[NC] Khalidah A. Stonehaven & Arabella B. Nardorwen

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Mensagem por Khalidah A. Stonehaven em Dom 6 Set 2015 - 15:45


Hi, call me the problem.

A postagem se inicia entre Arabella B. Nardorwen e Khalidah A. Stonehaven e está fechada para qualquer um que não tenha sido convidado. Está postagem é atemporal, passando-se esta em 24 de dezembro de 2013, no Starbucks. O conteúdo é livre. A postagem está em andamento.




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Re: [NC] Khalidah A. Stonehaven & Arabella B. Nardorwen

Mensagem por Arabella B. Nardorwen em Dom 6 Set 2015 - 19:44

✘ Band-Aids don't
fix bullet holes

O calendário contava exatos vinte e oito dias desde minha chegada à America. Bullshit. Da sacada da suite de luxo do hotel minha única vista era a imensidão da água. Água e mais água. Estava começando a me adaptar ao regime militar que minha vida estava prestes a se tornar. A sensação era de que estiva trancafiada ali para sempre, como a Rapunzel no alto de sua torre. Minhas únicas visitas ao mundo exterior foram raríssimas, estas incluíam a piscina, hall e restaurante do hotel. Simples, rápido e depois voltava a prisão de luxo. Poucas vezes havia deixado o hotel, somente para conhecer a tal escola em que estava matriculada e um ou dois pontos de interesse pela região. Fora isto o regime era fechado. Havia causado a morte de um maldito adolescente por excesso e abuso de drogas e álcool. Como se isso nunca tivesse acontecido antes na historia da humanidade, certo? Como se ele tivesse sido o primeiro, único e último a morrer. Um reformatório faria mais sentido do que este maldito castigo imposto por aquele que se denominava meu "pai". A sensação é que acabaria por enlouquecer somente de estar só com meus pensamentos. Morrer não estava fora de cogitação, ao menos iria voar por alguns segundos após pular da sacada.. wait, what? É, necessitava sair dali o quanto antes, ou planejar minha morte deixaria de ser apenas uma insanidade da minha mente.

Com toda a certeza eu não questionaria muito se tivesse sido mandada para um internato religioso nos confins da Terra. Não, eu não reclamaria, não bateria os pés ou faria chantagem alguma. Mas pela infeliz decisão do destino, alinhamento dos planetas ou mesmo carma — chame como quiser —, cá estava eu. Em uma cidade praticamente dentro do Sol. Não haveria lugar mais quente em todo o planeta do que Miami. E a combinação de praia, sol, calor, pessoas felizes, calor, movimento, época de Natal e mais calor não me animava em nada. O clima ameno da cidade londrina era o fator que mais me fazia sentir saudades de casa. Eu amava Londres no período de festas de finais de ano. Eu amava o Natal, mesmo sem nunca tê-lo comemorado da forma tradicional. Mas agora eu teria de me habituar aos novos 'costumes', a essa nova vida de pessoas felizes, sorridentes e bronzeadas. Okay, nem tudo era o fim dos tempos. Algo que Miami e Londres tem em comum? Um Starbucks a cada esquina, quase literalmente. E se em Londres, no período de férias, o estabelecimento era um dos lugares de minha parada obrigatória, poderia considerar o mesmo para esta nova cidade. Ao menos tentaria.

Mas para completar o pacote de "melhor lugar da Terra", Miami me trouxera a tiracolo um guarda-costas. Um ser de quase dois metros de altura que vivia de terno e óculos escuros. Poderia apostar todas as minhas fichas que o tempo livro total dele era utilizado no levantamento de supino. Lhe apelidei carinhosamente de "Parede". Os lugares que eu havia frequentado ultimamente — também conhecidos como hall e área da piscina do hotel — havia sempre ele como sombra. Ao menos para isso serviria. Para minha total infelicidade, o cão e guarda somente obedecia a um mestre, Magnus. Então tudo o que fizesse estava sendo vigiado e perto por ele. Decidi por fim socializar um pouco. Ver pessoas de verdade, que falassem comigo ao menos o básico. Minhas vestes não demonstravam a sensação de anuidade existencial do meu ser. Algo de errado não parecia estar tão certo. O item de maior precisão naquele momento foi a necessidade de soltar os cabelos de um coque solto no alto da cabeça. De resto parecia uma adolescente americana tipica vivendo sua vidinha fútil como as demais. Antes de sequer pensar em sair do hotel/prisão era necessária a autorização de meu progenitor. A cada momento eu me sentia mais distante dele e a raiva crescia mais que o habitual. A mudança prometida em seu comportamento não foi cumprida e por isso também fazia questão de não me submeter a suas decisões para com a minha pessoa. Parede logo recebeu a resposta diante de minha vontade, autorizando-me a deixar as dependências do hotel, mas acompanhada de escolta. A ideia de ir parar em um reformatório parecia cada vez mais conivente com a situação.

✘✘✘

Bati com mais força do que conseguia a porta do Chrysler blindado. Sim, era implicância minha e transformaria a vida daqueles homens em um completo inferno se necessário fosse. Até quando viveria aquele inferno? A ordem era bem clara: eles não me seguiriam a todo instante, é claro, apenas fariam minha guarda e agiriam se necessário fosse. Isso significava que eles permaneceriam no carro até segunda ordem. Por um momento sorri com a possibilidade de passar um tempo sem eles em minha cola. Assim que dei meus primeiros passos em direção a cafeteria, ouvi o som do vidro se abaixando. Suspirei irritada e voltei em direção a eles. — Não se preocupem, crianças, eu ficarei bem. — O melhor de meu sorriso irônico e ao mesmo tempo angelical era exibido aos dois seguranças. — Fiquem bem, por favor e não morram, é claro. — Pisquei e levei minha mão esquerda em direção a bochecha do homem sentado no banco do carona. — Eu agradeço, meus queridos. — Apertei-a com um bocado de força, apenas para demarcar o local onde minha mão esteve. Dei as costas aos dois e caminhei em direção a entrada, o cheiro do café quase me conduzia automaticamente.

Empurrei a porta da cafeteria com mais força que o necessário. Me sentindo meio tola ao notar a ação e rapidamente soltando a porta as minhas costas. O barulho de sua batida foi quase nulo, e agradeci mentalmente por isso. O aroma do café que me levara ali era quase sedutor e me arrebatara de modo único. O balcão foi rapidamente alcançado e a fila em frente ao atendente se dissipou rapidamente, onde puder fazer meu pedido habitual. Enquanto aguardava a entrada de meu pedido no sistema, meus olhos vagarosamente fizeram uma varredura pelo interior do lugar em busca de uma mesa mais afastada. Era época de Natal. A paz, alegria, harmonia e amor estavam pelos ares onde quer que se estivesse, e ali não era diferente. O barulho ao redor era de certa forma reconfortante. Era como se aquele lugar fosse minha segunda casa. Em Londres passava quase todas as horas livres dos meus dias em uma das milhares de cafeterias espalhadas pela cidade. Starbucks havia se tornado um segundo lar. E posso garantir, era muito melhor que o primeiro.

Como de costume me dirigi até os fundos da cafeteria e me acomodei ao meu canto favorito do lugar. Ao menos era o que mais se assemelhava ao de Londres. A xícara com um simples cappuccino encontrava-se intocada desde que a garçonete a colocara diante de mim. Estava tão absorta em meus pensamentos que nem ao menos me dei ao luxo de desviar minha atenção para experimentar a bebida. Retirei do bolso o aparelho celular e o desbloqueei, nenhuma nova mensagem era recebida a quase uma semana. Fora tão rápido e fácil para meus amigos antigos me esquecerem, que não conseguia acreditar. A cafeteria estava começando a ficar cheia, como sempre. A todo momento pessoas entravam e saiam, me distraindo ao fixar meu olhar em um deles e tentar adivinhar o que se passava em suas mentes.

Vez ou outra lançava um olhar preocupado em direção ao carro estacionado do lado de fora e verificava se os seguranças ainda estavam ali. E estavam. Mas eu não pretendia tão cedo dar o fora. Venceria por cansaço os brutamontes dentro do carro. Acenei para eles e sorri docemente, demonstrando minha total falta de interesse em voltar para aquele quarto d e hotel. Puxei de um expositor uma das revistas ali dispostas aos clientes e iniciei de forma lenta a folear suas páginas. Chamei outra atendente e refiz meu pedido. Ela nem se importou em levar a xícara da mesma maneira que a trouxe. Enquanto esperava meu pedido ser atendido, olhei para o lugar à minha volta.Logo outra xícara era posta à minha frente e eu apenas agradeci com um simples "obrigada". Levei a xícara aos lábios, degustando um pouco do delicioso cappuccino, a depositei novamente de encontro ao pires e voltei para a minha interessante leitura.

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I think I fell in love again, maybe I just took too much cough medicine I'm the best worst thing. That hasn't happened  to you.

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Re: [NC] Khalidah A. Stonehaven & Arabella B. Nardorwen

Mensagem por Khalidah A. Stonehaven em Seg 7 Set 2015 - 0:12

Jingle bells, jingle bells, jingle all the way. Não. Oh, what fun it is to ride. Pelos deuses, não. In a one horse open sleig… O rádio relógio que jazia no criado mudo tivera seu fim ao ser arremessado pela janela. — Porcaria de música. — murmurei com a cabeça escondida por debaixo do travesseiro. Ok, fui longe demais jogando a velharia pela janela, mas quem em sã consciência acordaria feliz escutando aquela coisa? É, eu sei, tem gente louca para tudo, mas não vou focar nelas e sim, na pessoa deitada — ou melhor, esparramada — na cama.

A garota mal humorada que está rosnando vários palavrões trata-se de Khalidah Stonehaven. Resumidamente, a garota que está tentando voltar a dormir por detestar acordar cedo, é nada mais, nada mais que eu.

Se tem algo que eu mais odeio que acordar cedo é ter de levantar cedo. Entretanto, depois desta tarefa difícil do dia, tem outras várias coisas que eu odeio, como por exemplo, hoje. O que o dia de hoje tem de especial? Well, além da música ridícula que me despertara, tem também os filmes reprisados todo ano, a decoração, o clima de paz estabelecida por todos, tudo por conta de uma data: vinte e quatro de dezembro, véspera de Natal. Honestamente, acredito que o amor, paz e união deveriam estar presentes todos os dias e não somente em uma única data. Além do mais, se tem algo que eu tento evitar com todas as minhas forças — que eu tenho, mesmo sendo garota — é ter que lhe dar com a família reunida.

Stonehaven’s juntos: uma bomba relógio prestes a explodir.

Nos anos anteriores, eu, como uma excelente filha — que não era —, ajudava (ou tentava), Louise vulgo mãe a fazer os preparativos da festa tradicional que nossa família era anfitriã. Lembro-me vagamente que Louise tentava me ensinar a como receber os convidados e entretê-los para terem uma noite agradável. Em outras palavras, a progenitora ensinava-me a fingir ser a filhinha perfeita, que tem uma família perfeita e que é a opção perfeita para um casamento multimilionário. Comecei a notar seus derradeiros motivos assim que meus peitos cresceram num tamanho razoável para chamar atenção de um rapaz qualquer.

Moral da história: nem mesmo na véspera de Natal, minha família se esquecera de manipular as pessoas ao redor para conseguir o que almejam.

Agora, depois de finalmente desperta dos motivos que cercam a sociedade e que a vida não é tão bela quanto os filmes que Disney mostra para as criancinhas — que só iludiu metade da população infantil com seus contos felizes para sempre. Pude, finalmente, livrar-me das vontades de Louise — mesmo que ela continue a tentar — de fazer-me o par perfeito.

Contra a minha vontade, estava de pé, teria de acordar mais cedo que todos naquela casa se meu plano de não-participar-da-falsa-família-feliz desse certo. Tomei uma ducha para tirar a cara de sono, escovei os dentes e me vesti.

Atravessei o corredor com a expressão rotineira de poucos amigos, porém, tive que vislumbrar a visão do inferno quando encontrei Nathaniel fazendo uns movimentos de vai-e-vem sobre a cama enquanto uma mão arranhava suas costas nuas acompanhada de gemidos parecidos com um cachorro no cio — e nem cachorra faz esse barulho irritante, só para deixar claro.

Será que a mão se deteriora pela simples ação de fechar a porra da porta? — Disse em alto e bom som para o lordizinho de merda escutar. Não sou obrigada a ter pesadelos por conta disso e nem ninguém no planeta terra e do sistema solar merece. Eca.

Ouvi risos por trás de minhas costas, mas não precisei olhar pra saber que se tratava da namorada vagaba do meu irmão. Inacreditável como eu tenho que ter sangue de barata para aturar essa vadia fingindo que possuí algum tipo de sentimento por Nath — quem no mundo iria gostar dele? Eca. Mil vezes eca!

Desci as escadas enojada, quando, de repente, bato o rosto de frente a uma parede. Na verdade, nem era uma parede, era um peitoral. Ergui as orbes lentamente até deparar-me com aquelas íris azuladas. Céu, é essa a palavra, aquele azul lembrava-me o céu azul límpido e infinito. Como posso sentir nojo de um irmão enquanto sinto desconforto com outro? Rapidamente desviei o olhar ao notar que fitara por tempo demais.

Khalidah. — Oh, aquela boca murmurou meu nome com uma frieza que deixara todos os músculos do meu corpo tencionados. Então seria assim que ele me chamaria dali para a frente? Khalidah? Sem Kha, sem Khali, sem pequena? Era melhor chamar-me de monstro, se for para ser assim. Empurrei-o com firmeza, mesmo sentindo que minhas mãos estavam tremulas. Precisava sair. Agora.

Corri. Corri como uma garota assutada. Não escutei um “espera”, não escutei um “volte” não escutei “Khali”, nada que eu desejava que acontecesse se concretizou. Por que ele estava ali? Por que não passara o Natal longe? Ele não decidira ir embora para não precisar fitar a irmã defeituosa todos os dias? Droga. Não vou chorar. Não vou.

Mordi os lábios com força, segurando as lágrimas para não ousarem a sair de meus globos oculares. Porém, não é que as desgraçadas me contrariaram? Lá vão elas, transbordando e fazendo um caminho até meu queixo. Argh.

Ergui o capuz do moletom sobre a cabeça para que ninguém me visse naquele estado lamentável. Acredito que a única coisa que as pessoas ao redor puderam ver é uma garota correndo loucamente e gritando em cada dois segundos “merda”. Ah, foda-se, eles não pagam minhas contas, são os velhos interesseiros do meus pais que eu também quero que se fodem lindamente, mas não naquele sentido, no sentido de foder mesmo. Ah, foda-se a explicação também.

Sequei as lágrimas com a manga da blusa, e, não percebi que tinha corrido praticamente dois quarteirões com a confusão que meu estado mental causara. Porém, eu sabia exatamente onde minhas gloriosas pernas me levaram — o único lugar em Miami que me deixara escapar e dar a tranquilidade para colocar os pensamentos em ordem. Starbucks. Empurrei a porta de vidro com ambas as mãos, sem me importar com a força sobreposta que fizera a porta ir e voltar umas duzentas vezes atrás de mim para voltar a posição original. Vários olhares em minha direção e nenhum deles eram amigáveis.

Café expresso, grande. — Não deixei o atendente dizer aquela frase típica de “bom dia, qual seu pedido?” Foda-se a cortesia, eu quero meu café quentinho pra ontem. O rapaz balançara a cabeça positivamente sem a menor vontade do mundo, mas fingindo ter toda a vontade do mundo. Não o culpo, trabalhar em véspera de feriado deve ser uma merda. Meus pêsames. Afinal, alguém tem que ficar para atender pedidos de clientes que aparecem desesperados por cafeína mesmo em datas comemorativas. Quem será que faz isso? Hein?

Só aguardar que seu pedido será servido. — Alguns botões apertados e plim, próxima da fila de espera para fazer café. Olhei ao redor. Cheio. Ok, não sou a única louca a ir ao Starbucks nessa época magnifica do ano. O pior de tudo: não tinha lugares sobrando… Er, na verdade tinha um, próximo a janela em um canto no fundo. Ah, foda-se, estabelecimento é para todos os clientes, então eu posso me sentar onde bem entender.

Em passos firmes aproximei-me na respectiva mesa onde havia uma garota fitando uma revista de moda. Argh, pelos deuses, não me diga que é aquele tipo de patricinha? Não fugi o ano todo desse tipo de ser não-identificado — que não é denominado ser humano, em vista que faz uma dietas que não são nem de seres de outro planeta — para ter que deparar-me com uma justamente hoje. Ah, foda-se, só quero café.

Sem delongas, depositei minha bunda no assento, com os braços cruzados a espera do meu pedido que chegara fumegante alguns segundos depois. Precipitei-me em tocar a xícara, o que resultou em um desastre: eu queimando meus dedinhos, a xícara escapando da pegada de minha mão e o líquido preto esparramando sobre a mesa respingando e empapando toda a mesa, inclusive a revista que a morena estava lendo, ou fingindo ler. — Puta. Que. Pariu. — Rosnei, soprando desesperada minha mãozinha que ardia. Sacudi feito uma retardada tentando me livrar da queimadura inofensiva, mas que no momento ardia muito, fiquei preocupada em fazer a mini dança do aserehe no ritmo ragatanga que só depois dei conta do desastre que fizera com o artigo que a garota lia. — Ops. Foi mal. Olha pelo lado bom, esses modelos esqueléticas nem são tão atraentes assim. — Argumentei, ainda sacudindo a mão. Ela deveria me agradecer, com certeza aquela revista nem era tão boa assim.


Oh, fuck
this is a bullshit
my beaty coffee is done

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Re: [NC] Khalidah A. Stonehaven & Arabella B. Nardorwen

Mensagem por Arabella B. Nardorwen em Seg 7 Set 2015 - 22:14

you say sorry
just for show

De fato estava entretida com uma reportagem qualquer da revista. Meu interesse era puramente cômico. Me questionava a respeito de que tipo de pessoa comprava aquele tipo de publicação. Meu cotovelo estava apoiado sobre a mesa, assim como a revista, e minha cabeça descansava sobre minha mão esquerda. Estava totalmente absorta em minha leitura nada complementar para a formação de meu intelecto, mas de qualquer maneira me distraia do mundo ao redor. O clima de natal envolvia a cidade de um modo que eu sinceramente não entendia. Minhas maiores lembranças de natal envolviam presentes caros e uma criança só em volta da lareira. A criança no caso era eu, que somente tinha por lembrança de meu pai os presentes incontáveis que substituíam em vão a sua presença.

Ouvi o pigarro da garçonete em chamar minha atenção e lhe lancei um olhar confuso. Seu semblante demonstrava certa impaciência devido ao meu descaso com sua presença. Seus olhos foram em direção a minha xícara ao meio da mesa. — Deseja outra, senhorita? — Sorri de forma envergonhada ao responder afirmativamente seu questionamento. Com toda a certeza ela deveria estar ansiosa para ir para casa, passar o natal com sua família, abrir presentes, essas coisas todas bem clichês. Eu só queria outro café. Enquanto ela se retirava com o que anteriormente estava em minha mesa, meu olhar mais uma vez vasculhou o perímetro. Era impossível não se distrair e prestar atenção nas conversas alheias. Todos pareciam eufóricos demais, felizes demais. Era incrível como o clima natalino mudava as pessoas.

Olha mamãe, minha boneca ganhou um vestidinho novo! — A menina de longos cabelos dourados e olhos azuis da cor do mar exibia estupefata a peça de roupa nova adquirida para sua boneca. Sorri enquanto me deliciava com a cena. No fundo, invejava a garota por aquele momento. Nunca tivera a oportunidade de vivenciar tal experiência e não sabia como era a emoção de exibir um presente novo para um familiar tão amado. Minha atenção ao momento mãe e filha se dispersou com a presença da garçonete outra vez. Mary era seu nome, ao menos era o que constava no crachá preso em sua blusa decotada demais. Seu sorriso demonstrava o cansaço e ansiedade para se mandar, mas mesmo assim ela demonstrava o mínimo de educação para com os clientes. Todos ali a minha volta tinham uma história de vida, uma família, um motivo para comemorar. Menos eu. Olhei para o aparelho celular posto sobre a mesa.

O contato em minha agenda foi localizado rapidamente. Um toque depois e imediatamente o tom grave atendeu. Olhei para o lado de fora do vidro, mais especificamente para o carro. A porta já estava aberta e um dos brutamontes me observava atentamente em busca de qualquer sinal de perigo. — Espera! Não é nada demais. — Suspirei cansada, o observando ao longe e falando sinceramente. — Me desculpe por antes. É véspera de Natal e eu não deveria trata-los assim. — O homem adentrou o carro novamente, afastando o aparelho do ouvindo e provavelmente colocando a ligação no modo alto-falante. — Eu só quero respirar um pouco e sei que vocês devem estar ansiosos para ir para casa. — Os homens se entreolharam e percebi que minha tática começava a dar certo. — Sejam sensatos e tirem o resto do dia de folga. Eu ficarei bem. E sei voltar para o hotel. — Mas logo a premissa de que entrariam em problemas surgiu entre nosso diálogo. Lhes garanti que palavra nenhuma a respeito daquilo seria mencionado e voltei a ressaltar que ficaria bem. — É véspera de Natal. Pensem nisso como um presente mútuo. Feliz Natal rapazes. — Desliguei a chamada antes de obter qualquer objeção ou possível resposta negativa. Sorri para eles, que mesmo de longe ainda trocavam olhares preocupados e mantinham a sentinela.

Posicionei o aparelho telefônico outra vez sobre a mesa e voltei minha atenção para as páginas da revista. Uma das matérias captou meu interesse ao ser intitulada “10 maneiras de conquistar seu homem de vez!” Um riso sibilou entre meus lábios, mas não o expandi audivelmente, não era para tanto. Estava no item sete da matéria quando notei a mesa mexer e a cadeira a minha frente fazer barulho ao ser arrastada. Meus olhos vagaram das páginas do exemplar editorial para a morena que fez da cadeira vazia a minha frente seu lugar. Antes que qualquer palavra de protesto de minha parte pudesse sequer ser pensada, uma outra xícara fora depositada sobre a mesa, está sendo pertencente a ela, creio eu. Olhei pela vidraça apenas para me certificar de que meus seguranças não se encontravam mais por ali. E não estavam. Mas foi questão de milésimo de segundo para que tudo acontecesse. Ao voltar minha atenção para a garota sentada a minha frente, avistei o liquido quente do interior de sua xícara transbordar e se esparramar pela mesa.

Minha reação inicial foi a de me esquivar de ser o alvo da bebida quente. O tempo necessário para puxar meu telefone de cima da mesa e ver as folhas da revista se banharem de café. — HEEEY! — Minha expressão exasperada denotava minha irritabilidade diante do que ocorria. Por destino, ou carma, ela queimara os dedos ao encostar na xícara quente. Sua expressão indicava sua preocupação em ter queimado a mão e apenas isso. Não aparentava o mínimo de constrangimento pelo café derramado ou pela possível vitima atingida por seu descuido. — Ops? Foi mal? — Repeti suas palavras em total indignação por sua tentativa de se desculpar. Se é que estava tentando. Mas era época de Natal e eu não estava afim de confusões. Além do que, alguns olhares já estavam presos em nossas futuras ações devido a curiosidade dos presentes na cafeteria. Enchi os pulmões de ar e respirei lentamente. — Tudo bem.. — Sorri enquanto juntava alguns guardanapos e tentava amenizar a lambança formada ali. — Mas agora eu ficarei sem saber o final a nona e a décima maneira de como conquistar um homem. — Eu tinha mesmo dito aquilo em voz alta? A garçonete que aparecera para ajudar a limpar a mesa e o restante da plateia me observaram por um segundo.

Ouvi o som da risada vinda do outro lado da mesa e sorri constrangida, desejando ficar invisível e sumir o quanto antes dali. Mary levou a revista ensopada e o que restara de café da garota. Era Natal, eu voltava a repetir para mim mesma. Não seria grosseira ou desrespeitosa com aquela garota, a xícara se vingara por mim. — Mary, outro café expresso, por favor. — Sorri para a garçonete enquanto ainda limpava qualquer resquício de café sobre a mesa. Mirei a garota desconhecida e sorri. — E um pouco de gelo também, obrigada. — Aproveitei para acrescentar ao pedido enquanto a mulher se encontrava em nossa presença. — Para a sua mão. — Fui solicita em responder ao notar o rápido olhar de confusão dirigido a mim pelas duas mulheres. A garota ainda segurava a mão ferida e mesmo sendo uma queimada mui leve, a dor expressa por ela anteriormente fora de fato angustiante.

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