[OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

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[OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Convidado em Ter 27 Out 2015 - 15:06

see you again

A postagem ocorre entre Ralph Kron e Shannon Kempner e está fechada para qualquer um que não tenha sido convidado. Passando-se esta no início do período letivo, na Ocean Drive. O conteúdo é livre. A postagem está em andamento.
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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Ralph Balder Kron em Ter 27 Out 2015 - 16:30




just a shot in the dark


Já faziam duas horas que estava esperando pelo meu vôo que estava atrasado. Não sou exatamente um cara paciente. O aeroporto de Frankfurt tinha acabado de entrar para a minha lista negra. Eles acham que estão com os sites congestionados por conta da quantidade de clientes? Aaa, eles vão ver o que é um congestionamento quando eu invadir os computadores das companhias aéreas e incluir clientes fantasmas. Sim, sou um pouco vingativo também. A faculdade de Frankfurt que espere até o ano letivo deles recomeçar, aí sim vão saber o que é um caos digital no período das matrículas. O worm já foi plantado no PC da secretaria, e está esperando só pela hora certa para que o caos começasse. Se eles queriam me expulsar, agora teriam um motivo real para me expulsar. Qual é! Ser expulso só porque vazaram alguns vídeos de estudantes assanhadas de lá fazendo sexo? E por mais que tivesse realmente sido eu o autor do "transtorno" estudantil, nenhum deles tinha prova nenhuma para afirmar que a culpa era de fato minha. Eu sei cobrir muito bem os meus rastros cibernéticos.

Enfim,  águas passadas não movem moinhoa, não é mesmo? Por sorte consegui entrar em contato com uma antiga amiga que não só moveu uns pauzinhos pra eu entrar na faculdade de Miami quanto de cara já me colocou na fraternidade em que estava. Ah, e quando eu digo antiga, é antiga mesmo! Acho que nos conhecemos quando tínhamos 10 anos ou mais ou menos isso aí, talvez Shannon tivesse um pouco menos. Ela era bastante divertida para uma menina, porque né, que tipo de menino dessa idade diria que uma garota era legal? Era pedir pra ser zoado por alguns anos. Agora que se passaram 10 anos desde a última vez que nos vimos e eu só conseguia pensar naquela foto dela no Instagram, o tempo foi generoso demais com a menina, eu tinha que admitir isso. O lado ruim é que fiquei sabendo que ela está namorando um fulano aí, não que eu seja um cara ciumento, né. Mas vai que o futuro corno é?

Depois de algumas muitas horas de viagem, finalmente eu estava em solo americano e por mais que meu inglês fosse muito bom, era engraçado a reação deles ao notar o meu sotaque alemão carregado. Passei por toda aquela burocracia americana que pelo visto até hoje não entendeu que a guerra fria acabou e fui liberado após vasculharem minha bagagem toda. Eu já ia comprar um mapa da cidade para saber exatamente como chegar no local que haviamos combinado na Ocean Drive pra nos encotrarmos, mas então lembrei que tinha GPS no meu celular. Coloquei as coordenadas e depois de carregar minha amiga inseparável, que veio no compartimentos de carga, estava pronto para ir. Minha amiga inserparável? Ah, era só uma Harley Davidson Night Train, eu a apelidei de Beckie. Com as coordenadas estabelecidas, eu finalmente parti em encontro de Shannon. Acho que cheguei uns dez minutos antes do combinado em uma cafeteria da avenida. Estacionei Beckie ali perto da cafeteria e fiquei de olho nela, já estava com toda mina bagagem ali. Aguardei pela jovem e caramba, como aquele pessoal aguentava um lugar tão quente?! Pedi o que eles tinham de mais gelado por lá e fiquei esperando pela minha "guia turística".

valeu @ carol!





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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Convidado em Ter 27 Out 2015 - 20:36


Nice to see you.
Hold on, take a minute, love, cause I ain't trying to mess your image up like we mess around in triple cuffs. Stumble 'round town, pull your zipper up.


 Aquela nova fase da universidade fazia com que todas as minhas forças fossem sugadas de uma forma absurda. Sério, estava começando a achar que se tratava de um buraco negro do meio de Miami e que eu estava sendo arrastada para dentro de algum lugar horrível. Minha vida estava uma loucura nos últimos dias: eram novatos para ajudar se encontrar no campus, era gente para orientar em como conseguir entrar para fraternidades, era aulas e seminários e trabalhos. Tudo quase de uma vez só. Resumindo, eu estava um trapo e precisando de uma distração. E ela chegou de uma forma inesperada:

Ralph.
Eu havia ficado um pouco surpresa demais quando ele entrou em contato comigo, duas semanas atrás, com uma história recente um tanto que interessante. A última vez que eu o havia visto fora uns dez ou onze anos atrás, numa festa que papai havia planejado, ainda na Europa, onde o pai do menino era responsável por toda a estrutura de entretenimento. Tudo bem que a gente mantinha contato, uma vez ou outra, pelas redes sociais e que eu curtia a maioria das fotos que ele postava no Instagram, mas a última imagem real que eu tinha do garoto, continha sorvete em excesso e roupas sociais totalmente sujas. Pensar em revê-lo era no mínimo animador. Com duas ou três idas à reitoria da University of Miami – e talvez um telefonema para meu advogado – finalmente consegui a papelada necessária para o translado do recém-desenvolvido homem e uma vaga no Gamma Phi Beta, considerando que, com uma pesquisa mais aprofundada, descobri que ele era um gênio na parte de informática. Desculpe se soarei um pouco convencida demais ou com o ego inflado de uma maneira exagerada, mas eu era uma pessoa incrível.

Estava uma tarde quente naquele dia. Não que fosse diferente nos outros, era Miami afinal, mas estava mais quente do que o habitual. Trajava um short jeans escuro – falando neles, quando minhas coxas ganharam músculos tão desenvolvidos? Sério, o jeans estava um pouco apertado -, uma camiseta cavada branca e um par de vans nos pés. No rosto, meu inseparável Ray Ban redondo. Caminhava pela calçada com pressa, procurando qualquer tipo de sombra para me enfiar. Estava atrasada dois minutos, e qualquer ser que me conhecia bem sabia que eu odiava atrasos. Eu era quase uma inglesa. A primeira coisa que avistei ao chegar ao local combinado fora a moto enorme estacionada na porta. Pelo pouco que conhecia de Ralph e sua áurea de badboy, chutaria dizer que ela a pertencia. Adentrei o estabelecimento e corri os olhos por lá, avistando a figura masculina, de costas e entretida, que via apenas por fotos. Caminhei até ele e inclinei o pouco a parte superior do corpo, de forma que eu conseguisse deixar a boca próxima ao ouvido dele. – Bu.


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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Ralph Balder Kron em Ter 27 Out 2015 - 21:30




just a shot in the dark


 Eu estava mexendo no smartphone, tentando convencer a minha mãe de que estava tudo bem e que eu seria um bom menino e que meu vôo foi tranquilo. Acho que minha mãe pensa que tenho cinco anos ainda. Ou era só a síndrome do ninho vazio mesmo. Era a primeira vez que ela me via tão longe assim. No fim resolvi ignorar momentaneamente as mensagens dela e passei a apreciar um pouco melhor a paisagem de Miami. Pelo menos o calor tinha lá as suas vantagens, quanto mais quente, menor é a roupa do público feminino. Por trás do óculos escuros no estilo aviador, eu assistia cada pedaço de mal caminho que quase fazia o meu coração parar e o calor aumentar sutilmente. Se não estivesse em um estabelecimento comercial, muito provavelmente eu estaria sem camisa ali. Dei mais um gole naquela cerveja aguada que os americanos tinham, que pelo menos estava trincando de gelada.

Eu não posso dizer que conheço Shannon como a palma da minha mão, então eu não podia saber se aquele pequeno atraso continuaria daquele jeito ou se tornaria em um atraso imenso. Estava um bocado distraído assistindo uma loira linda andando de roller pela calçada e usando um short justo e curto e apenas um top para segurar seus incríveis melões artificiais e aproveitando para tirar uma foto de todo aquele conteúdo quando escutei aquele "bu" ao pé do ouvido. Pronto, eu tava fodido, no meu primeiro dia na América eu já seria preso por uso indevido da imagem dos outros. Meu coração disparou e meu sangue gelou, mas quando me virei para encarar quem me abordava, vi que era Shannon. Ainda com os óculo escuros, eu girei um pouco o corpo para poder encará-la. E caramba, aquela era a mema garotinha que eu conheci? Tá certo que eu vi sim algumas fotos dela mais velha pelo Instagram, mas nada podia me preparar para aquela visão.

Pigarreei só para retomar o controle dos meus próprios pensamentos e me levantei para cumprimentá-la. Eu trazia um sutil sorriso nos lábios e me adiantei para abraçar a garota que de forma alguma era mais aquela menininha com quem eu brinquei de pique-pega. - Hey, Shan! Há quanto tempo! Você está ótima! - isso pra não falar que ela estava um pecado de tão gostosa, mas ela não precisava que eu dissesse aquilo para ela.  Puxei uma das cadeiras para que ela pudesse sentar-se e próximo e perguntei com aquela minha voz meio arroqueada e o sotaque alemão carregado. - Como você tá? Quer beber alguma coisa?  

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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Convidado em Ter 27 Out 2015 - 22:51


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 Estava na cara que Ralph se assustou muito mais do que deveria. Qual é, não foi um berro ao pé do ouvido para que ele ficasse nervoso daquela maneira. A não ser que o garoto – que de garoto já não tinha mais nada – estivesse fazendo alguma coisa completamente errada. Não pude evitar o sorrisinho sacana no canto dos meus lábios, imaginando o que diabos ele estava fazendo. Homens... Puxei os óculos escuros para o topo da cabeça, liberando meus olhos para toda aquela claridade da tarde. Estava absurdamente claro ali, já que Ralph havia escolhido uma mesa próxima a enorme janela de vidro. Arqueei uma sobrancelha para o homem, me sentindo um pouco incomodada com o olhar que ele havia me lançado. Ele, literalmente, havia me comido com os olhos. Corei. – Huh, obrigada. Você está ótimo também, Ralph. E limpo! Lembro que da última vez que estive com você, havia meio quilo de sorvete na sua camisa. – Soltei uma baixa risada nasal, retribuindo o abraço no meu “amiguinho de infância” e aceitando o fato de ele ter puxado a cadeira para mim. Sentei-me, pondo-me a observar a movimentação da calçada e organizando as ideias do que teria que falar para ele. Eram tantas informações que certamente o deixaria perdido. Tomei uma respiração, voltando os olhos para a figura sentada a minha frente.


Certo. Ralph estava mais maduro do que aparentava virtualmente. Os pelos no rosto estavam estrategicamente aparados, assim como o cabelo. Os olhos continuavam os mesmo que me lembrava. Músculos haviam se desenvolvido em lugares estratégico, dando aquele estereótipo de garoto cujo algumas meninas babavam no campus. Ele nada se aparentava com um nerd. Ele era perfeito para minha irmandade. Franzi a testa, lembrando-me da curiosidade que estava martelando em minha cabeça desde o dia do primeiro contato.  – O que raios você arrumou, afinal de contas? Ser expulso de uma faculdade é um fato um tanto que... Bizarro. – Repreendi a vontade de rir (aquilo se tratava de um caso sério, mas conhecer alguém que fora expulso de uma instituição de ensino era divertido), esticando o braço e pegando o cardápio que se encontrava no centro da mesa. Passei os olhos rapidamente, já sabendo que o pedido final seria o mesmo de sempre. – Um chá gelado de pêssego ou de limão cairia bem. Não me lembro de sentir tanto calor aqui igual estou sentido hoje. – Divaguei. Eu sempre ficava em dúvida em qual sabor pedir. Limão tinha aquele azedinho maravilhoso, enquanto o de pêssego adoçava a boca de uma maneira suave. – Limão. Não, pêssego. Sim, pêssego. Quero um chá gelado de pêssego, por favor. – Sinalizei ao meu acompanhante, fazendo uma careta para a expressão de riso que lhe fazia presente no rosto.
Após a garçonete pegar meu pedido – e lançar um olhar de cobiça tão profundo a Ralph que até eu senti -, larguei o cardápio, apoiando as mãos na madeira mogno e ajeitando a postura na cadeira acolchoada. – Então, como está sendo sua primeira impressão da Terra do tio Sam? – Indaguei com um sorriso nos lábios.


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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Ralph Balder Kron em Qua 28 Out 2015 - 0:01




just a shot in the dark


 Não era minha intenção ficar encarando minha amiga de infância daquele jeito, mas eu simplesmente não resisti ao olhar mais invasivo e era sorte minha estar com os óculos escuros ainda, ou ela perceberia que definitivamente o meu olhar não era nem um pouco inocente. Quando percebo que ela corava – e não sem motivo – desviei um pouco o olhar e tirei os meus óculos para colocar em cima da mesa. Naquele dia eu usava uma camisa vermelha com o símbolo de um raio amarelo, claramente uma referência ao Flash. Quando ouvia aquele comentário, arqueava ambas as sobrancelhas e logo rebatia com um estreitar de olhar – Se eu bem me lembro, quem sujou a minha camisa de sorvete foi você e sua falta de coordenação motora. Não me venha com essa que eu tomo banho toda semana! Falava com um tom brincalhão e um ar um pouco nostálgico. Quando ela me indagou os motivos de ser “convidado a me retirar” da faculdade, eu fiquei um tempo em silêncio e tomei mais um gole da cerveja gelada antes de finalmente responde-la em um encolher de ombros. – Me acusaram sem provas de ter espalhado uns vídeos aí pelo campus. E mesmo sem provas, ele me convidaram a me retirar de lá. E aqui eu estou! Acho que também estava precisando respirar novos.. ares. – enquanto eu falava duas gêmeas idênticas e deliciosas passavam pela rua usando biquínis e saída de praia e foi por isso que fiz aquela pequena pausa dramática durante minha fala. Cheguei até mesmo a tombar um pouco a cabeça para acompanhar melhor o gingado das duas.  

Achava divertida toda indecisão dela em relação ao que beber e enquanto a garçonete estava lá, dividindo a atenção entre a loira indecisa e o alemão boa pinta. Aproveitei a falta dos óculos para deixar uma piscadela discreta para a garçonete que até saía de lá mais feliz para trazer o pedido de Shannon.  Se você está aí achando que sempre esbanjei essa alto confiança está bastante enganado. Até os meus 15 anos eu era um cara mirrado, que usava aparelho e era cheio das malditas espinhas. O que me fez recorrer a outros passatempos, como o computador, foi atrás daquelas telas que passei a maior parte do meu tempo e foi por esse motivo também que me tornei um hacker tão experiente e quase impossível de ser rastreado. E apesar de toda essa inteligência cibernética, nunca cometi crimes como roubar dados bancários das pessoas ou outro tipo de golpe, por mais que soubesse exatamente como fazer tudo isso. Foi em um acampamento de verão desastroso que resolvi dar um jeito naquele estilão geek de ser. Comecei a malhar diariamente e bom, o tempo foi o responsável pelo resto. Os dentes se endireitaram, as espinhas sumiram e adquiri massa muscular com os exercícios e como consequência, a minha autoestima foi para as alturas, principalmente ao perceber os olhares diferentes que as garotas lançavam para mim agora.

Bebi o último gole da minha cerveja e encolhi os ombros quando a bela loira me fazia aquela pergunta. Me ajeitei de um jeito mais folgado na cadeira e respondi finalmente. -  Definitivamente aqui é bem.. quente.. – Disse com um certo duplo sentido. - .. mas, acho que vou conseguir me adaptar. Me diz, o que mais de bacana dá para fazer por aqui, Shan?  

valeu @ carol!


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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Convidado em Qua 28 Out 2015 - 14:04


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 Não pude evitar semicerrar os olhos quando ele mencionou minha falta de coordenação quando mais nova (que por acaso prevalecia até os dias atuais). Não era segredo nenhum, nem pra ninguém, que eu tinha duas pernas e dois braços esquerdos, mas alguém falar assim, na minha cara, que eu era desengonçada era um tanto que provocativo – ou talvez eu estivesse apenas entrando na pilha dele. Desci os olhos para a camisa que ele usava, em um ato automático e sorri de lado ao ver o símbolo do Flash ali. Tudo indicava que eu não estava sozinha quando o assunto era super-herói. Me reencostei na cadeira, cruzando os braços sobre os seios e voltando a encarar os olhos claros. Pigarreei, forçando minha melhor voz de irritada que havia aprendido com os anos de teatro. – Primeiramente saiba que aquele seu outro amigo, que não sei o nome até hoje, colocou o pé na minha frente e eu tropecei com minha sobremesa. Você estava no lugar certo na hora certa. Eu teria caído feio se você não tivesse me segurado. – Pisquei um olho, em sinal de um agradecimento atrasado. Ralph continuou falando e devo admitir que meu queixo caiu alguns bons centímetros quando ele explicou o motivo de ter sido expulso. Aquilo era ilegal! Quero dizer, qualquer ser pensante na face da Terra sabe que provas são indispensáveis quando o assunto era acusação. Ainda mais uma daquela magnitude. Tornei a inclinar o corpo para frente e apoiar os braços na mesa entre nós dois, perplexa demais para me manter neutra ou fazer alguma piadinha sobre o caso. – Mas você não fez isso, fez? Digo, você não tem cara de quem faz isso. Nem um pouco. – A frase que seguiu a pergunta era mais uma autoafirmação do que tudo. Eu não queria acreditar que meu amigo de infância, que muitas vezes brincou de pique-pega comigo, havia exposto alguém daquela maneira. – E pare de secar as garotas, Balder! Isso é grosseiro e um pouco nojento. – Joguei uma bolinha feito de guardanapo nele, acertando bem no meio da testa e lhe oferecendo uma careta.


Recebi meu chá de bom grado quando este foi posto a mesa, agradecendo com a cabeça a garçonete que ainda paquerava meu amigo de uma forma descarada. Tomei um gole longo, saciando quase toda a sede e acabando com a garganta seca. Deixei o copo na mesa novamente, erguendo os braços até a altura do rosto e prendendo meu cabelo em um coque frouxo, aliviando ainda mais o calor que habitava em mim. – Vou desconsiderar esse seu lado explodindo em testosterona e concordar com o fato de se acostumar com o calor. – Inclinei a cabeça levemente, me decidindo se ria ou não. Acabei por franzir o nariz, pensando nos pontos turísticos e atividades que Miami proporcionava. – Tirando as praias, definitivamente Disneyland é a melhor parte de se morar aqui. Uma hora de viagem e estamos lá. Isso é incrível, não é? – Disse animada, sem esconder aquele lado infantil meu quando se tratava dos parques temáticos. – Mas, pra você, acho que festa soa sendo mais divertido. Existem várias, em todas as estações do ano. Na praia, em clubes e no campus. Estão por todas as partes. – Apoiei o cotovelo na mesa, descansando, em seguida, meu queixo na mão. Ainda o olhava nos olhos. – E tem a parte cultural também. Eu sinceramente adoro. – Batuquei os dedos da mão livre da mesa, pegando meu chá novamente e o bebericando.


Voltar a ter contato com Ralph era algo realmente legal. Ele me lembrava de casa e de infância. Sorri sozinha, pensando que poderíamos voltar a ter os momentos divertidos que costumávamos ter antes de eu me mudar. – Hey, temos que conversar sobre a universidade. Você precisa passar na reitoria pra assinar uns papéis que faltaram, montar sua grade de aulas e conhecer sua nova irmandade. Saiba desde já que eles são uns chatos quando querem. – Falei quando me lembrei do verdadeiro sentido de estar ali naquela hora. 


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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Ralph Balder Kron em Qua 28 Out 2015 - 18:07




just a shot in the dark


 O sorriso divertido não saiu em momento algum dos meus lábios. Era como se aqueles dez anos afastados nunca tivessem acontecido e que aquela amizade infantil ainda permanecesse a despeito do tempo. Ela contava versão dela daquele ocorrido e tive que manear o rosto e sorrir antes de responder – O nome dele era Trevor e acho que ele tinha uma quedinha por você, já que ficou um verão inteiro perguntando de você. E não precisa agradecer por não ter deixado você se estabacar no chão. Maaaaas... – fiz aquela pausa dramática novamente enquanto fazia uma expressão pensativa e colocava minhas mãos atrás da cabeça. - ... você me deve uma camisa nova, nunca conseguiram limpar aquela calda de chocolate da minha.. – Aquilo podia não ser totalmente verdade, mas era uma ótima desculpa para poder sair com a loira novamente. Vi o quanto ela ficou chocada com as razões da minha “expulsão” pela expressão que ela fazia. Bom, eu não fui exatamente expulso para que o problema não gerasse uma má imagem sobre a faculdade ao expulsar um estudante sem ter provas para isso. E foi por isso que eu fui gentilmente convidado a me retirar e virei persona non grata no campus da faculdade. Quando ela perguntou toda curiosa se eu tinha ou não feito o que me acusavam e apenas sorri um tanto misterioso antes de responder. – Nunca encontraram uma prova de que fui eu.. portanto.. – deixei no ar aquela conclusão, como se ela não precisasse de uma explicação maior e outra, mesmo em um país diferente, eu não iria criar uma prova contra mim ao confessar para ela que eu tinha feito aquilo.

Era então que Shan ralhava comigo por apreciar a paisagem e me acertava aquela bola de papel. Eu tive que dar uma boa gargalhada e levantar as mãos como sinal de inocência antes de comentar. – Me desculpe, mas eu não estou acostumado a ver esse tipo de cena em Frankfurt! Vocês tem um estilo totalmente diferente de se vestir aqui em Miami. – Apesar de falar aquilo, eu dei uma maneirada nas encaradas e prestei mais atenção na garota enquanto ela falava.  Ela começa a listar o que tinha de legal para fazer por ali e logo de primeira falava em Disneylândia? Vocês vão me desculpar a sinceridade, mas nunca vi muita graça em animações  e outros filmes da Disney se o parque não tivesse algumas montanhas russas bem legais, provavelmente a minha careta de desagrado seria um pouquinho maior. Shannon acertou direitinho quando dizia que eu ia preferir as festas e clubes noturnos. Inclinei um pouco o corpo até a mesa também, a fitando com minhas orbes azuladas. Ela falou sobre a parte cultural da cidade e aproveitei para surrupiar o copo de chá gelado dela e dar uma boa golada, terminando com bebida da garota só para provoca-la logo após ela ter bebericado o chá.  

A fitei com aquele ar moleque arteiro e voltei a me recostar na cadeira com as mãos atrás da cabeça. Shannon lembrava do real motivo por estarmos tendo aquele encontro e assenti com a cabeça diante do que ela dizia que eu precisava fazer na reitoria ainda.  - Certo, assim que você terminar o seu chá nós podemos ir para a faculdade fazer toda a parte burocrática que ainda falta e conhecer meus novos irmãos e irmãs chatos. Mas podemos fazer uma parada onde será meu quarto antes? Só pra não ficar carregando essas coisas pra cima e pra baixo. – Brinquei em relação ao chá porque eu é que fizera o favor de acabar com o dela. Eu ainda achava um pouco estranha aquela ideia de fraternidades, mas se tinha que me juntar a uma, ficava feliz por ser na que Shannon estava. Ergui o braço para que a garçonete trouxesse a conta e depois de paga, eu poder levar as coisas para o campus de uma vez. Paguei pela bebidas e deixei uma boa gorjeta para a garçonete. Me levantei da cadeira e olhei para a garota, perguntando com uma sobrancelha arqueada. - Você não tem medo de andar de moto tem?

valeu @ carol!



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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Convidado em Qui 29 Out 2015 - 18:23


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 - Ele tinha uma queda por mim? Céus, eu tinha nove anos! Naquela época eu achava que meninos e meninas tinham que viver separados uns dos outros! – Não pude evitar a gargalhada que se originou com aquela afirmação feita pelo homem sobre o garotinho que descobri se chamar Trevor. Naqueles tempos, o máximo que eu me interessaria seria pelo novo filme da Disney ou nos novos brinquedos lançados. Ou por Dianna. Enfim, eu era uma bebezona. Agitei a cabeça para os lados, parando de rir e voltando a atenção para ele. Encostei-me a cadeira novamente, arqueando uma sobrancelha quanto à cobrança de uma nova camisa. – Certo. Eu posso lhe comprar uma camisa nova, embora ache que isso de nunca mais sair a mancha seja uma bela de uma mentira. Era sorvete, Ralph! Claro que saiu. – Lancei-lhe um olhar indignado em companhia de um sorriso divertido, achando aquela situação toda engraçada. Até o presente momento, o castanho estava se mostrando uma pessoa legal de se ter por perto. Era como se aqueles dez anos separados nunca houvessem existido. Fechei o sorriso, soltando um suspiro e coçando a testa. Estava um pouco decepcionada: a forma cuja qual ele havia respondido sobre o ocorrido em sua antiga universidade, mostrava que, talvez, ele tivesse sua parcela de culpa. – Olha, não vamos mais falar sobre isso. Apenas tente manter esse seu lado gênio voltado para coisas que realmente valem a pena, ok? Sendo você o culpado ou não. – Dei de ombros, tentando espantar aqueles mil e um pensamentos sobre ele e seu ato – que pode ou não ter ocorrido. Eu não o julgaria.


Não pude evitar repreender Ralph com o olhar. Sim, a forma de vestimenta das garotas e garotos de Miami era diferente do que estávamos acostumados a ver na Europa. O clima ali era quente, aclamava por pouco pano e mais pele à mostra, porém não era desculpa para aquilo.Mas isso não é uma desculpa para comê-las com os olhos, Kron. Tenha em mente que é totalmente normal usar apenas biquíni ou sugas por ai. Estamos no litoral. – Girei os olhos, como se aquilo fosse uma coisa óbvia. Estendi o braço direito para pegar meu copo novamente, porém ele foi mais rápido e tomou todo o conteúdo do recipiente em um gole. Naquele momento eu quis estapea-lo de todas as formas possíveis. Era meu chá! – Você é um homem morto. – Comentei sem desgrudar meus olhos do copo vazio. O conteúdo que havia ficado no copo não era nada mais, nada menos, que minha parte favorita. Eu sempre demorava um pouco mais para degustar aquela parte em especial. Bufei contrariada. – Quer saber de uma curiosidade? Existe um clube, CEM, que tem as melhores festas da cidade. Eu sou dona de lá, junto com meu melhor amigo. Eu ia te dar um cartão VIP como presente de boas-vindas, para poder entrar lá quando quiser, mas esqueça disso. Você tomou meu chá e acabou de perdê-lo. – Abri um sorriso com um toque maldoso, me sentindo totalmente vingada. Aguardei ele pagar as bebidas para me levantar rapidamente e seguir para a saída da loja. Era hora de resolver a parte burocrática e começar a ser a guia daquela montanha de músculo.


Eu encarava aquela moto um tanto que interessada. Era um modelo bonito, e provavelmente chamaria bastante atenção no campus. Virei o rosto lentamente para encarar Ralph, um sorriso brincando no canto dos lábios. – Respondendo sua pergunta, eu piloto uma Kawasaki H2R. Então eu acho que não tenho medo de motos. – Dei uma tapinha amigável em seu ombro e adiantei alguns passos em direção a motocicleta, montado na parte onde o carona certamente ficaria sem dificuldade alguma. Desci os óculos para o rosto novamente, protegendo meus olhos, e soltei os fios dourados do coque mal feito com um agitar de cabeça forte. – Vamos lá, Senhor Músculos, temos muitas coisas para fazer ainda. E pare de babar, não sou para seu bico. –  O final bem humorado e com um tom de sarcasmo indicava que estava confortável ao lado do meu antigo amigo. Aguardei.


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Re: [OD] - Shannon Kempner & Ralph Kron

Mensagem por Ralph Balder Kron em Qui 29 Out 2015 - 20:13




just a shot in the dark


  – Você não entende nada de psicologia masculina dessa idade, Kempner. Quando um menino tem 10 anos, ele tem um instinto quase de homem das cavernas, saca? Quanto mais ele irrita a menina, mais gosta dela. E minha teoria faz todo o sentido, já que ele ficou perguntando de você depois. – rebati com um meio sorriso, dando por encerrada aquela questão. Quando entrou em pauta a camisa e uma descarada acusação à minha pessoa.  Tudo bem que eu estava mentindo sobre a camisa, mas isso não dava o direito para ela dizer que aquilo! Olhei de um jeito um tanto astuto para a garota e sem perder o rebolado, mais uma vez rebati as palavras dela. – Não era só sorvete! Tinha calda e confeitos naquilo lá! Virou uma bagunça na minha camisa, ora. Se você quiser, eu ligo agora para mutter¹ e ela confirma essa história pra você! – Era claro que eu estava blefando, o fato é que eu era excelente no blefe. Talvez por tal motivo em me dava tão bem quando jogava poker.

Uma vez mais ela meio que ralhava comigo com a situação da antiga faculdade. Ela me orientava/mandava focar o meu lado gênio para o bem ao invés do mal. Parecia até que ela estava se tornando o meu grilo falante pessoal. Eu não insisti no assunto, mesmo porqu/e foi ela quem deu a sugestão de não falarem mais naquilo. Mas pelo visto não foi só isso a meu respeito que a incomodou, já que Shannon estava brigando comigo pelo jeito que eu olhava para as garotas. Poxa, eu sou um cara que só pode mesmo ter intimidade com mulheres com quase 18 anos, quando as espinhas diminuíram e o meu corpo se desenvolveu mais. Ser desprezado completamente por elas por um tempo considerável, me ajudou a ter aquele tipo de comportamento com elas agora que o jogo tinha virado e eu estava um pouco desejável. Resolvi também não render muito o assunto e apenas concordei fazendo um movimento com a cabeça e falando.
– Tudo bem, tudo bem. Eu vou tentar não “comer  com olhos” as garotas gosto.. ahm, bonitas .. quando você estiver por perto. – falei com aquele jeito meio malandro. E após acabar com o chá dela - uma coisa que eu nem gostava para ser bem sincero, fiz aquilo só para espezinhar com ela mesmo. Será que aquela teoria dos homens das cavernas também se encaixava de alguma maneira ali? Enfim, eu cruzei os braços sobre o peito de um jeito relaxado, mas aquele movimento simples fazia com que os bíceps bem trabalhados ficassem mais destacados nas mangas da camisa. O olhar meio felino se divertiu com aquela ameaça de morte da loira e uma sobrancelha se ergueu como se estivesse esperando para que ela tentasse. Por fim, ela vinha com aquela história de ser dona de um clube e sobre um cartão VIP que eu não ganharia mais por ter tomado o chá dela. Estreitei os olhos e falei em um tom incrédulo. – Você não seria capaz de uma atrocidade dessas com quem salvou sua vida ao não deixa-la se esborrachar no chão!      

Peguei meus óculos da mesa, paguei a conta das bebidas e além da gorjeta, acabei deixando também um cartão com meu telefone para ela, e por isso ganhei uma trufa de chocolate da garota que era toda sorrisos. Ao chegarmos onde estava minha moto, estendi a trufa para Shannon, murmurando. - .. para você.. apesar de não me dar o tal cartão VIP. Quando ela dizia que pilotava uma Kawasaki, esbocei um sorriso surpreso em meus lábios por ela pilotar uma moto também. Tudo bem que eu não era muito fã dos modelos japoneses, mas era de se admirar uma mulher que pilotava algo tão potente quanto a que ela pilotava. Acenei com a cabeça em aprovação e comentei. – Uma garota radical. Gostei. – Coloquei os óculos estilo aviador de novo e não consegui evitar dar uma boa secada na menina enquanto ela se acomodava na moto. E talvez tenha sido até por aquela secada que a garota fazia aquele comentário de não ser pro bico dele. Montei na moto e o banco ficou um pouquinho apertado para nós dois e minha bagagem que nem era tanto assim, mas sem dúvida fazia com que ficássemos com o corpo bem colados. Dei a partida na moto que roncava poderosa, mostrando todas as cilindradas que possuía. Saí dali na direção ao campus em uma velocidade até mesmo moderada por não conhecer muito da cidade ainda. Falei em tom mais alto para que ela ouvisse por conta do vento.   – Se tiver um caminho mais rápido, é só falar!


¹ Mãe em alemão.

valeu @ carol!



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