{NY} Our trip to the park.

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{NY} Our trip to the park.

Mensagem por Heather A. Voss-Ohlweiler em Sab 30 Jul 2016 - 13:26


Há um lugar ao ar livre onde eu costumava sentar-se e conversar com Dianna. Na época nós duas tínhamos, eu entre meus dezesseis anos e ela entre os seus vinte anos. Tudo que fazíamos me parecia tão certo quando estávamos juntas. Dormir o dia todo ao seu lado quando eu ia a sua casa, ficar a noite toda abraçada a ela depois que nós amávamos. Andar de pés descalços na areia da praia em um fim de tarde qualquer. Ver o pôr do sol sentadas na areia molhada enquanto ouvíamos as ondas quebrarem. Hoje eu venho a esse mesmo lugar, mais trago comigo Claire, o meu pedacinho. O presente mais preciso que a minha morena pode me dar. O motivo pelo qual nossa felicidade e plena e divina. A razão de nossas vidas tem apenas cinco anos de idade. Seus olhos castanhos claros observam tudo. Energética, Claire é a copia da minha esposa. Inteligente, muito ativa, educada, ciumenta e possessiva. E lá estava ela, entre as outras crianças no parquinho. Apolo, o labrador que havíamos comprado quando Claire nasceu estava ao seu lado. Ela não largava o animal por nada nesse mundo. O labrador de cor caramelo eram os olhos de Dianna quando a mesma estava fora. Ele acompanhava cada passa da pequena como um bom protetor. Ouvi a voz de Claire me chamar e coloquei o celular ao lado. Vi a pequena correr de encontro a mim trazendo junto a ela o cachorro. Seus bracinhos apertaram meu pescoço e um abraço. Ela se acomodou sobre meu colo deixando que sua respiração cansada se normalizasse para que pudesse falar. – Mamãe deveria tá aqui, mama. Assim nos podíamos brincar todas juntas, e o Apolo também. – Claire falou, deixando transparecer o quanto Dianna fazia falta em nossos passeios. Eu não a culpava. A prefeitura ocupava boa parte do seu tempo. Eu não conseguia exigir nada além do que podia. Estar no cargo em que ela se encontra hoje sempre foi seu sonho. Ela lutou muito pra isso, foi dedicada cem por cento em tudo que fazia. Ser a prefeita era mais que merecido.

Enrosquei os dedos nos cabelos castanhos de Claire, afagando as mexas carinhosamente, vendo minha filha abrir um sorriso lindo. – Mamãe anda muito ocupada, meu amorzinho. Mais ela prometeu que amanhã vai nós levar pra passear. – Falei, tranquilizando minha filha de que no dia seguinte teríamos a mãe dela só para nos duas. Com direito a tudo. Puxei Claire para o peito, deitando sobre a grama verdinha do parque, vendo o labrador deitar ao lado. Fiquei olhando para o céu e lembrando-me de quando Claire era um bebê. Às vezes batia uma saudade de pegar aquele pequeno ser nos braços. Aquele ser humano que eu mesma havia gerado e lhe dado vida. Fechei os olhos, respirando o mais profundo que conseguia. Tudo ali estava bom, a brisa batendo em meu rosto, o cheiro de flores misturando-se aos de sorvete junto ao de hot-dog e pipoca doce. – Mama, não dorme não. – Ouço Claire me chamar. Olhei a pequena, trazendo uma de suas mãos até meus lábios, deixando um beijo ali.  – Tá com fome? – A pequena assentiu, dando um pulo de meus braços até que estivesse de pé. Sorri, levantando logo em seguida. Vendo minha filha me ajudar a recolher nossas coisas do chão. Senti a mãozinha de Claire apertar a minha enquanto caminhamos até um carrinho parado no outro lado do gramado. O senhor na faixa dos seus sessenta anos foi o primeiro a falar. Muito simpático, cumprimentou Claire e depois a mim. Compramos três hot-dogs, claro que o Apolo não poderia ficar de fora. Voltando para o mesmo lugar onde estávamos, sentamos as duas novamente na grama. Aquilo estava delicioso! Olhe para minha filha que sorria de um modo tão adorável que eu queria ter tido tempo de ter tirado uma foto daquele sorriso lindo. Ficamos um tempinho em silêncio enquanto devorávamos nossa comida. Os únicos barulhos a serem ouvidos eram o das crianças correndo pelo parque e das pessoas falando todas ao mesmo tempo. Depois de terminar de comer e de ajudar Claire a se limpar, a pequena parecia ter retomado suas energias. Voltou a correr pelo parque e brincar junto às outras crianças. Observei minha filha de longe, e ela é tão bela quanto à mãe. Claro que ela tinha coisas minhas, como o cabelo e a cor da pele, as manhas e as birras.

Eram três horas da manhã e eu estava em uma cama de hospital. A hora havia chegado. As contrações estavam cada vez piores, vindo de cinco em cinco minutos. Claire parecia apressada. Tudo era uma mistura de cólica forte com ossos sendo quebrados. Dianna estava ao meu lado e em cada intervalo das contrações ela ligava para alguém diferente. A essa altura eu podia jurar que toda a NY já soubesse que eu estava em trabalho de parto. E sem esperar, minha bolsa havia rompido, minhas costas ardiam e tudo em minha parecia está sendo rasgado ao meio. Eu estava com medo, medo de não conseguir, medo de não trazer minha filha ao mundo. Medo de abandonar a mãe dela. O quarto do hospital foi tomado por gritos agoniantes, às dores me faziam apertar a mão de Dianna com tanta força sem me importar se estava ou não lhe causado dor também. “Vai ficar tudo bem. Eu tô aqui, amor”. Ela sussurrou. Deixei um filete de lágrima escapar, ameaçando um sorriso que foi cortado por mais um gripo de dor. “Seu bebê nascerá em alguns instantes.” Ouvi minha médica dizendo quando já estávamos na sala de parto. Tudo parecia acontecer em câmera lenta, pelo menos para todas aquelas pessoas uniformizadas com roupas hospitalar. Você consegue Heather; Eu dizia para minha mesma enquanto fazia força, enquanto a todo custo ajudava minha filha a nascer. Em momento nem um Dianna saiu do meu lado. As dores eram enlouquecedoras, era um misto de ossos sendo dilacerados. Era como lava várias facadas ao mesmo tempo. Fechei os olhos, fazendo o máximo de força que conseguia. Claire nasceu as cinco e quarenta e cinco da manhã. Ela não chorou, o que me fez abrir os olhos desesperada a procura de vê minha filha. “Ela é linda, amor.” Dianna sussurrou e nesse mesmo instante a sala foi tomada pelo o choro de Claire, que logo foi sessado ao ser colocada em meus braços, estando coberta apenas por uma manta azul do hospital. Seu rostinho era vermelho, seus olhos estavam fechados agora, ela me parecia tão cansada quanto eu. Em nem um milhão de anos eu saberia explicar a sensação que foi segurar minha filha nos braços pela primeira vez. Era um sentimento indescritível. Único.

Quando parei o carro na frente de casa e olhei o banco de trás, Claire dormia. Tirei o cinto e sai do carro, abrindo a porta do passageiro enquanto com o indicador cutucava sua bochecha de leve, ela abriu os olhos meio sonolenta. Balbuciou algumas palavras e saiu do toda desengonçada e cansada sendo acompanhada por Apolo. – Mamãe! – Ouvir seu grito, e fui correndo em sua direção, tendo a visão da minha pequena abraçada a minha esposa enquanto recebia seus beijos.  Ela gargalhava, e o som da sua risada fazia festa em cada canto da sala. Olhei Dianna que parecia boba com a reação da filha ao vê-la em casa tão cedo. Sim, ela havia cumprido com sua palavra de chegar mais cedo em casa. – Como foi seu dia, minha Stitch? – Ela perguntou ajeitando a pequena no colo enquanto sentava-se no sofá. – Foi super legal. – Ela bateu palmas e levantou os bracinhos toda animada. – Eu e a mama fomos ao parque. E eu brinquei em todos aqueles brinquedos. E a mama me comprou um hot-dog e depois um balão. A gente também tomou sorvete. Foi de chocolate, mãe! – Claire contava tudo nos mínimos detalhes, toda sorridente e feliz. E tudo que eu fazia era olhar as duas e me apaixonar por elas a cada segundo.
My little piece of heaven

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