{TC} - Express Yourself.

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Re: {TC} - Express Yourself.

Mensagem por Rebel Ivy-Lenöir Bordeaux em Dom 16 Ago 2015 - 18:17






O sol começava a entrar pelo feixe da cortina, iluminando o quarto que até agora estava extremamente confortável. A temperatura era amena graças ao ar condicionado e minha cama parecia mais confortável que nunca. O meu corpo se recusava a levantar, mas hoje era meu primeiro dia de aula e eu precisava me preparar.  Levantei-me e me dirigi para frente do espelho grande que eu tinha no meu closet. Parei ali após pegar uma escova e comecei a arrumar o cabelo, enquanto observava meu reflexo.  Meu rosto não estava inchado, visto que eu tinha tido uma ótima noite de sono, então apenas deixei meus cabelos soltos e peguei um rímel e blush, dando ao meu rosto ar saudável. Já havia separado uma roupa, que vesti rapidamente, ficando o mais casual possível. A bolsa estava em cima da cômoda, peguei ela rapidamente e sai do quarto, indo em direção a cozinha.

Nem sinal do meu pai em casa. Ele deixava bilhetes dizendo que a inauguração da filial aqui em Miami estava tomando o tempo dele, mas eu sabia que ele apenas não queria passar tempo comigo. Abri a geladeira procurando por algo para beber e peguei um suco de laranja, despejando em um copo e logo guardando a caixa novamente. A cozinha era o primeiro cômodo pronto da casa, tirando o quarto do meu pai, que ele tinha insistido em ajeitar ele mesmo. Fui comendo algumas torradas e observando o trabalho que eu e o decorador havíamos conseguido completar nesses cinco dias. Os armários haviam sido todos trocados por novos embutidos, que eram lisos e deixavam a cozinha mais leve. Todas as bancadas agora tinham mármore branco e as luzes foram melhores distribuídas, deixando o ambiente mais agradável. Olhei o relógio e percebi que logo estaria atrasada, deixando o café pela metade. Peguei a chave do G-Wagon e sai de casa. Antes de sair percebi dois homens parados perto do portão. Eram Marco e John, os dois seguranças contratados pelo papai, me lembrava dele ter avisado por bilhete. John pulou rapidamente no seu carro enquanto eu saia com o meu, me seguindo. Eu não me importei, mesmo que só estivesse indo para o colégio. Sai da garagem, indo em direção a Newtt para o meu primeiro dia.


● ● ●


Já havia estacionado e entrado no colégio. Procurei informações para saber em que sala deveria ir e agora estava a caminho. As pessoas conversavam animadamente, muito diferente do internado do qual eu vinha. Recebi alguns olhares talvez por ser a menina nova, mas ignorei, logo encontrando a sala da aula de teatro. A sala era aconchegante e eu logo avistei Dianna, soltando um sorriso animado. Caminhei em sua direção enquanto observava os outros que já haviam chegado ali, me perguntando se logo conheceria todos por ali. Sentei-me ao lado da Dianna, dando um rápido beijo na sua bochecha e tirando os óculos escuros dos olhos, deixando-os descansando na minha cabeça.

— Bom dia! Não sabia que você fazia aula de teatro também.. — falei, me lembrando que ela havia comentado sobre ensinar dança no colégio. — Mas ainda bem que você está aqui, estava um pouco nervosa. — soltei uma risada nervosa, olhando em volta.

Uma loira logo entrou na sala, se encaminhando até a frente da sala. Deduzi que seria ela que daria a aula e me virei em sua direção, prestando atenção em suas palavras. Ela parecia ser nova, da nossa idade até. Olhei rapidamente para Dianna e lembrei que alunos também davam aulas por aqui, logo ela poderia ser uma também. Fechei meus olhos ao seu comando, com a ideia de relaxar, um desafio dado por ela. Crazy in Love começou a tocar, sem a batida normal da versão em que Beyonce cantava, apenas um piano tocando a música calmamente. Um tempo passou e eu não podia ter deixado de ficar um pouco sonolenta. Mas havia funcionado e agora eu estava totalmente relaxada. A aula continuou de olhos fechados, enquanto ela explicava o seu ponto antes de nos mandar abrir os olhos novamente. O palco que ficava na frente da sala agora tinha um banco no meio dele, com uma luz direta ali em cima. A loira que havia ido até o final da sala, voltou e sentou-se nesse banco.

A tarefa da aula era contar algo que te deixasse inconfortável, algo que te incomodasse caso você tivesse que atuar sobre. Memórias voavam dentro da minha cabeça, minha mãe, meu irmão. Mordi o lábio fortemente, fazendo um corte pequeno, sentindo o gosto do sangue na minha boca. Só o pensamento me perturbava, me deixava fora de mim. Tentei tirar aquelas memórias da minha cabeça enquanto ouvia a história que a loira contava sobre o que mais a incomodava. Eu não poderia imaginar ter uma mãe que ela descrevia. Minha mãe era amorosa, preocupada, calma... Pena que ela não estava mais aqui. Era possível ver o quanto a loira se sentia desconfortável em contar aquela história, mas ela passou por aquilo e logo desceu do banco, saindo do palco.

Agora era a hora dos alunos subirem no palco e contarem suas histórias. Meu coração já batia num ritmo fora do normal, pensando em o que eu falaria ali em cima. As pessoas começaram a subir e contar suas histórias, algumas eram tocantes e outras nem tanto, mas todos falavam a sua verdade e eu não poderia subir ali e simplesmente mentir. No internato, eu nunca tinha tido um aula de teatro ou algo parecido, nunca haviam pedido para eu falar da minha vida, então foi fácil apenas esconder isso. Apenas esquecer.  Sequei minha mão que suava na calça, sentindo meus dedos tremerem durante meus movimentos. Um garoto desceu do palco e eu me levantei, decidindo que ou eu contaria logo aquela história ou eu simplesmente desistiria e sairia correndo daquela aula. Minhas pernas pesavam tanto a cada passo que eu dava em direção ao banco, me fazendo respirar cada vez mais fundo, numa tentativa de me acalmar. Sentei-me, cruzei minhas pernas e deixei minhas mãos descansando em cima das minhas pernas. Era agora ou era nunca.

— Oi... Meu nome é Rebel! Eu nunca falo muito sobre mim mesma, eu simplesmente não gosto... — falei olhando em direção a sala. A luz em minha direção era incomoda, fazendo com que eu piscasse mais que o necessário. — Quando criança, eu fui muito feliz. Eu viajei e conheci muitos lugares. Eu tinha uma família feliz, uma mãe amorosa, um pai dedicado e um irmão lindo. Era tudo até muito perfeito para ser verdade, se eu for pensar nisso agora. — soltei uma risada seca, sem muito humor. — Tudo foi perfeito até que eu completei 10 anos. Eu me lembro que nevava e minha mãe não queria ficar em casa, ela queria viajar, sair conosco. Meu pai estava no trabalho, então ela botou eu e meu irmão no carro e decidiu que nos levaria e depois o meu pai nos encontraria lá. Ela estava nos levando para Hamptons, ela amava o Hamptons. Nossas melhores memórias estavam lá, as melhores férias foram passadas lá. — parei por um minuto, engolindo a bola que havia se formado na minha garganta. — Estava tudo bem, minha mãe estava dirigindo, eu e meu irmão estávamos quietos no banco de trás. Eu me lembro até hoje da música que tocava no carro, um solo de violão suave. Era o tipo de música que minha mãe gostava. — meus pés balançavam sem parar, o nervosismo tomando conta de mim. — O carro estava indo devagar porque estava nevando e minha mãe era cuidadosa. Meu irmão havia dormido, então eu pensei em dormir também. A viagem passaria mais rápido. O rosto dele é a ultima coisa de qual eu me lembro. — uma lágrima solitária caiu do meu olho esquerdo,  enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas conforme eu me lembrava do meu irmão, de olhos fechados e o rosto virado na minha direção. Aquela ultima vez em que eu o havia visto.  — Um carro desgovernado  acertou o nosso. A batida foi do lado deles do carro, então os dois morreram na hora. Nada demais aconteceu comigo. Depois desse acidente, toda minha vida mudou. Tudo piorou, por assim dizer. — a culpa, a relação com meu pai, a vida em si. Tudo havia piorado, e parecia que não havia solução para nada. — Mas eu não me importo que tenha piorado. Eu estou aqui e eles não. Não importa o quanto esteja ruim para mim, está pior para eles. — levei uma mão aos olhos, afastando as lágrimas. Era bom desabafar aquilo tudo que sempre havia ficado guardado. Um peso parecia ser tirado dos meus ombros. — Eu nunca tinha falado sobre isso antes, então desculpe se foi meio cruo. Obrigada.

Desci do banco, caminhando lentamente para fora do palco. Tentava não olhar para as pessoas, não querendo ver a reação delas ao que eu havia acabado de compartilhar. Sentei-me de novo ao lado da Dianna, esperando o fim da aula. Não estava mais tão relaxada e o assunto tão pesado havia feito com que uma dor de cabeça começasse a me incomodar. A aula finalmente terminou e eu pensei em chamar Dianna para sair, mas a loira pediu que ela ficasse. Apenas acenei para ela e sai da sala. A aula havia sido difícil e eu queria apenas ir para casa descansar.



are u alone?
is it too late to talk?
● do I wait to long? ●

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High By the Beach

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Re: {TC} - Express Yourself.

Mensagem por Dianna E. Voss-Ohlweiler em Dom 16 Ago 2015 - 21:47


Cold as ice
A aula de dança havia sido cansativa. Dentre outras palavras, a dificuldade de pegar passos e transformá-los em arte, estava em um nível absurdo. Agora entendia o por que das discussões do professor Lawson com Yris, sobre os alunos estarem desatentos de mais, o que acabou lhe desestimulando para vir lecionar nesta semana. E, como era a monitora, sobrara para mim. Havia passado apenas alguns exercícios, visto que muitos não estavam nem aparecendo. O ano estava começando a ficar corrido, principalmente para os formandos. Por ser uma escola voltada para as artes, o quesito relaxamento era elevado, o que acabava terminando em reprovações frequentes. Dirigi o olhar para o relógio de parede em um tamanho exagerado, vendo que precisava me apressar um pouco para não me atrasar para a aula extra, na ala de teatro. Deixei minha bolsa ali mesmo, dentro do pequeno escritório ao final da sala. Aproveitei para tomar um rápido banho, vestindo uma calça jeans com pequenas linhas em rasgos na perna, e outra camisa do uniforme vermelho e branco com o símbolo da Newtt. Sai dali, trancando a porta e pondo a chave no bolso. Me encaminhei para a sala onde teria a aula, entrando e ocupando um lugar em um dos pufes espalhados por lá.

Alguém estava cutucando meu ombro, e quando me virei para ver quem era, me deparo com uma Ashley um tanto que descabelada. Olhei-lhe sugestivamente, me levantando para trocarmos um abraço ligeiro. Ela não precisava dizer nada para que eu soubesse de seu momento de pegação com Jeff. Teria uma conversinha com ele, para lhe dar um toque. Ashley realmente gostava dele. Fui tirada de meus devaneios com um beijo na bochecha. Meus olhos encontraram os azulados contagiantes de Rebel. Lhe dirigi um largo sorriso.

Hey, você. — toquei seu queixo. — Ah, eu pretendo fazer o papel do Tigrão no próximo filme da Disney. Sou uma grande fã da turma do Pooh. — disse-lhe, fazendo minha melhor expressão séria, apesar do tom de brincadeira.

Observei-a melhor, vendo que não usava tanta maquiagem, diferente de algumas garotas dali, que pareciam um cosplay idêntico do palhaço de American Horror Story.

Não fique nervosa, isso costuma atrapalhar bastante. Aja naturalmente e vai se dar muito bem, aqui. — pisquei para ela, voltando minha atenção para algumas pessoas ao redor.

Um barulho de conversa paralela orbitava a sala. O relógio indicava que dois minutos já haviam se passado, e o professor ainda não tinha chego. Um pequeno sorriso se formou em meus lábios, não podendo evitar a pensar em Shannon. Ela nunca chegava atrasada para dar a aula.



Ω


"Eu quero que vocês relaxem." A voz sondou minha mente, como um fantasma atormenta uma criança. Será que estava sentindo tanto a sua falta, que agora ouviria o som de sua voz? Estava certa de que o professor de teatro daria a aula hoje. Obriguei-me a erguer o olhar, afastando-o de Rebel, que estava ao meu lado. Shannon estava ali. Meu peito desencadeou um sentimento único de alegria. Ela estava ali! Mas, um pensamento me atingira. Por que ela não me avisou que vinha? Poderia ter ido lhe esperar no aeroporto. Em poucos segundos, minha mente encheu-se com perguntas, constatações de fatos e coisas que causariam um mártir indesejado no momento. Respirei fundo, prevalecendo o lado ético, visto que estávamos em sala de aula, e ela estava prestes a dar a lição do dia. Teria de resolver isso depois. Só esperava que ela não viesse com um "eu preciso voltar agora, vim só para a aula. Depois conversaremos" ou a coisa ficaria feia.

Primeiro, ao notar o sorriso que ela dava, tive certeza de que estava forçando o gesto. Shannon não era de fingir um sorriso, e quando sorria, não era daquela forma. Algo estava lhe incomodando. Mantive os olhos focados nela, que começava a desfiar o teor de sua aula. Relaxar era o foco inicial, e ao saber, fiquei um tanto que preocupada. Não com ter de relaxar, mas em como ela pediria para fazermos. Ao seu comando, fechei meus olhos. E como desconfiava, uma música suave preencheu a sala. Crazy in love? Isso é sério? Por um momento, achava que ouviria a voz de Beyoncé ou de qualquer outro cantor ou cantora que pudesse tornar a música intensa, assim como em Fifty Shades Of Grey, o que não aconteceu. Continuou suave, e como não era possível evitar no meu caso, já estava beirando a inconsciência, o primeiro estágio do estado de sonolência. Senti meu próprio corpo pender para um lado, acordando de súbito com a voz de Shannon pedindo para que ficássemos ainda de olhos fechados, ouvindo apenas o som de sua voz, com a música em um volume ambiente, agora. Continuava a ouvi-la falar, forçando-me a ter toda a concentração que poderia, no momento. Autorizada a abrir os olhos novamente, senti um pequeno incômodo, com a claridade. Então, todo o sono que eu havia adquirido, foi perdido completamente, com o propósito final. Soltei uma respiração aguda, o pensamento pesando mais do que deveria. Só havia uma coisa que, até os dias de hoje costumava tirar o meu sono, e eu teria de contar.  

Para não ser injusta, Shannon também contaria um momento seu. Ela começou a falar, tão desconfortável quanto o restante das pessoas dentro daquela sala. Parecíamos estar agora, em um mundo paralelo, separados de todo o restante. Não se passava por minha mente que ela teria qualquer problema sério de mais, não pelo menos referente a algum membro de sua família, já que havia conhecido os Gould-Kempner semanas atrás. Mas, lá estava ela, contando sobre sua mãe. Millie tinha sido a que menos simpatizara comigo, apesar de estar sorrindo em alguns momentos, notava que era um movimento forçado e sem um pingo de expressão. O mesmo sorriso que Shannon estava dando agora, ao mencionar que sua mãe tinha descoberto que não tinha uma filha perfeita. Minha sobrancelha se arqueou, enquanto corrigia minha postura. O que ela queria dizer com aquilo?

Então, foi como se um alguém tivesse me dado uma chicotada na face. As lágrimas foram automáticas, assim como o movimento feito com as mãos, fechando-as em punho. Minhas unhas cravaram-se nas palmas, e a ardência foi imediata. Se estava doendo por ter cortado? Não sentia. Estava sentindo uma dormência incomum. Não só na palma da mão, mas também, por todo o corpo. Principalmente na cabeça. E a cada nova palavra dita, era uma nova chicotada. Havia parado de respirar, perdido o sentido de cada órgão de meu corpo. Tudo havia desmoronado. A cicatriz, aquela cicatriz a qual sabia dizer onde estava até de olhos fechados. A cicatriz que carregava a perfeição dela, agora, era o ponto de seu corpo que sempre me lembraria o que eu era para Shannon. Uma ferida. Fechei os olhos, impedindo que mais lágrimas caíssem, apesar de já estar com o rosto praticamente banhado por elas. O enxugara, sentindo algo subir por minhas veias. Algo que a muito eu não sentia, e esperava não sentir nem tão cedo. Ao subir o olhar, encontrara as íris tristonhas de minha namorada. Ela nunca havia me dito aquilo. Meu maxilar travou, e um com uma respiração profunda, deixei, pela primeira vez, que a parte de mim que eu tanto temia, extravasasse através daquela troca de olhares. A muralha de gelo estava erguida.

Tomando controle de tudo de volta, controlei os pensamentos. Eram tantas coisas para processar. Todas, eram espinhos fincados em cada canto do meu corpo. E eu não sentia nada. Absolutamente nada. Eu conseguiria tocá-la, sem ouvir sua própria voz repetir o que ela havia acabado de dizer? Eu conseguiria pelo menos olhá-la da forma que merecia? Este, era apenas mais um demônio sendo acrescentado a minha cota. O pensamento primordial, era apenas, o de que iria me afastar. Nunca mais permitiria me encontrar com ela. Não permitiria qualquer tipo de dor em sua vida. Mas, o egoísmo se sobrepõe em meu inconsciente. E você conseguiria viver não estando ao seu lado? Outras pessoas subiram ao palco, inclusive Rebel. Como imaginava, ela teria uma história trágica referente ao que havia dito no dia em que saímos juntas. Assim que ela voltara a estar ao meu lado, toquei sua mão, em um gesto de reconforto, apesar de estar com uma expressão tão amarga e vazia, que achava difícil que a loira pudesse me compreender. Me ergui, não sabendo como conseguia estar de pé. Percorri o caminho até o tablado em silêncio, sentando-me no banco. Por vários minutos a finco, mantive-me calada.

Meu avô morreu em meio a uma guerra. Ele era o meu herói. Desde que nasci, era com ele que eu me identificava. Se tinha um problema e precisava de ajuda, ou, quando queria compartilhar alguma alegria qualquer de criança, não existia outro alguém para eu correr. Meus pais nunca foram presentes, então junto com minhas irmãs, era a única família que me restava a ter. — ao contrário de todo mundo, não abri nenhum sorriso, mesmo que vazio ou irônico. Não haviam motivos para sorrir. — Não quis saber o que causou a morte dele. Se foi em campo de batalha, se contraiu alguma doença e foi sucumbindo durante o tempo. Isso não importa. Ele se foi, e levou junto toda a felicidade que eu tinha. Vocês fazem ideia do que é amar tão intensamente, que não imagina que esse amor poderia perder as forças, ou ser destruído de alguma forma? Até mesmo, simplesmente se perder?

Respirei fundo. Não sentia vontade de chorar. Continuava a não sentir nada. Desci o pé do banco, apoiando no chão. Meu olhar estivera baixo em todo o momento, mas, tratei de subi-lo de novo, fixando-o em Shannon. Nos olhos dela.

Eu achava que isso era o que eu tinha de mais pesado. Que era a única coisa que me incomodava, por que, eu ainda tenho pesadelos. Ainda tenho dificuldades em deitar, e dormir como uma pessoa normal. Mas, isso mudou hoje. Descobri que existe algo mais doloroso. O que machuca mais, não é a descoberta em si. É mais... O fato de que talvez, se não fosse por essa aula, eu nunca saberia. — mantive o olhar firme, duro. Como eu deveria reagir a notícia que tinha acabado de ter? E por que Shannon parecia estar com raiva? — Então, se vocês amam alguém, tratem de ser sinceros. Olhem todos os dias nos olhos dessa pessoa, e diga tudo o que deveria dizer. Diga que ama, diga que esta machucado ou machucada, diga. Por que, você pode não ver essa pessoa nunca mais. E quando alguém importante vai embora, não existe nada nem ninguém que possa fazer a dor da perda melhorar. — desviei o olhar do dela, encarando outras pessoas. Ashley, Rebel.

Sai do banco, sem mais nada a dizer. Voltei ao meu lugar, sentando com uma postura impecável. A frieza mantinha-se desde o início de cada palavra que tinha dito, e estava sem prazo para ir embora. Outras histórias foram contadas, uma nova rodada de emoção contendo as pessoas da sala. Menos a mim. O sinal tocou, informando o fim do dia de aulas. Levantei-me, pronta para ir, vendo Rebel prestes a dizer algo, sendo interrompida por Shannon pedindo para que eu ficasse mais um pouco, e que queria conversar. Eu queria ficar a sós com ela? Deixei uma curta respiração soltar-se por meus lábios, acenando de volta para a loira que ia embora. Assim que todos saíram da sala, fiquei frente a frente com minha namorada. Não lhe respondi, mantive o olhar no seu, transbordando seriedade.




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