar de ficar repetindo isso, eu sorri tanto por perceber que ele estava prestando atenção no que eu falava como por saber que o que falava de seu pai não era uma tentativa qualquer de melhorar seu humor. Fiquei em silêncio por um minuto, apenas aproveitando o som das folhas e o cheiro de grama antes de continuar. -As coisas vão ficar um pouco difíceis, mas você vai superar. Porque ele está em você. A luta dele está em você. - falei mais firme e de uma maneira que fez com que o garoto olhasse para meu rosto. Eu poderia ter acabado de fazer 15 anos mas já havia vivido por coisas que não desejaria a ninguém.

-Ás vezes... Ás vezes, acontece algo que divide sua vida. Existe um antes e um depois. Já tenho alguns momentos desse em minha vida a essa altura, e essa é a sua primeira. Mas se usar isso direito, essa coisa ruim... Use-a direito e isso vai te tornar melhor, mais forte. - parei de falar para observar um dos garotos tentar subir em uma das árvores e cair de cara no chão, chorar por um minuto ou dois e voltar a correr. -Você terá algo que a maioria das pessoas não tem. Por pior que for, errada ou o que for, essa dor pode te transformar num homem melhor. É o que a dor faz - disse sério e olhando nos olhos escuros do garoto e depois olhando para o céu, como se estivesse imaginando minha mãe ali na minha frente. - Essa dor mostra o que há por dentro. E dentro de você é ouro puro, e eu sei disso. Seu pai sabia disso, ouro puro e maciço. É o que você tem. - falei citando uma das frases mais marcantes que havia ouvido de Juan para seu filho e me surpreendi quando senti os braços pequenos me cercarem em um abraço. Fiquei rígido, sem me mover enquanto deixei o garoto chorar em meu ombro.

...


Tirei o óculos e a touca e joguei para fora da piscina com raiva. Maldito seja esse mundo, maldita seja essa minha cabeça. Soquei a água e apertei meu rosto entre as mãos, frustado por não conseguir o que estava acontecendo. Meu avô tinha razão, eu sou um fraco, um covarde que não consegue controlar sua própria razão.

Voltei a nadar, ignorando a ardência do cloro contra meus olhos desprotegidos, e a dor dos meus músculos queimando sem oxigênio. Eu iria fazer aquilo parar mesmo que tivesse que nadar até desmaiar dentro da piscina.

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