Auditório Principal

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Auditório Principal

Mensagem por Stalker em Dom 12 Jan 2014 - 17:11

O auditório

O grande auditório para as principais apresentações. É exageradamente grandioso, quadricular ao fundo e mais triangular na parte da frente. É belamente iluminado por lustres. Possui diversos assentos, suficiente para suportar um grande público. Já fora o palco de diversos musicais e apresentações dos alunos e ex-alunos da universidade.

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Nicholas A. Hertfordshire em Seg 14 Jul 2014 - 22:47



Nicholas Angelus Hertfordshire
Orfeu para Julliard
Acordei. Estava na casa do meu pai Biológico em Nova York. A cama era de meu irmão, estava preocupado com Taylor, Aaron e Mary. Todos estavam vindo a Nova York para fazer as audições para as faculdades. Eu ainda tentava explicar a minha mãe e meu pai adotivo o por que de escolher uma faculdade de Artes. Nada que eu desperdiçasse menos do que 5 horas de telefone. Meu pai biológico, por outro lado, não era contra. Mas eu não conhecia como pai, e talvez as responsabilidades como tal não lhe viessem a tona. Ele era como um tio bem distante. Ele se surpreendera quando eu disse que namorava um rapaz. E foi esse o motivo de não estar junto a Tay.

Nos falávamos por telefone todos os dias. Eu começava a pensar como seria minha apresentação. Escolhera fazer Teatro, ser um ator talvez. Algumas horas antes, recebi uma mensagem de Tay pedindo que o acompanhasse a sua prova em NYADA. Nos encontramos e fizemos um piquinique. Ele realmente fora ótimo. NYADA iria aceitá-lo sem dúvidas. Penso que toda minha vida agora caminhava para aquela cidade. Taylor, Aaron e Mary... Os meus três polos. Meu namorado, meu melhor amigo hétero e minha ex-noiva e para sempre melhor amiga. Eu tinha certeza que eles iriam para Nova York de nós quatro eu era o menos apto e menos talentoso.

Os dias passaram, e finalmente chegou o dia. Eu estava me habituando ao ritmo de Nova York, a cidade grande, as pessoas, o clima. Tudo era perfeitamente excitante. Liguei para meus amigos, pedindo para que eles não fossem me ver, não queria ficar tão nervoso. Já me bastaria os olhos atentos as falhas dos avaliadores. Cheguei ao Teatro da Julliard. E me encaminhei ao vestiário para trocar de roupas e me preparar, estava sentindo um frio na espinha. Então comecei a me arrumar. Sandálias gregas amarradas até a batata da perna. Uma túnica branca que passava um pouco dos joelhos, um laurel (coroa de louros na cabeça), e uma lira cinematográfica e uma mascara negra veneziana que só tampava a região dos olhos. Escondi uma rosa branca entre a túnica. Beijei a asa prateada que eu tinha como amuleto.

Respirei fundo, escolhera um tema clássico, um autor não tão conhecido nos Estados Unidos, e texto um tanto difícil. Mas esse era meu destino. Seria Orfeu. Chegou minha vez. O palco vazio apenas pontos de luz insidiam sobre o centro do palco. Respirei fundo e adentrei ao local quando escutei meu nome. Um holofote ilumina meu rosto.

- Meu nome é Nicholas Angelo Edwing Luis Friedrick Hertfordshire. Farei uma Representação Livre do Mito de Orfeu, com o monólogo intitulado "Monólogo Orfeu" do Grande autor Brasileiro Vinícios de Moraes.

Respirei fundo segurando forte a Lira tangi a lira sonorizando alguns acordes.

"Sou eu Orfeu, pobre poeta que conhece os mistérios dos deuses. Sou eu aquele que não desafia a lira de Apolo, mas o faria para reaver Eurídice...minha amada, Oh Eurídice".


Disse com forte pesar olhando a vastidão do teatro como se visse o túnel que levasse ao mundo de Hades. Mais um Acorde. Respirei pesadamente em lamento.

"Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa"



Larguei a lira fazendo a quebrar. Estava sofrendo pela morte de Eurídice. Fechei os olhos colocando a mão sobre o peito, arranhei deixando marcas.

O meu peito em soluços!


Disse alto com as mãos no peito com rosto parcialmente sofrido, tirei a máscara.

Te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
É mais por que te amar
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada."


Minhas mãos perdem seu efeito caindo ao lado do meu corpo. Joguei a máscara longe. Virei-me contra o público e coloquei as mãos no pescoço como se sofresse. Voltei a mirar a luz.

"E sabes de uma coisa?
Cada vez que o sofrimento vem,
essa vontade de estar perto, se longe
ou estar mais perto se perto
Que é que eu sei?
Este sentir-se fraco"


A pergunta saiu triste porém fortemente irônica. O trecho saiu como um desabafo ao estar perto e longe. "O que eu sei?" - disse um tom mais baixo. Pensei em algo triste e enumerei os problemas daquele sentimento tão amigo a mim.  

"O peito extravasado
o mel correndo,
essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu;
Tudo isso que é bem capaz
de confundir o espírito de um homem."


Arranho meu peito mais uma vez e dessa vez a peça que segurava um lado da túnica cai. "Sentir mais eu, Orfeu". Continuei com uma voz meio rouca, parecia confuso. E andei um pouco em voltas. Tirei o laurel de minha cabeça e analisei. Sorri de forma irônica.

"Nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga,
esse contentamento, esse corpo
E me dizes essas coisas
que me dão essa força, esse orgulho de rei."


Não tinha importância em ser rei, joguei a coroa no chão. respirei fundo continuando a citar as frases do monólogo. Mostrei meu corpo e as mãos na minha boca o que eu dizia? Continuei e fiz uma pausa ergui o queixo para luz deixando me iluminar melhor. Fiz a melhor cara de arrogância: Que me dão essa força, esse orgulho de rei. Então cai de joelhos sobre os restos da lira.

"Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música.
Nunca fujas de mim.
Sem ti, sou nada"


Analisei os fragmentos da lira, levantei alguns restos como se as mãos estivessem sustas de sangue mostrando a morte da minha música, de minha alma, de Eurídice. peguei um pedaço em especial e espremi escorrendo líquido vermelhos obre minhas mãos. Óbvio que aquela lira tinha sido previamente preparada para mim. Agradeci mentalmente aos meus amigos do Teatro da Dalton. Olhei sofrido e com as mãos contra luz. Me ergui aos me pondo sobre um joelho.

"A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura!
Quem poderia pensar que Orfeu,
Orfeu cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres -
que ele, Orfeu,
Ficasse assim rendido aos teus encantos?"


Passei a mão sobre o rosto, trilhando uma linha de "sangue" a baixo do olho direito como uma lágrima tortuosa. Me pus de pé e declamei cada verso com uma vontade forte, usava o desejo de estar naquela cidade naquele mundo. Tirei a rosa da minha túnica e as pétalas brancas foram sujas de vermelho. Comecei a retirar apenas algumas pétalas a rosa falando os versos com calma.  Olhei a rosa e a beijei. E a deixei cair.

"Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!
A existência sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo,
minha amiga mais querida!"


Confessei as lamúrias de um amante sem sua amada. Pensei em todos os meus términos, e agora meus olhos lacrimejaram atingindo a emoção que achei certa. Pensei naquelas vezes que me senti sozinho, naquela sensação que sempre era eu o problema. Na sensação de perda. Pensava principalmente nas vezes que briguei com aquela pessoa que eu amava tanto. Em todas as vezes que eu a decepcionei. Ele estaria ali me dando apoio. Mas não queria que ele me visse. "Minha amiga mais querida" - disse por que pensava naquele sentimento de culpa.

"Vai tua vida, pássaro contente"


Então pequei na minha sandália um punhal cinematográfico, tão preparado como antes a lira. Declamei com mais paixão, aquele era o momento que Orfeu desistia de sua vida, para encontrar-se com Eurídice no pós-vida. Levantei o punhal quase tremulo.

"Vai tua vida que estarei contigo!"


Cortei o espaço com a adaga e feri meu peito. A lâmina falsa se escondeu com seu mecanismo e fez cair o mesmo líquido rubro. Fui desmoronando, olhei ao céu. Com lágrimas que cascateavam meu rosto.

"Eurídice, vivo você.
Morro por você.
Sem ti não há vida.
Sem vida, me entrego a ti..."


Digo voltando ao tema clássico para finalizar a apresentação, minha cabeça pende e meu rosto cai escondido nas sombras que a luz incidia sobre mim.

"Perante a morte, essas palavras se findam
Eurídice, até os últimos momentos não te esqueci"


Ergui o rosto olhando o céu pela última vez, a dor da punhalada aparente.

"Em paz e silêncio.
Enfim, morri."


Cai de joelhos e ali fiz silêncio. E assim "Morri". Passado o momento da pausa dramática me ergui e agradeci com a cabeça.

- Muito obrigado pela oportunidade. - disse aos professores da Julliard com seus rostos inexpressivos. Sai dali.




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I'm here without you baby. But you're still on my lonely mind. I think about you baby. And I dream about you all the time. I'm here without you baby. But you're still with me in my dreams. And tonight, it's only you and me... The miles just keep rolling.As the people leave their way to say hello. I've heard this life is overrated. But I hope that this. gets better as we go...

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Dianna E. Voss-Ohlweiler em Seg 14 Jul 2014 - 22:53



Heaven knows  I try.
Meus olhos analisavam meu reflexo, no espelho. A expressão nervosa combinava perfeitamente com meu estado de espírito atual. Na minha mente, várias coisas processavam pensamentos inoportunos, momentos em que não deveriam ser lembrados. Jesse e suas artimanhas, as quais prejudicaram minha vida em um ano perdido. Não totalmente. Se um dia o encontrasse, hoje, tinha planos contrários dos passados, onde queria esganá-lo. Deveria agradecê-lo, já que reprovar um ano por ocultação de documentos escolares me deu o privilégio de conhecer as melhores pessoas da minha vida. Respirei fundo, encarando bem o vestido preto rendado, de mangas longas. Tinha por baixo, partes em que minha pele parecia estar evidente, mas era apenas truque. Pele falsa, como era chamado o tecido no tom exato de minha pele, para dar um pouco mais de "chama" ao modelito. Estava mesmo nervosa, a espera por este dia vinha de um ano atrás, quando Jesse havia falsificado minhas notas por pura vingança. Uma mão tocou o meu ombro, fazendo com que nossos olhos se encontrassem através do espelho.

— Está na hora. Vamos lá, vamos dar mais um passo para o futuro. — Ele sorriu, fazendo com que eu sorrisse junto. — Você está linda, a propósito.

Suas bochechas ganharam uma coloração rosada, como sempre acontecia quando estava com vergonha de algo. Meu sorriso alargou, e não tive outra forma de agradecê-lo, se não o abraçando apertado. Nyrt era um verdadeiro príncipe. Queria que Sam estivesse ali, queria que ele estivesse do meu lado, como sempre esteve. Tive que reprimir o pensamento, antes que terminasse chorando e borrando a maquiagem. Nyrt segurou minha mão, e nos conduziu até o local da cerimônia.

●♫♪●

28 de Julho, segunda-feira, 2:45 pm.

E aqui estou eu, em frente ao prédio da Julliard. Meu coração batia absurdamente rápido, qualquer pessoa próxima poderia escutá-lo sem a menor dificuldade. Era o primeiro passo que daria em - quem sabe - um futuro brilhante. Logo depois de sair daqui, tinha marcado um compromisso com alguns de meus amigos de Ohio para nos encontrarmos para procurar um lugar para morar. Mesmo se alguns de nós não conseguíssemos passar nos respectivos testes - o que eu esperava que não acontecesse - continuaríamos tentando algo em New York, a tão comentada cidade que nunca dorme. Depois de muito pensar e finalmente me decidir, dei o primeiro passo a frente. E mais um, e mais um. Minutos depois, já me encontrava no saguão da faculdade, encantada com o tamanho, e a quantidade de pessoas que se movimentavam ali dentro. A balconista me encarava por trás dos finos aros dos óculos, a sobrancelha arqueada.

— Perdida, mocinha? — Antes que ela falasse, uma mulher vestida socialmente parou em minha frente, me olhando meio de lado.

— Não, eu só estava... Me desculpe, ah... — Comprimi os olhos e os lábios por breves segundos. - Pode me dizer onde fica a sala de dança?

Ela abriu e fechou a boca sutilmente, como se fosse falar algo, mas ela mesma tivesse se repreendido. Sua cabeça fez um único movimento, assentindo em resposta. A mulher deu as costas, e se encaminhou corredor a dentro. Tudo o que se passou em minha mente, foi para segui-la, e foi isso o que eu fiz. As pessoas nos encaravam, em alguns lugares. Todos saiam de sua frente, o que me fez lembrar os tempos do Mckinley, onde isso acontecia quando era eu a passar pelos corredores. Ali, eu era só uma, em um milhão. Andamos por alguns corredores, os quais fui prestando bastante atenção. Precisava me concentrar, para que nada desse errado. Eu estava com o meu futuro em mãos, ou melhor, nos pés. Estava confiante, apesar de todo o nervosismo. Chegamos a uma sala bem estruturada e espaçosa. Fomos cumprimentadas por um homem, ele parecia novo de mais para ser professor, mas eu não faria julgamentos por nada, agora. Ele a chamou de diretora, o que quase fez meu ritmo respiratório desregular, o que me deu um certo trabalho para deixar a frequência calma, outra vez.

Mais algumas pessoas se encontravam na sala. Alguns vestidos para as aulas, outros se encontravam da mesma forma que eu. Portavam bolsas, e provavelmente estavam ali para audições. A única coisa que se compararia ao momento em que recebi a carta para fazer minha audição em Julliard, seria o momento em que eu fosse aceita por completo. Minhas notas estavam a ritmo da escola, só faltava o teste de aptidão, o qual faria hoje. O pen drive parecia estar em chamas, no bolso da bolsa, que estava colada ao meu quadril. Mordisquei o lábio, enquanto ouvia o homem dizer que eu deveria me sentar. Estava agora mais nervosa, tinha tantas pessoas naquela sala, e o número de vagas parecia repetir em minha mente. Dez vagas, com uma concorrência a mil. O homem se apresentou como Jakub, e de um por um, foi chamando os candidatos por seus nomes, em ordem alfabética. Cinco pessoas, cinco negações. E as apresentações tinham sido boas. Meu peito voltou a tomar um clima denso de nervosismo.

— Dianna Summers Overwhelming para Let It Go, curso de dança? — Sua voz grave entonou meu nome, fazendo com que eu me arrepiasse. O medo domou meu corpo por breves segundos, mas me lembrei qual era o meu propósito ali.

Peguei o pen drive no fundo da bolsa, e me levantei, esticando para ele, que plugou em seu sistema de som. Me posicionei a frente, virada de costas para todos. Respirei fundo agilmente por três vezes, regulando toda a minha atenção para o momento. A porta da sala estava aberta, qualquer um que passasse, poderia ter uma livre visão do que acontecia ali dentro. Muitos tinham sido negados, pela falta de atenção. Paravam quando alguém aparecia na porta, mesmo que para olhar rapidamente, e quando tinham que retornar a dançar, perdiam o ritmo. A voz de Idina Menzel começou a percorrer a sala, enquanto eu me colocava na ponta dos pés.

Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door

Estiquei o braço direito devagar, a mão esticada devidamente, movendo-se para os lados, minha expressão tão séria quanto jamais estivera antes. Ainda estava de costas para todos na sala. Estiquei agora o braço esquerdo, voltando o direito para o lugar, enquanto repetia o mesmo movimento que havia feito a segundos atrás. Respirei fundo mais uma vez, fechando os olhos por um breve momento.

The snow blows white on the mountain tonight
Not a footprint to be seen
A kingdom of isolation and it looks like I'm the queen
The wind is howling
Like the swirling storm inside
Couldn't keep it in
Heaven knows I try...

Virei de lado, apenas para deixar a perna esquerda mais atrás, enquanto a direita ia mais para frente, tudo ainda acontecendo, enquanto eu me mantinha na ponta dos pés. Já tinha feito baillet, quando tinha seis anos de idade, mantendo as aulas até os quinze. Sabia o bastante para usar alguns passos. Com um pequeno impulso, dei um pulo curto mais para frente, ainda me mantendo com o corpo na lateral, girando no mesmo lugar lentamente, os braços esticados para cima, assim como a cabeça, que pendia. Meus braços estavam voltados para cima, as mãos em um tributo a Deus, ele sabia sim, o quanto eu queria tentar Julliard, e conseguir.

Don't let them in, don't let them see
Be the good girl you always had to be
Conceal, don't feel, don't let them know
Well now they know

A voz de Idina era o único som presente na sala, enquanto eu me concentrava para os passos seguintes. Voltando a deixar o corpo ereto, voltei-me para a frente. Meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, mas ainda sim, alguns fios estavam fora, caindo por meu rosto, nada que me incomodasse ou atrapalhasse alguma coisa. Dei alguns passos para frente, ainda devagar, as mãos voltadas para cima, os braços em suas posições normais. Parei bem ao centro da sala, unindo as mãos em forma de concha, em frente ao peito, a cabeça baixa.

Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door
And here I stand
And here I'll stay
Let it go, let it go
The cold never bothered me anyway

Pegando impulso, firmando bem os pés no chão, flexionei um pouco os joelhos. E bem no momento que Idina entoava o refrão, pulei, completando um giro no ar, pousando com cautela, dando passos rápidos nas pontas dos pés, intercalando. Primeiro, estava na ponta dos pés, girando ao meu próprio redor, depois, os pés firmes no chão, os braços abertos lateralmente, as mãos encurvadas para o interior de meu corpo, repetindo estes movimentos, enquanto me movia para o lado esquerdo. A cada refrão de Let it go, eu pulava, fazendo os mesmo movimentos, mudando apenas o lado para que ia.

It's funny how some distance
Makes everything seem small
And the fears that once controlled me
Can't get to me at all
Up here in the cold thin air I finally can breathe
I know I left a life behind
But I'm too relieved to grieve

Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door
And here I stand
And here I'll stay
Let it go, let it go
The cold never bothered me anyway

De volta ao centro, estiquei o braço esquerdo para frente, o restante do corpo parado, ereto. Dei uma volta no lugar, me abaixando, ficando de joelhos, como se o gesto representasse que tudo ali parecia pequeno, perto de tudo o que era o passado. Mas, não. Era exatamente o contrário. Tudo era grande de mais. Levantei, esticando agora os dois braços para os lados, fazendo meu corpo ir para trás. Voltei a dar giros em volta de mim mesma, indo para o lado direito da sala, como se aquilo fosse afastar os medos que eu tinha. Parei, encarando as pessoas na sala, dando passos dramáticos até a frente de todos. Neste refrão, não impulsionei o corpo. Corri para o lado esquerdo, e ao parar, coloquei as mãos diante do rosto, para depois colocá-las a frente do meu corpo, como se o ato dissesse que deixa-se ir. Dando uma meia volta, de costas para o lado onde estava antes, minha postura estava entrando nos eixos, enquanto eu baixava a parte superior do corpo, dando outra meia volta. Ao subir, dei um passo a frente, abrindo os braços. Corri até o meio da sala.

Standing frozen in the life I've chosen
You won't find me, the past is so behind me
Buried in the snow

De repente, a voz de Idina havia sido subestimada por uma outra. Eu estava no ar, tinha pegado um bom impulso enquanto corria. Era a parte mais emocionante da música, sem sombra de dúvidas. A batida estava mais forte, enquanto eu completava um giro duplo, esticando a perna direita para cima, os braços se abrindo lateralmente, em uma coreografia clássica do filme Cisne Negro. Meus olhos se voltavam para o lado esquerdo da sala, para a porta. Do outro lado, a menina de cabelos rosas. E ela cantava a mesma música que eu dançava, como audição. Meu peito deu um solavanco feliz. Eu não estava ali sozinha. Nem ela. Milena sorriu para mim, assentindo, me encorajando. Assenti de volta, com um curto sorriso, para não intervir na interpretação. Pousei.

Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door
And here I stand
And here I'll stay
Let it go, let it go
The cold never bothered me anyway

Let it go
And here I'll stay, let it go, let it go
Let it go

O final continuava mais rápido que o restante da música, acompanhando a emoção que se dava a cena em que Elsa se tornava livre das escamosas e terríveis pressões que sentia em sua própria casa, ao ter que esconder seus poderes. Era assim que eu me sentia, estando em Ohio. Presa. Queria que o mundo conhecesse o meu talento, ou pelo menos, parte dele. Queria tentar. Queria errar. Queria chegar a algum lugar, e aprender o que a vida colocasse em meu caminho como lições. Voltei a dar giros em torno de mim mesma por seguidas vezes, esticando a perna esquerda para me impulsionar a cada giro. Ao chegar do outro lado, tornei os movimentos lentos de novo, enquanto voltava para o centro. Com um último pulo, pousando graciosamente no chão, estava finalizando a audição. Meu coração tinha voltado a parecer um corredor de maratonas. Nos últimos trechos, deixei a postura ereta, esticando agora o braço direito para frente, o gesto sendo feito assim que o último Let it go preenchia a sala. Enquanto eu baixava a cabeça.

Esperei alguns segundos para levantá-la de novo, os braços sendo cruzados atrás do meu próprio corpo, enquanto eu encarava meu - quem sabe - futuro professor de dança. Enquanto ele anotava algumas coisas, aproveitei para dar mais uma olhada na sala ao lado. Milena sorria grande, estava do mesmo jeito que eu. Ela não deveria saber, mas àquele sorriso cativava as pessoas, era como se ela pudesse contagiar a todos com aquele simples gesto. E realmente podia, porque eu estava sorrindo. Baixei a cabeça por breves segundos, desviando o olhar dela. Respirei fundo, voltando a encarar Jakub, que estava prestes a dizer o resultado do meu teste.




dianna usou isto, falou com Nyrt, Milena e desconhecidos estava em Julliard ouvindo Let it go - Demi Lovato, que foi a música da audição. notas: após a audição, dianna foi se encontrar com milena e nyrt para procurarem o local do apartamento que haviam comprado junto com Dexter, e conhecer alguns outros lugares da cidade.

thanks weird for Lotus Graphics








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Climb on board
We'll go slow and high tempo

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Beatrice Graeff Ohlweiler em Sex 18 Jul 2014 - 22:08

The Cold Never Bothered Me Anyway



“Num piscar de olhos, alguma coisa acontece do nada, e te coloca no caminho que você planejou".
Bem, comigo não foi exatamente assim, não foi exatamente do nada, mas foi em um piscar de olhos, entende? Não posso pedir que entenda a complexidade da minha mente. Quem me vê acha que meu sorriso é a consequência de uma vida tranquila, boa demais, sem problemas, só felicidade a todo tempo, mas não é assim e nunca foi. Meu sorriso é o resultado do esforço que faço para "produzir" felicidade. Não me julgue por dizer isso enquanto faço parte de uma família rica, eu sempre tive que batalhar para conseguir quase tudo o que tive e, contrariando seus pensamentos, dinheiro não compra felicidade, como diz aquela frase clichê. Sim, clichê, mas verdadeira.
Contudo, eu seria um tanto ingrata se dissesse que as coisas não estavam indo para um lado melhor agora. Tudo está mudando, os tempos são outros, eu sou outra, e estou a um passo de ser "só sorrisos", como as pessoas me enxergam. As inscrições para Julliard abriram e eu, finalmente, passei de ano.
Nesse momento estou sentada na varanda de um quarto de hotel bebendo uma lata de coca-cola velha e sem gás. Minhas pernas estão cruzadas há tanto tempo que quase me dão cãibras, mas não sairei dali, meus olhos viciaram-se naquela avenida movimentada e cheia de luzes conhecida como Times Square. O calor novaiorquino é perfeito, um clima meio abafado e diferente, eu não posso acreditar que estou aqui, na véspera da audição que tem tudo para mudar minha vida. Com tantos climas e futuras recordações, Nova York tem tudo para tornar-se minha segunda cidade favorita, adoraria fazer daqui meu novo lar. Ou melhor, ADORAREI quando aqui for meu novo lar, e isso será confirmado em questão de horas.
Um sorriso nasce em mim sozinho e eu não posso impedir que ele fique. A luz aqui é contagiante e a felicidade também.


✖✖✖

O Sol nascera há poucas horas atrás, mas isso não é um problema por aqui se você precisa sair. Tem noção de quantos táxis amarelos passam durante o dia inteiro? Eu sei, é difícil imaginar, tive de ver com meus próprios olhos para acreditar, cheguei a pensar que estava daltônica ao ver um monte de carros da mesma cor transitando pela Times Square.
Por esse motivo, não foi nenhuma dificuldade conseguir um transporte rápido. A Universidade não ficava muito longe dali, em apenas uns minutos eu cheguei e a corrida tinha sido tão barata que beijei a bochecha do motorista. Mas aquilo não tinha sido nada... E naquele instante, tudo era nada, pois à minha frente estava o maior prédio universitário que já tinha visto. Eu quase pulei de alegria apenas ao pensar na possibilidade de ali estudar, cursar música... Parecia um sonho! Meus pés levaram-me correndo até a entrada, me fazendo gargalhar  ao ver a quantidade de artistas que andavam para todos os lados. Estava tão empolgada que esqueci de falar com a recepcionista ou com qualquer pessoa que pudesse me ajudar, simplesmente sai andando por aí sem me preocupar em me perder, estava muito cedo e eu queria conhecer cada canto do local.
E foi andando que vi pessoas dançando, atuando, cantando, filmando, fotografando, ou simplesmente correndo por aí com alguma coisa na mão. Estava me sentindo no High School Musical. Um garoto negro de cabeça desenhada passou fazendo rap por aí ao lado de uma menina baixa e ruiva, que cantarolava uma melodia. Dentro de uma sala no corredor eu vi uma loira de voz aguda cantando algo diferente, um pouco parecido com música espanhola, ou algo assim, e dentro de uma outra sala uma morena dançava "Dança do Ventre" como ninguém. Naquele momento eu percebi que Julliard era a universidade para todos os estilos musicais, era a universidade de todos.
Quando finalmente achei a sala aonde ocorreriam as audições para o curso de música, onde eu deveria me apresentar, percebi que muitas pessoas estavam do lado de fora, esperando sua vez de cantar, e vi que teria de ficar ali por um longo tempo. Agora imagine comigo, esperar já é algo ruim, esperar ansiosa então...
Mas o tempo passou mais rápido que o esperado e quando me dei conta, já era minha vez de entrar. Sorrindo maliciosamente para os que estavam no fim da fila, adentrei a sala e sai andando em direção ao pequeno palco que ali estava.
A primeira coisa que fiz foi olhar para a mesa de jurados. Duas mulheres e um homem. O homem aparentava ter uns trinta anos e era realmente bonito, torcia para que me desse aulas posteriormente. Ele estava no meio de uma loira e uma negra, que tinham expressões rígidas.
Ao subir a escada, tropecei em um degrau e cai em minhas mãos. Droga! Ótimo começo, Milena, muito bem! Fiz de tudo para não deixar aquilo me abater, mas minhas pernas já estavam trêmulas. Eu não posso pôr tudo a perder, não posso.
Perdi uns segundos de tempo avisando a banda local a música que gostaria de cantar e logo fui ao centro do palco.

- Meu nome é Milena Sunset Hoffmeister McCain e estou prestes a cantar Let it Go do musical Frozen. - Olhei ao meu redor e percebi a porta aberta. Só então dei-me conta de que ela ficara aberta o tempo inteiro. - A porta permanecerá aberta? - Perguntei, nervosa com a possibilidade de ter outras pessoas olhando minha apresentação. Mas logo que vi o sorriso malicioso do jurado, vi que aquele era um teste de auto-confiança. Se você não está apto a cantar na frente das pessoas, não está apto a nada no mundo da música, o que te transforma em um concorrente descartável.

- Isso te incomoda? - Perguntou, como quem não quer nada.

- Não, claro que não... Banda, por favor.

E a música começou a tocar. Eu sentia falta daquilo, daquele contato de cantor e banda, sabe? Marcavam momentos especiais que ocorreram ao decorrer da minha vida e que levarei para sempre. Meus olhos se fecharam e eu respirei fundo. A  introdução calma no piano era um bom calmante, mas não era o suficiente.
Meus dedos gelados e trêmulos juntaram-se com suavidade, tentava concentrar todas as forças em minha voz. Eu sei que teria dificuldade ao cantar aquela canção, uma vez que Idina Menzel é soprano e eu contralto, mas gostava de desafios e eu sei que conseguirei.

The snow glows white on the mountain tonight
Not a footprint to be seen

Aqueles primeiros versos foram fáceis, minha voz apenas declinou. Meus olhos se abriram e olharam o chão com seriedade, como se eu estivesse constatando o fato de que não havia nenhuma pegada no chão para ser vista. Olhei tudo ao meu redor e relaxei os braços, a tensão ia embora aos poucos. Estava na hora de aumentar o tom aos pouquinhos, nenhuma dificuldade também. De uma certa forma, minha voz se encaixava na música, e mesmo com tantas diferenças, eu conseguia segurar bem e cantar de forma natural.

A kingdom of isolation
And it looks like I'm the queen

Ouvir o que eu cantava, naquele momento, era um choque de realidade. Realmente... Eu havia saído de casa sem deixar vestígios, sem deixar pegadas. Eu estava sozinha na imensa New York City sem saber exatamente o que estava fazendo, com o destino incerto. Estava cercada por milhões de pessoas diferentes, mas isolada no meu próprio mundo, na minha própria solidão. Eu podia estar um pouco abalada, mas aquilo não era ruim, pelo contrário, me fazia bem, me dava ideia do quanto eu tinha crescido, que a Milena filha do David de Ohio tinha amadurecido e virado a Senhorita McCain de Nova York.

The wind is howling like this swirling storm inside
Couldn't keep it in, heaven knows I've tried

Os versos anteriores também haviam sido fáceis de cantar. Era subir duas notas e descer vagarosamente, minha voz unia-se a canção de maneira inacreditável. Minha mão direita, que estava repousada sobre meu ventre, ia relaxando e caindo ao meu lado. Meus olhos estavam fechados novamente, mas minha mente voava alto e senti minha expressão ir de serena a triste ao cantar "heaven knows I've tried."
E de repente percebi que minha voz era de fato boa, mas eu não devia ficar parada para todo sempre. Sou, acima de tudo, uma artista, tenho expressão, precisava explorar o local. Meus olhos abriram-se rapidamente em uma expressão teatral determinada. Encarei os olhos do jurado que olhava para mim indiferente, mas eu não liguei, aquilo me estimulou. Dois passos para frente foram o suficiente para deixar-me na beirada do palco.

Don't let them in, don't let them see

Mas ali demorei-me apenas uns segundos. Meus pés levaram-me involuntariamente a outra direção, e caiu bem a música, como se eu estivesse desolada, sem lugar para ir. E mais uma vez encontrei semelhanças comigo mesma naquela canção. Minha tristeza, meus problemas, eram meus, não podia deixar que ninguém visse, ninguém entrasse neles, eu tinha que ser aquela boa menina que sempre fui, era mais fácil, mais seguro e cômodo. Eu disfarçava meus conflitos e confusões interiores, fingia não sentir, mas sabia que uma hora tudo iria transbordar, afinal, uma menina nanica como eu não suportaria um fardo tão pesado assim. E assim foi, transbordou, e de repente todos souberam, não havia mais segredo, já não era mesma de antes.
Minha voz saiu com mais agressividade do que o planejado no último verso.

Be the good girl you always have to be
Conceal, don't feel, don't let them know

Aquilo me preocupou um pouco. Eu sei que a música é uma maneira de externar minhas emoções, mas não podia deixar-me levar daquela maneira. Olhei novamente para os jurados e aquele cara estranho, finalmente, sorriu, parecendo gostar do meu declínio. Infelizmente, não pude saber se estava feliz por eu ter me soltado e encarado como algo positivo, ao por achar que estaria desclassificada por ser anti-profissional. Se qualquer forma, preferi não arriscar. Meus braços se abriram e eu deixei que minha voz subisse o mais alto que pudesse, surpreendendo-me com o resultado. Exatamente do jeito que havia ensaiado a semana inteira.

Well, now they know

A tensão estava cada vez menor em mim, deixando-me mais feliz do que o normal. Sim, agora todos sabem, não tenho que esconder, tenho que seguir em frente e ser feliz de novo, abandonar o meu passado, ir até o fim. Tudo daria certo pra mim, um sentimento muito forte me avisava, e mesmo que eu não passasse, eu continuaria ali. Dividiria um apartamento com os amigos, não sei, mas daqui ninguém é capaz de me tirar. Estiquei meu braço direito com força e abri a mão, deixando a palma a mostra, como se tivesse querendo liberar algo. O movimento repetiu-se com o braço esquerdo. Parece que minha voz esqueceu-se de seu tom e foi subindo cada vez mais, sem vacilar. Era engraçado, parecia que eu estava em "Matrix", pois, como no filme, tudo é questão de acreditar, os desafios mais difíceis eram driblados apenas pela força do pensamento, sentia-me tão forte, tão... capaz.
Meus braços me envolveram, reforçando a ideia de "não poder me segurar mais". Corri, sentindo-me verdadeiramente livre, para outra direção, repetindo os movimentos com os braços. Um giro terminou na outra extremidade do palco, avisando que já não tinha mais para onde ir.

Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn away and slam the door

Apontei determinada para o jurado bonito e malvado, mas tinha um sorriso no rosto. Aquela mensagem confiante era para ele, eu não ligava para quem quisesse atrapalhar meus sonhos, a tempestade podia cair estrondosa do lado de fora, mas aquilo não iria me abalar. Simulando uma queda no "Let the storm rage on", eu me ajoelhei ao chão, mas levantei ainda mais forte, contrariando minhas palavras anteriores. Afinal, isso nunca me incomodou mesmo.

I don't care what they're going to say
Let the storm rage on
The cold never bothered me anyway

Em modesta parte, minha voz estava realmente boa durante aquela canção. Eu usava cada nota a meu favor, conseguia passar por cima das dificuldades e adaptar a canção exatamente no timbre da minha voz, como seu eu tivesse nascido para cantá-la.
Afastei-me alguns passos para trás e encarei o jurado sacana. Minhas mãos foram para cima dos olhos e minha testa enrugou, era como se eu quisesse enxerga-lo melhor. Aquilo era para representar como a distância diminuía tudo, o que era realmente verdade... Aqui, a quilômetros de distância de onde antes estava, parece que vejo tudo em proporção muito menor, meus problemas de Ohio pareciam nada ao lado da minha liberdade em Nova York. Eram medos idiotas, inseguranças tolas, coisas sem sentido algum, mas agora enxergo tudo isso, sei que nada me atinge mais.

It's funny how some distance makes everything seem small
And the fears that once controlled me can't get to me at all

Mas aquela não era hora de me lembrar do passado, nem para constatar minhas superações. Era hora de ver o que eu posso fazer, quebrar as barreiras de vez, testar meus limites e ir sempre além. E o melhor, não tinha regras, não tinha planos, era eu e um sonho viajando juntos para a cidade da luz. Quem sabe aqui um holofote não se acende sobre mim?

It's time to see what I can do
To test the limits and break through
No right, no wrong, no rules for me

Os versos anteriores eram meus favoritos da música inteira. Além da melodia e do tom, é a parte da letra mais otimista e feliz da canção. Pode parecer ridículo dizer isso, mas vibro com a personagem nessa cena de Frozen. É apenas um filme da Disney, mas a história é tão bela... Elsa era uma personagem na qual eu quero me inspirar no momento, por isso a escolha da canção. Ela é muito parecida comigo em muitos aspectos. A menina rica, que tinha tudo para ser feliz, onde todos a olhavam com maus olhos, incompreendendo suas razões para se trancar e esconder-se do mundo, não tomando ciência de suas aflições, seus medos, seus problemas. Mas, de repente, ela resolve deixar tudo isso de lado e sai sem destino em busca da felicidade, usando aquilo que a atrapalhava a seu favor.
Inspirei um pouco de ar e exclamei o último verso da estrofe. Uma única frase, soprano, que ia subindo e subindo, nada de declinar.

I'm free!

Tomando impulso, eu simplesmente sai correndo para frente. Empurrei meu braço direito para o lado e o esquerdo para o outro, simulando a própria Elsa na cena do filme. Naquele momento, era impossível não sorrir e não esforçava-me de maneira alguma para não fazer. Após isso, meus braços ficaram simplesmente aberto sentindo todo ar que ali tinha. Repetindo os movimentos anteriores, eu voltei para trás. Não porque sentia-me segura ali, mas por falta de espaço mesmo. Achando os movimentos muito repetitivos, virei para o guitarrista ao meu lado e apontei para ele, para variar. O jurado gato-malvado já devia ter gravado minhas digitais de tanto que olhou meu indicador naquela apresentação.

Let it go, let it go
I am one with the wind and sky
Let it go, let it go
You'll never see me cry

Apontei para o chão indicando que dali não sairia. Bem, eu não quis dizer do palco na verdade, estava doida para sair de lá por conta do nervosismo, me referia a cidade. Contudo, ficar repetindo que nunca sairei daqui e blá blá blá já está ficando repetitivo demais.
Agora viria uma parte um pouco... difícil demais. O verso que alto começaria e terminaria mais alto ainda. O suor frio não deixava minhas mãos, meus estômago revirou-se como se fosse pôr tudo para fora ali mesmo, minhas pernas vacilaram e eu não sabia de onde tirar forças. Limpando a ponta dos dedos e esforçando-me para conter-me, comecei a cantar a tenebrosa parte e uma lágrima desceu de meus olhos ao fim. O sucesso! Agora não tinha mais com o que me preocupar, se conseguira aquilo naquelas condições, estava tudo ganho. Deixe a tempestade vir que minha capa de chuva é bem resistente. Provavelmente esse é comentário mais tosco que já fiz, mas quem se importa com uma coisa dessas quando está ganhando?

Here I stand and here I'll stay
Let the storm rage on!

Sinceramente, eu nunca tinha me sentido melhor. Aquela tarde ficaria marcada para sempre, como um dos melhores momentos da minha vida, mesmo que eu não passasse, por saber que eu havia acabado de me superar... Aquilo ia além da competição, era algo meu pessoal. Era meu jeito de me provar meu próprio poder, minha forma de avisar que eu já não tinha mais  que me preocupar com o passado, que agora era só conquistas e otimismos. Minha alma, meus pensamentos, explodiam como flocos de neve, cobrindo a todos os obstáculos, deixando o chão alto, uniforme e fofo para que eu pudesse passar.
Quando comecei a cantar sem preocupações, percebi o quão melhor e mais audível minha voz fica, como se um tampão saísse de minha garganta. A alegria aumentava a cada segundo.

My power flurries through the air into the ground
My soul is spiraling in frozen fractals all around
And one thought crystallizes like an icy blast
I'm never going back, the past is in the past

Naquele momento, não sei o que passou em minha mente, eu simplesmente pulei do palco e sai correndo. provavelmente, devia haver um grande sorriso em meu rosto, pois minhas bochechas ficaram doloridas assim que terminei de sorrir, alguns minutos depois.
Aquela tarde estava de fato muito boa, mas aquilo não foi o que mais me alegrou nem o que me surpreendeu mais. Quando meus olhos passearam pela sala,a fim de recorda-la, eu vi as juradas formosas e sérias, o homem lindo, cruel e atrevido olhando-me de forma sensual, a banda, as pessoas na porta olhando cada segundo da minha apresentação e... Dianna. Sim, Dianna Overwhelming. Aquela Dianna de Ohio, de expressões lindas e jeito delicado, minha amiga de todas as horas e eterna cunhada. Nós duas éramos como irmãs, tão juntas, tão unidas. Ela não sabia de minha vinda por eu ter simplesmente largado tudo e vindo sem justificar nada a ninguém, mas eu já imaginava que ela viria a Nova York cuidar de seu futuro, só não sabia que seria bem aqui, no mesmo lugar que eu.
Ela pareceu me notar também, pois assim que me olhou sorriu. Por instantes esqueci de andar para observá-la, nunca a vi dançando tão bem, e olha que a admirava demais como coreógrafa na escola. Ao prestar mais atenção, ouvi que a música que dançava era Let it Go, assim como eu, mas em versão diferente. Misteriosamente, estávamos na mesma parte. Pode parecer bobo, mas comecei a chorar de felicidade por vê-la ali, bem na minha frente, e imagens de nós duas andando por aí nos corredores de Julliard, rindo e conversando viram em minha mente. Passaríamos mais uma fase de nossa vida juntas, uma apoiando a outra, e só pensar nisso já é incrível.

Let it go, let it go
And I'll rise like the break of dawn
Let it go, let it go
That perfect girl is gone
Here I stand in the light of day
Let the storm rage on
The cold never bothered me anyway

Quando cantei "Let the storm rage on", minha voz estava trêmula e eu estava perto da porta de saída. Assim que finalizei com o impactante The cold never bothered me anyway, eu já estava do lado de fora e tinha acabado de bater a porta.
Aquele ato tinha sido louco e eu só conseguia pensar em uma coisa: Estou ferrada! Mas logo no seguundo seguinte, quando ouvi poucos, mas sinceros aplausos, eu pensei na possibilidade daquilo ter salvado minha audição. Quem sabe eles não gostaram do ato de rebeldia de uma adolescente de sorriso engraçado e cabelo rosa? Eu sei que o garotão do jurado tinha gostado de mim de certa forma, e aquilo já era bom.
Dianna parecia que não ia sair naquela hora dali de dentro, provavelmente teria seu resultado hoje mesmo. Não conseguia parar de sorrir enquanto a olhava, mas ficar naquele corredor estava me dando nervoso. Eles já sabem onde me encontrar, a essa altura sabem mais da minha vida do que eu mesma, já que tive de preencher uma ficha enorme na inscrição, se eu tivesse passado, receberia a carta no dia combinado e eu não precisava temer.
E foi daquele jeito, com uma mistura de sentimentos, bons, felizes, ansiosos, nervosos, e  os mais variados possíveis, que sai daquele local e me perdi mais uma vez antes de chegar a entrada. Um homem vendia churros bem naquela calçada e eu não perdi a oportunidade de comprar um, apenas para deixar o dia melhor. Sentei na calçada e ali fiquei, refletindo sobre tudo o que aconteceu naquelas últimas horas enquanto me sujava de doce de leite. E ali fiquei até Dianna me chegar com boas novas.



TAGGED: DIANNA; JULLIARD JUDGES ✖ NOTES: AUDIÇÃO JULLIARD COM PARTICIPAÇÃO DE DIANNA OVERWHELMING <3 ✖
CLOTHERS:??? ✖ LYRICS: LET IT GO

I Lollita

____________________

SAM * DIANNA * ALPHONSE * ALEX TURNER
Graeff Power

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Luna Michele Merëtseger em Sab 19 Jul 2014 - 19:31







Act 3, Scene 2,

To Speak Ill of Him.



N
ew York. Finalmente ali estava eu, no lugar em que pertencia. Era deslumbrante admirar a cidade da varanda do quarto de Hotel em que estava hospedada; quando não estava a perambular pelas ruas da cidade estava sentada no divã na companhia de um delicioso cappuccino da Starbucks e uma câmera fotográfica Polaroid. Num passado não tão distante imaginar-me naquela cidade era como um sonho de adolescente, algo completamente banal, algo que com um tempo mergulharia em total esquecimento. Estar naquela cidade era uma realização; sentia no ar que tudo podia acontecer ali. Acordar naquela cidade — se é que dormi algum momento naquele último três dias - era algo completamente extasiante. Eu amava Ohio, aquela cidade sempre seria meu lar, porém Lima não era o lugar para se estar quando se tem um sonho igual ao que eu tinha.

Depois da formatura as coisas se desenrolaram de um modo tão ligeiro que era difícil de acompanhar. Meus pais ainda mostravam surpresa com toda minha decisão em me mudar para uma cidade que ficava a 753.13 km de seus olhares atentos e rigorosos. Em alguns dias eles estariam de volta, eu finalmente teria meu próprio apartamento e finalmente iniciaria meu destino por contra própria; minha independência era algo que meus pais detestavam, sabia que no fundo estavam completamente perdidos em ver sua menina arriscar o futuro numa cidade, sozinha. Eles não podiam vir comigo por dois motivos. Primeiro, o amor incondicional por Lima e segundo, pela promessa que fizeram; eu viver sozinha quando chegasse ao ensino superior. Não viveria para sempre debaixo das asas protetoras de meus pais, eles sabiam disto. Era um desejo meu crescer, amadurecer, voar com minhas próprias asas e conquistar aquilo que sempre sonhei. O estrelato.

***

E
ncarar ao meu próprio reflexo naquele ultimo mês era algo diferente para mim. Eu havia mudado, isto era claro. Meus olhos corriam avidamente a cada canto do meu reflexo, buscava por algo que estivesse fora do lugar, a qualquer mínima imperfeição que fosse considerada notável por olhos de terceiros. "Não há nada de errado. Você desejou muito isto, você consegue." Repetia aquilo desde o segundo em que pus meus pés no prédio da Julliard. Era exitante e aterrador saber que aquele lugar havia formado renomado artistas e que eu estava ali, usufruindo de uma oportunidade unica.

Batidas na porta fizeram com que eu despertasse dos súbitos devaneios em que me encontrava. Estava a utilizar de um camarim para caracterizar-me de acordo com a personagem a quem representaria no teste interpretativo. Julieta. Não era segredo algum o quanto eu amava a William Shakespeare, poder representar um personagem de tal obra era algo incrível. A porta se abriu e uma figura feminina conhecida a pouco por mim apareceu, anunciava-me sobre meu teste, já estava na hora. Encarei pela última vez a meu reflexo; o vestido claro comprido em estilo grego alinhava-se graciosamente em meu corpo, meus pés descalços absorviam ao gélido piso e meu cabelo — que agora caia numa cascata alourada até metade das costas - manteve-se solto, tendo como enfeite apenas duas presilhas que prendiam as laterais de minhas madeixas louras e uma delicada tiara revertida de flores. — Você consegue, Luna. Está pronta. Sorri encorajando a mim mesma antes de caminhar para fora do camarim e seguir a mulher que caminhava em passos curtos a minha frente, guiando-me por um extenso e iluminado corredor.

Por um segundo retornei ao passado, imaginando-me no dia em que fiz a audição para adentrar o coral, as Troubletones. Recordava claramente de me sentir do mesmo modo em que me sentia naquele momento, nervosa, muito nervosa. Meus dedos deslizavam a todo instante no anel que eu carregava na mão direita; o anel em que Jhonah me presenteou. Pensava muito nele desde que havia deixado Ohio. Não havia o visto antes da viagem, sentia uma imensa vontade de retornar a Lima apenas para me despedir; quem sabe não usaria uma desculpa qualquer e retornaria a cidade. Fechei os olhos por um instante, imaginava a voz encorajadora do menino me dizendo o quanto eu estava preparada e como iria brilhar no palco. Jhonah sempre acreditava em mim, muito mais do que eu mesma certos momentos. Eu amava isto.

Não demorei em chegar a coxia do palco. A mulher me passou algumas instruções antes de me deixar sozinha ali. Aparentemente alguém havia acabado de se apresentar no palco, as luzes estavam apagadas e uma garota caminhava na direção contrária a mim com um sorriso presunçoso e a respiração ofegante. Alisei pela última vez ao anel em meu dedo; por um segundo fechei os olhos e mentalizei a todos que amava, obriguei-me a sentir o amor e confiança que todos sentiam por mim e com passos cautelosos caminhei para o palco após meu nome ser anunciado. De imediato as luzes se acenderam e um holofote pairou sobre o centro onde me encontrava. Encarei fixadamente a cada um dos professores, forçando um sorriso confiante enquanto me preparava mentalmente para aquilo.
Luna Michele Merëtseger Bittencourt. Representarei Julieta no monólogo To Speak Ill of Him da obra de William Shakespeare.Meu sorriso diminuiu e meus olhos se fecharam. Estava trêmula, meu estômago revirava e tudo que ouvia era as batidas do meu coração. "Você consegue Luna. Seja você mesma."

A imensidão do auditório decaiu na escuridão e eu recuei alguns passos, indo mais ao fundo do palco. Uma melodia lenta e melódica soava dos auto-falantes e novamente o holofote se acedeu, iluminando-me por completo. Respirei fundo e me vi como Julieta no jardim de Capuleto. Eu tinha que acreditar que era ela, que podia ser ela naquele momento. Sem mais hesitar caminhei para mais a frente do palco com uma expressão de total desespero. Naquele instante acreditei que era Julieta e que ele era Romeu. Meu Romeu.

"Poderei falar mal de meu marido? Ah! meu pobre senhor, que língua pode teu nome acariciar, se eu, há três horas apenas, tua esposa, o mutilei?"

Meus olhos vagavam na extremidade esquerda do palco, estava posicionada de modo lateral para os professores e minhas mãos unidas pairava abaixo de meus seios, era como se eu sentisse dor, uma agonizante dor no peito. Minha voz mostrava-se trêmula, meus olhos já enchiam-se de lágrimas verdadeiras e minha respiração pesava. Me virei, caminhando atordoada para a outra extremidade do palco enquanto dava as costas a uma enfermeira imaginária que mantinha-se imóvel a alguns metros de mim. Suspirei antes de prosseguir e com os punhos cerrados pressionei-o contra o peito, caindo lentamente até que me pusesse de joelhos escondendo a face com uma mão.

"Mas por que deste a morte, miserável, a meu primo?
É que o primo miserável teria dado a morte a meu marido. "

Meus olhos mantiveram-se fechados e meu ombros curvados, como se carregasse um enorme fardo. Minhas mãos unidas em meu peito desfaleceram pelo fino tecido do vestido, emaranhando alguns dedos sobre o traje. Estava em um misto de sentimentos naquele momento, a confusão tomava-me a cada instante. Suspirei lentamente e abri os olhos, voltando-me a frente, encarando ao horizonte, o pesar era visível em meu tom vocal ao relatar sobre Tebaldo e seu desejo na morte de Romeu.

"Voltai, lágrimas tolas, para vossa fonte
de origem; à tristeza são devidas as gotas tributárias que por engano ofereceis ao riso. "

Deslizei os dedos pelos olhos limpando as lágrimas e abaixando o tom vocal; estava a citar tais palavras a mim mesma. Um suspiro de alivio substitui ao do desespero que outrora assolava em mim; Tebaldo desejava a morte de Romeu, meu Romeu. Agora estaria ele falecido pelas mãos de que tanto desejara ceifar. Romeu estava vivo, afinal.

"Vivo está meu esposo, que Tebaldo desejava matar; morto, Tebaldo, que teria matado meu marido. Isso consola-me.
Então,por que chorar? "

Lentamente me ergui do chão e minhas palavras soaram com uma frieza visível mesclada com o alivio ao afirmar citar a morte de Tebaldo; um pequeno fragmento de sorriso se formou em meus lábios com minha afirmação de que Romeu vivia, porém não expressava felicidade. Virei-me para frente dos professores e mirei fixadamente a um deles com uma expressão cargada de sentimentos enquanto-o questionava. Tornei a suspirar antes de abaixar a cabeça com um súbito desânimo, encarei aos pés descalços e reverti o timbre vocal de tristeza.

"Mas há uma palavra pior ainda que a morte de Tebaldo e que me mata.

Desejara esquecê-la; mas, oh dor! pesa-me na memória: "Assassinado foi Tebaldo e Romeu se acha banido!"

Minha cabeça se ergueu lentamente e de meus olhos saiam lágrimas de dor; "Oh dor!", minhas mãos pressionaram meu peito e meu olhar desolado corriam por cada canto do palco a procura de um algo que certamente não estava ali. Escondia os olhos com a mão esquerda e com a mesma deslizei na franja que caia a frente de minha face pondo a detrás da orelha. Amargura e pesar tomou minha voz ao falar do assassinato de Tebaldo, e de Romeu, meu Romeu agora banido, demorei-me em falar banido, e ao falar meu tom tomou-se de uma súbita incredulidade.

"Essa palavra só, esse "banido", matou dez mil Tebaldos.

Encarava aos professores a minha frente vendo-os como o público e dirigia minhas palavras a eles. Banido, a repulsa e o sofrimento tomaram minha voz ao pronunciar tal palavra, e mais lagrimas se puseram a cair de meus olhos, lágrimas estas silenciosas e vagarosas. Cerrei os punhos novamente e soquei o ar num movimento baixo e iniciei uma caminhada de um lado ao outro; meus passos eram ligeiros e meu olhar atordoado.

"Essa morte de Tebaldo já fora dor bastante, se terminasse aí, Ou, ainda mesmo que a dor amarga amasse a companhia, e acompanhada se fizesse sempre de outras desgraças, por que causa, quando ela disse: "Tebaldo está sem vida", não se seguiu, também: "teu pai foi morto", ou "tua mãe", ou ambos, sim, que fora razão de sobra para as ordinárias lamentações?"

Minhas unhas cravaram-se no tecido na altura de estomago enquanto eu cessava meu caminhar; apoiando-me a uma coluna na extremidade direita do palco. Meu olhar caiu aos meus pés descalços e novamente tornei a chorar em dor a toda a desgraça que ocorria; em mente reunia a todos os momentos de fragilidade vivenciados e aquilo ajudava a deixar o choro mais real; nada forçado a ponto de transparecer falsidade.

"Mas vindo a retaguarda da morte de Tebaldo com este título: "Romeu banido foi", não há limite, medida, fim, nem termo para a morte dessa palavra."

Um soluço breve rompeu meus lábios; minha respiração era pesada, com certa dificuldade. Manifestei o sentimento da perda de seu amado, a sensação de saber que não teria mais a quem amava incondicionalmente ao seu lado. Sentia aquilo na verdade, um súbito nó tomou meu estomago e eu não hesitei em deixar que as lágrimas rolassem em minha face.

"Tudo está sem norte."

A medida em que minha mão deslizava pela coluna meu corpo se curvava até que eu estivesse sentada com a face escondida entre as mãos enquanto chorava silenciosamente; as lagrimas doridas ao banimento. As luzes por um instante se apagaram e fora então o fim de minha performance. Me ergui ligeiramente, caminhando ao centro do palco enquanto limpava as lágrimas e sorri agradecida aos professores. — Obrigada pela chance. Curvei-me levemente num cumprimento antes de me dirigir para detrás do palco. Só o que me restava agora era o resultado; meu destino estava a partir dali nas mãos dos instrutores da Julliard.








Julliard's Audition | Juliet | Wearing | New life, new direction.



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THERE'S LOVING IN YOUR EYES
That pulls me closer. It's so subtle, I'm in trouble, But I'd love to be in trouble with you. I got the healing that you want. let' s Marvin Gaye and get it on.

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Cody Wingate Jackson em Dom 20 Jul 2014 - 13:20

New York. Lá estava eu, preste a tentar uma vaga na universidade. Na verdade, estava prestes a sair do hotel onde estava hospedado, mas um nervosismo já me dominava apenas ao pensar em chegar perto da Juilliard College, ao mesmo que uma emoção que dizia (Você se formol) algo gratificante, e amedrontador ao mesmo tempo. Iria Fazer o curso de cinema, isso se eu conseguir a vaga. Estava saindo do prédio do hotel, pegando em seguida um ônibus no ponto, a algumas quadre dali. Minha irmã não estava muito contente, com o fato de que, eu iria morar em New York, independente mente se conseguisse uma vaga em Juilliard College ou não. E meus pais, se pudessem me prenderiam em uma jaula para não sair, já que aqui eu estaria fora do alcance as vigilância de minha irmã, mas para mim, isso era apenas detalhes, pouco relevantes.

Chegava a frente da Juilliard College, com um nervosismo a flor da pele, sabia que não seria nem um pouco fácil conseguir a vaga, e isso era vidente em meu rosto. O fato de que este seria uma cena do meu primeiro roteiro, martelava em minha cabeça, derrubando minha confiança de um penhasco, mas eu já estava aqui, e não voltaria para traz, já que eu ficaria em New York, eu iria no mínimo fazer a faculdade. Entro na Universidade , faltando apenas 5 minutos para minha “entrevista” se podemos chamar assim, que seria ao seu máximo a entrega do roteiro, as aqueles minutos que o levariam certamente iriam congelar minha alma ao zero absoluto.        
Entrava na sala, com meu roteiro dentro de minha mochila nas minhas costas. Ia ate o centro do local, onde estava(m) a(s) pessoa(s) que  eu teria de entregar meu roteiro.

-Olá, meu nome e Cody Wingate Jckson, e vim entregar o roteiro para o curso de cinema-  

Abro minha mochila retirando meu roteiro, que estava em um envelope marrom escrito “Roteiro: Mary , Autor: Cody wingate jackson“, e entregando para a pessoa que o avaliaria assim me retirando do local.




Roteiro
Rua : Wingate Street  - 22:10
Rua pouco movimentada, com várias lanchonets em seu decorrer.
Personagens :
Mary, pele clara, cabelos lisos e negros, olhos castanhos, magra, vestindo uma blusa branca, calça jeans e tênis preto com detalhes em rosa, 20 anos;
Matt, pele clara, cabelos lisos e loiros, olhos cor mel, físico atlético, vestindo uma blusa preta, com uma jaqueta cinza, causa jeans escura, tênis branco, 19anos;
----------------------------------

Cena :1
Mary:
Porque.
(uma pausa)
Porque fez isso comigo ? (diz chorosa)

Matt:
Agora a culpa e minha ? (nervoso)
-Da as costa para ela-

Mary:
E não é ? !

Matt:
Não

Mary:
Sim
-Ela o vira para si-
A culpa e sua !

Matt:
Minha? Foi você quem quis começar tudo isso.

Mary:
E você concordou.

Matt:
Porque você me pressionava a todo tempo, ou lugar onde fosse.

Mary:
Eu estava te ajudando.

Matt:
Ajudando?
(Pausa)
Você só ferrou minha vida.
-Da as costa novamente, e prossegue se afastando-

Mary
Ferrei sua vida? Eu te transformei em algo melhor, você não era nada sem mim.


Matt:
(para)
Não era nada sem você ?
-olha de lado-
Então agora eu sou algo pior que nada.
-Continua andando-

Mary:
Matt, volta aqui
(pausa)
Matt
(Grita)

-Matt sai-

Mary (O.S)
Eu poderia dizer que este e o começo da minha verdadeira história, mas estaria mentindo se o dissesse, por este e o meio, então vou contar quando minha historia começa.. Quando conheci Matt.
 

____________________


Cody Wingate Jackson

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Silver W. Blackheart em Dom 20 Jul 2014 - 13:51


Isn't Real?
O Dia decisivo havia chegado. O Sol já tinha deixado seu posto noturno e voltava a iluminar as longas ruas de Nova York. Meu coração acelarava mais e mais á medida que os segundos passavam. Passou um ano, e finalmente o dia que sempre esperava estava ali, diante das minhas mãos. Respirei fundos e não esperei para vestir minha roupa. Saí de imediato do quarto e apanhei numa mochila negra com as coisas de que precisava. Junto á enorme entrada do Hotel um táxi já me esperava para me guiar pela cidade.
Os prédios, as inúmeras pessoas, o brilho, tudo era diferente ali. Sorria abertamente por cada esquina que o taxista virava, ficava cada vez mais impressionado. Mas era tudo uma questão de tempo até a audição. Fechei os olhos e tombei com as costas no banco respirando fundo. As borboletas em minha barriga já eram insuportáveis, e minha língua parecia querer se mover mas a ansiedade a obrigava a ficar quieta e estática. - Calma Sebastian... calma. - falava para mim mesmo tentando mentalizar de que aquilo tinha de acontecer. A audição não podia esperar mais.

---------------------

Após minha rotina do Starbucks e de ter bebido lá meu Frappuccino Espresso para ganhar mais energia, segui rumo á Julliard.
Sai do táxi pagando ao velho senhor pelos serviços e me despedi dele com um sorriso simpático porém desastrado. Engoli em seco e adentrei. Minha respiração estava acelarada. Alguns alunos de lá olhavam-me de alto a baixo. Eu me sentia como um pedaço de carne no meio de uma jaula de leões. Só queria que tudo aquilo fosse um sonho, ou algo que me beneficiasse na audição, não que me intimidasse.
Dirigi-me á recepcionista, e esta encarou-me por cima dos seus óculos pequenos. Era idosa, mas bem poderosa pelo olhar. Seu ar frio e prepotente demonstrava que estava atrás daquela secretária á anos - Procura alguma coisa jovem? - soou sua voz meia rouca causada pela idade. Limitei-me a sorrir forçadamente e de certo que deveria se notar - Procuro fazer uma audição. Sou de Ohio.
Esta olhou-me mais prepotentemente ainda. Porquê as pessoas têm a mania de julgar os outros por serem de outra cidade? Eu percebia aquele tipo de olhares, do tipo "Você está na minha cidade. Eu mando."
Esta prossegui-o a olhar-me nos olhos e poucos segundos depois vasculhou uns papéis sobre a sua secretária até achar um que tinha uma foto minha em pequena dimensão - É o senhor Sebastian Smythe, correto? - Tentei forçar um sorriso e no momento em que ia abrir a boca para falar esta me interrompeu com uma voz pesada e envelhecida pelo tempo - Siga-me. - Pisquei os olhos várias vezes atrapalhado pela situação e quando dei por mim, estava caminhando ao lado da senhora. Chegavamos a um corredor estreito cheio de portas detalhadas com uma pintura de cor baunilha, e onde se podiam ver umas lindas e médias estrelas douradas ao alto, cada uma com o seu número de camarim. Fiquei com o 22, e despedi-me da idosa com um sorriso leve e um pequeno aceno de cabeça. Finalmente a sala porque tanto esperava. Ali eu sabia que tinha tempo para pensar... para acentar as ideias. Olhei em redor. Um enorme guardafato com roupas de todos os tipos e feitios estava ali. Também tinha um enorme espelho numa parede com luzes like a Hollywood em contorno, e uma mesa a condizer junto á parede com todos os tipos de pinturas e afins. Sorri abertamente e tirei a mochila dos ombros. Suspirei e retirei uma garrafa de água. Bebi um pouco. Precisava aclarar as cordas vocais.


--------------------

Passou o tempo, e fui interrompido por um pequeno apito e um micro acima da porta. Encarei e pude ver uma luz acesa e por fim uma voz grossa - "Sebastian Smythe é chamado ao palco."

Enguli em seco e respirei fundo. É agora. Levantei-me da cadeira e sai da porta. Meti as mãos nos bolsos e percorri o corredor em passos pesados.
A minha vida estava prestes a mudar ali. Ali, de tudo um pouco iria mudar. Minha vida parecia percorrer-me diante dos olhos. Blaine, Santiago, minha mãe, meus amigos, os Warblres... tudo. Meu coração queria eventualmente saltar pelo peito a fora. Mas não deixei. Sussurrei-lhe que precisaria dele agora, mais do que nunca. Ele concordou, então respirei fundo e saí do corredor.

--------------------

O palco estava bem iluminado. Um cheiro  cortinas lavadas, e a lexivia de rosas percorria o ar. No meio do palco estava uma cruz, era onde seria o inicio das audições. Mantive um sorriso no rosto. Este era natural. Não podia mostrar nervosismo perante aquela gente exigente. Duas Madames e um Monsier estavam sentados numa mesa mesmo á frente do palco. Estavam numa posição a que podesse ficar de frente para eles. - Boas. Então é o senhor Sebastian? - falava a primeira mulher com uma expressão neutra no rosto. Aquilo metia respeito. Suspirei e acenei levemente sorrindo de canto respondi - Boas... Sou sim. Venho de Ohio... fui membro da Dalton e pertenci ao coral dos Warblers. - reparei no homem olhando para mim. Tinha um ar curioso mas fixo nos meus olhos. Até que por fim soltou a sua rouca e grossa voz - O que irá fazer na sua audição?
Pisquei os olhos e prossegui sorrindo colocando as mãos unidas atrás das costas falando num tom suave - Vou fazer a audição para a área de canto e irei cantar uma música mais atual. Demi Lovato - Neon Lights.

O homem escutou com atenção, então preparou num papel á sua frente sobre a mesa e acenou. Assim que o fez, o intrumental da música começava ao mesmo tempo que eu fechava os olhos e começava com a mão cerrada junto ao peito:

- Baby, when they look up at the sky
We'll be shootin' stars just passin' by

Sorri num ar provocador olhando eles fazendo a pausa no "sky" e em "by" e permaneci na doce voz suave e baixa:
- You'll be comin' home with me tonight
We'll be burnin' up like neon lights


Continuei olhando-os mantendo uma respiração moderada e dando os fôlegos suficientes para cantar. Na parte seguinte abri as pernas ao mesmo nível de largura dos ombros e bati o pé levemente conforme e batida prosseguindo com a música:

- Be still, my heart, 'cuz it's freakin' out
It's freankin' out
Right now

Dessa vez abanava o ombro direito á mesma batida do pé e continuava controlando sempre a voz:
- Shining like stars, 'cuz we're beautiful
We're beautiful
Right now


Agora ia recuando com pequenas e estilosos passos sempre ao ritmo da batida e chamando os júris com com lentamente com os dedos numa expressão desafiadora. Tirava agora partido do meu nervosismo e aproveitei para aumentar um pouco a voz:

-  You're all I see in all these places
You're all I see in all these faces
So let's pretend we're running out of time

Parava no sitio e bruscamente endireitava as costas sorrindo:
Of time

Fechei os olhos, e do nada quando os abri o fiel produto da minha imaginação ajudou-me. Uma rave transformava a sala do palco em nada. E os Wablers estavam alinhados atrás de mim prontos para fazer uma coreografia das que só eles sabiam, e me acompanhavam no refrão alto e poderoso:

- Baby, when they look up at the sky
We'll be shootin' stars just passin' by
You'll be comin' home with me tonight
We'll be burnin' up like neon lights


Movia os ombros conforme as batidas de fundo, mudando sempre de posição como um zombie, só que dessa vez as luzes fluorescentes pensuradas por toda a sala mostravam o lado brilhando da minha roupa, projentando luzes azuis, amarelas e rosas, continuei com a mesma coreografia tipo zombie:

- Baby, when they look up at the sky
We'll be shootin' stars just passin' by
You'll be comin' home with me tonight
We'll be burnin' up like neon lights


Parava a coreografia e serpenteava meu corpo de um lado para o outro mexendo na roupa sempre de olhos postos no júri, enquanto os Warblers me acompanhavam com vozes de efeito de fundo:

- Neon lights
Neon lights
Neon lights


Perdi o controlo completo e segurei meus cabelos erguendo a cabeça e num movimento brusco abri os braços cantando num tom alto controlando cada vibrato e alongando a extensão vocal de cada palavra:

- Like neon lights
Oh
Like neon lights
Oh


Respirei fundo e curvei um pouco as costas para baixo dando passos para a frente ao ritmo da música voltando ao tom inicial de voz enquanto os Warblers atrás faziam o mesmo acrescentando um estalar de dedos:

- Be still, my heart, 'cuz it's freakin' out
It's freankin' out
Right now

Endireitei as costas e estalava dois dedos batendo com o pé de novo no chão prosseguindo também com um leve movimentar de ombros:
- Shining like stars, 'cuz we're beautiful
We're beautiful
Right now


Recuei os passos de novo ao ritmo da música enquanto as luzes iluminavam diferentes partes da sala revelando mais cores fluorescentes pela mesma:
- You're all I see in all these places
You're all I see in all these faces
So let's pretend we're running out of time
Of time


No último "Of time" abusei da voz aumentando o tom, e continuei controlando um agudo alto me movimentando tipo zombie de novo movimentando os ombros e as pernas bizarramente, ao mesmo ritmo que os Warblers atrás de mim que cantavam como voz de fundo o refrão:

- Baby, when they look up at the sky
We'll be shootin' stars just passin' by
You'll be comin' home with me tonight
We'll be burnin' up like neon lights


Agora parava e abria as pernas de novo, movimento os ombros com o ritmo de fundo e fazendo gestos para o júri com um olhar perfurante:

- Baby, when they look up at the sky
We'll be shootin' stars just passin' by
You'll be comin' home with me tonight
We'll be burnin' up like neon lights


Alguns Warblers deitavam-se no chão serpeando pelo mesmo enquanto outros poucos passavam as mãos pelas minhas pernas e braços:

- Neon lights
Neon lights
Neon lights


Perdi o controlo de novo e abanava a cabeça erguida para cima com as mãos nos cabelos de novo, abusando no tom de voz que etoava pela sala como uma flecha, ao mesmo tempo que os Warblers perto de mim caiam bruscamente para trás fazendo todos uma coreografia no chão:

- Like neon lights
Oh
Like neon lights
Oh


A sala ficou escura e uma luz apontou para mim, enquanto que no fundo os Warblers eram vistos através das luzes fluorescentes a fazerem movimentos lentos, e prosseguia batendo o pé cantando num tom baixo e doce:

- Shining like stars, 'cuz we're beautiful
We're beautiful


Estalei as mãos e a luz acima de mim se apagou onde eu era visto apenas através das luzes fluorescentes da minha roupa. Nesse momento uma lágrima de alegria por ter eles todos ali escorreu pelo meu olhos e meu coração foi abrandando a ansiedade:

- You're all I see in all these places
You're all I see in all these faces
So let's pretend we're running out of time
Of time


Antes do último "Of time", susti a respiração suficiente e extendi a palavra como nunca antes, erguendo a cabeça e abrindo os braços ao mesmo tempos que os Warblers atrás de mim. Mas logo uma batida quebrou a música e prossegui aumentando o tom de novo enquanto fazia gestos para o júri e fechava os olhos:

- Like neon lights
Oh
Like neon lights
Oh


Fechei os olhos e respirei calmamente cantando a última frase num tom baixo:

- Be still, my heart, 'cuz it's freakin' out

Respirei fundo, e pisquei os olhos várias vezes notando novamente nas luzes renovadas espalhados pelo grande auditório. O silêncio reinava o local, olhei em torno... estava tudo como antes. Os júris atarefavam-se a escrever promenores nos papéis. Limpei bruscamente a lágrima já no fim da minha bochecha e mirei o acenar do homem - Obrigado, Sebastian.
Retribui o aceno de cabeça, e suspirei saindo.



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Silver
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Re: Auditório Principal

Mensagem por Demétrio Eckheart Ghödshy em Dom 20 Jul 2014 - 20:27






   
   
   









Beautiful Goodbye


O grande dia. Era assim que o garoto considerava o dia de hoje. Como um dia especial, o qual decidiria sua vida daqui por diante. Se estava estava nervoso? Acho que a resposta era clara. Puxou o copo d'água ao seu lado, levantando-o e aproximando vagarosamente ao contato dos lábios. Era visível o quanto suas mãos tremiam. Precisava eliminar aquilo. Respirou fundo, observando-se no espelho mais uma vez. A roupa era simplista, praticamente uma camiseta aberta o bastante para lhe dar os movimentos que precisava e uma calça que lhe gerava a mesma disponibilidade; quanto ao que calçava? No momento, apenas uma pequena pantufa para evitar que pisasse em algo a caminho do local que sediaria as apresentações, já que não calçaria nada ao dançar.

Lembrou-se do rosto da melhor amiga lhe sorrindo como se o encorajasse, fazendo com que fizesse o mesmo, erguendo a cabeça e observando-se frente ao espelho pela última vez. Contente, ajeitou a roupa novamente, partindo dali com a melhor lembrança que poderia ter, seus amigos.
[...]

Ainda estava atrás das coxias quando ouviu seu nome ser chamado. A pronuncia soava forte e ríspida. Era como uma faca gélida invadindo sua espinha. Caminhou alguns passos à frente, mantendo a mesma expressão simpática de sempre para esconder tudo o que sentia. Viu-se de frente aos que seriam seu jure. O coração batia mais rápido, o estômago praticamente parecia ter uma revoada de borboletas. Deu alguns saltos quase que imperceptíveis na busca de se livrar de maus pensamentos. Parou ao ver a proximidade que possuía, assentindo com a cabeça para que pudessem iniciar a música. Como eles sabiam? Há poucos minutos atrás, antes de iniciar, havia deixado um pen-drive com um dos assistentes para que pudesse ser plugado no sistema de som.

Assim como requerido, seu momento dava início. Sorriu pela última vez antes de fechar os olhos e voltar para a mesma expressão séria que se imaginava ao ouvir tal música. O som, vagarosamente e em tons altos, ia preenchendo a sala. Diferente da versão original, essa possuía uma introdução mais lenta, feita de toques que se assemelhavam com o de um piano tocado tecla por tecla. Como era justo, fazia o mesmo. Possuía movimentos calmos e lentos para que se adaptassem. Mexia o corpo como se fosse levado pelo mar ao entardecer.

A sonorização original se dava início com algumas batidas altas e fortes antes da letra, obrigando-o a fazer o mesmo. Usou dos pés para que pudesse simbolizá-las, pisando forte em cada batida e jogando o corpo para o lado contrário dos pés, voltando com todos os dois para o centro ao ouvir a letra ecoar pelas paredes.

Party girls don't get hurt
Can't feel anything, when will I learn
I push it down, push it down

Foi quase que por impulso. Sua mão direita percorreu todo o corpo, indo de encontro para a outra mão levantada para o alto. O movimento se fez nas duas primeiras palavras. Seguindo ao retorno para baixo, nas três seguintes. Se havia mais algum movimento além desses? Claro. Os ombros iam se mexendo com quaisquer movimentos, complementando.

Na frase seguinte, tudo mudava. Ambos os braços eram esticados para trás, assim como uma das pernas; deixando apenas a outro para que evitasse de cair ao dar o primeiro salto que se fechava em “learn”. Continuava, erguendo os braços para sua esquerda e levando-o próximo ao chão.

I'm the one "for a good time call"
Phone's blowin' up, they're ringin' my doorbell
I feel the love, feel the love

Assim como a maior parte da música, ela se referia à mulher que a cantava. Então era claro que os trechos eram ditos no “eu feminino”.  Porém não era algo a se importar, mesmo que na dança, representasse tal.

De acordo com a primeira a frase, o baixinho, ao invés de representar recebendo ligações - como dizia a música -, apenas trouxe a impressão de que era puxado, deixando o corpo ir para os lados como se caísse e em seguida, sendo pego em forma dum abraço que balançava conforme a música. Era o jeito de dizer que sentia o amor.

Todos seus movimentos eram seguidos, tão rápidos e vibrantes quanto a própria música. O ideal para se chamar a atenção e mostrar a agilidade que possuía.

1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink

Era uma das partes que mais gostava. O refrão que representava a bebedeira, a conseqüente falta de reação e perda de controle.  Como representaria isso? A resposta tão simples e graciosa quanto seus movimentos formados pela extensão de seu corpo para frente e afastando os pés para trás, voltando à medida de cada numeração, ou seja, um, dois, três, um dois três, chegando finalmente aos movimentos que levavam sua mão a boca em forma de copo, tapando-a logo em seguida. Ao terminar esse movimento, jogava o corpo no chão com cuidado para evitar o impacto e um possível machucado, voltando novamente. Esses movimentos se repetiram durante as três frases, isto é, exceto pelo corpo jogado ao chão; que era usando apenas no final da última linda – no último “drink”.

Throw em back, till I lose count

Antecessor ao refrão. O momento em que após estar de pé, passava com o braço direito por cima da cabeça, rodando sobre o chão pela primeira vez. Assim iniciava o clímax da música e de sua apresentação.

I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
Like it doesn't exist
I'm gonna fly like a bird through the night
Feel my tears as they dry
I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier

Não teve como conter o corpo. A coreografia exigia um pouco disso, mas sabia que se pudesse usar da liberdade em algum momento, seria ali. Por isso não se prendia a um estilo específico de dança, muito menos a um passo. Eram vários, um seguido do outro, mostrando a liberdade dos braços que se mexiam em formas de ondas e os pulos e rodopios dados em diversos momentos. Foi tanto brusco, quanto delicado. Mostrava tudo que sabia, expunha que era capaz através da flexibilidade de seu corpo pequeno e agilidade de seus movimentos.

Todos seus movimentos eram básicos e simples, mas repletos de graça e perfeição. Era assim que alcançaria o que tanto desejava. Se em algum momento forçasse uma coreografia mais difícil, um passo poderia sair errado. Algo que pode acontecer com até mesmo os mais experientes dançarinos.

And I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life
Won't look down won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
On for tonight

Ao iniciar-se esse trecho, lá estava ele, fechando o rodopio e desmoronando propositalmente no chão com uma das pernas esticadas para frente. Forçava o corpo para frente e para trás, alcançando as mãos nas pontas do pé esticado e voltando.  Continuou os movimentos, exceto pelas mãos que tampavam os olhos ainda fechados. Deixava ser conduzido totalmente pela música. A escolha certa e perfeita para uma apresentação.

Abriu os olhos assim que ergueu o corpo. A mão esquerda formava um arco que levava próximo aos joelhos. Estava representando a música. Em outras palavras, sendo levado para chão novamente enquanto a outra mão livre passava a impressão de que era puxado para o outro lado dizendo em simples palavras “agüente firme”.

Sun is up, I'm a mess
Gotta get out now, gotta run from this
Here comes the shame, here comes the shame

1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink

Throw em back till I lose count

O tempo passava como uma eternidade. Não havia nervosismo como anteriormente, mas sim uma expectativa de boa resposta, o que por desventura de algum erro, poderia ocorrer.

Voltava a sua posição original com os mesmo movimentos. Apenas ereto e balançando o corpo lentamente de um lado para o outro,  às vezes indo para frente e para trás sem se quer desgrudar o pé dali,  preparando-se para repetir os mesmos passos das estrofes acima. Era a mesma letra e não haveria outra forma de representá-la se não fosse repetindo-o.

Tínhamos o refrão mais uma vez. Movimentos próximos da primeira vez, repetiam-se. Porém, desta, havia um pouco mais de complemento, enchendo de mais e mais saltos e movimentos pesados e bruscos que apareciam a todas batidas fortes e finais de cada frase. E foi assim, que chegou próximo ao final da música, o trecho em que tudo acabaria.

And I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life
Won't look down won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
On for tonight
On for tonight

O local todo havia sido usado. De seus cantos mais remotos até o centro. Lugar onde o branquelo se encontrava de joelhos, batendo no chão gélido de madeira com o punho. Sua cabeça estava baixo, olhando o nada. Ergueu-a, fazendo o mesmo com as mãos que viam em direção ao peito, dando duas batidas e sendo erguidas para cima ao seu levantar. Desta vez, somente sua cintura se mexia de uma forma incrivelmente solta, fazendo com que o movimento subisse até o tórax ao final, onde o corpo simplesmente parava, perdendo toda a eletricidade que possuía ao dançar. Nada se movia.

Suspirou, sorrindo ao se sentir contente com a apresentação que havia feito. Agradeceu com o corpo, sentindo pela primeira vez o calor e a emoção de uma apresentação tão grandiosa como está. Havia se retirado do palco, partindo novamente para atrás das coxias e indo de encontro aos amigos que ali se encontravam. Sua querida e amada morena e a branquela de cabo rosa que insistia em chamar de "Milk", ou melhor, Leite.




sun is up, I'm a mess

Audição para Julliard  // Dianna ♥ //  Nervoso  // BY LOONY!

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See I ain't no bitch nigga, no rich nigga
I'mma real nigga, that's real nigga

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Re: Auditório Principal

Mensagem por Convidado em Dom 20 Jul 2014 - 23:41




Julliard - Jornalismo

O
Dia em New York estava lindo. Não sei se estava lindo porque eu simplesmente estava feliz e iria finalmente fazer o teste para Julliard ou realmente estava lindo. Eu me olhava na porta de entrada, no reflexo do vidro esfumaçado. Revendo meu visual, queria parecer uma garota séria, sem perder meu estilo, só parecer digna de Julliard. Eu vestia uma cardigã azul marinho, uma blusa social branca, saia preta plissada curta, mas não muito, o bastante para que ficasse descente, sapatilha e o mais importante, um delicado crucifixo de ouro que eu tinha em meu pescoço, para me dar sorte. Seguro brevemente na cruz no meu pescoço e tenho o maior numero de pensamentos positivos para afastar a insegurança. Lembro de toda turma de Ohio que estava ali, na mesma ansiedade do que eu. Principalmente em Nicholas, Aaron, Milena, Dexter, Luna e Dianna. Tudo que eu mais queria no momento era que todos passassem e eu pudesse morar em New York com meus amigos, Aaron e Nicholas, para aprontarmos muito e também esperar Hanna, que infelizmente tinha que ficar em Ohio

Respiro fundo, estava na hora de ir entregar minha reportagem, que estava escrito em estilo crônica. Abraçava com carinho e cuidado o envelope sobre meu peito, para não amassar e seguia andando pelas escadas de Julliard, rumo à sala aonde eu teria que entregar a minha reportagem. As audições estavam também ocorrendo na mesma sala, olhe para a platéia e havia várias pessoas sentadas ali, engulo seco nervosa, felizmente eu não precisava permanecer ali, só tinha que assinar meu nome e entregar o envelope. Por segurança eu havia posto o nome e curso tanto no envelope de papel pardo quanto na folha com a matéria que continha dentro. Entro na fila para entrega de envelopes, que felizmente está rápida, mas só aumentava meu nervosismo.

Finalmente chega minha vez, entrego o envelope para a mulher e a observo verificar tudo para ver se estava de acordo com o pedido. Sua expressão parecia entediada, mas também parecia muito crítica. Mas logo ela diz que posso ir. Respiro aliviada por ter feito minha parte, mas meu nervosismo continuava, por conta do resultado.





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Mary Sunset Hoffmeister McCain
Curso: Jornalismo.
Reportagem:



O Segredo do LUTW

Surpreende a todos que o Light up the world, um RPG de tema glee, durar dois anos e ainda continuar sendo um RPG de grande porte. Apesar de inúmeras brigas, birras, dramas adolescentes, rivalidades, desinteresse por parte de alguns administradores e outros inúmeros problemas que temos certeza que os membros já têm até decorado, o famoso LUTW continua firme.  É incontestável o fato de que se uma vez jogou por pelo menos uma semana em tal lugar, jamais se esquece, sendo amando-o ou odiando-o. De alguma forma deixa uma marca forte nas pessoas que por ali passam.
Existem várias hipóteses para suposto sucesso de tal RPG. Talvez porque inicialmente algo que se nota, assim que se entra no RPG é a receptividade e a curiosidade dos membros antigos pelos novos, principalmente por sua sexualidade. Isso faz os novos membros se sentirem importantes e terem vontade de continuar ali. Até porque, não há ninguém que não queira ser notado. Ou talvez seja porque como um RPG de glee e tenha como objetivo a comunhão, aceitação e combate ao bullying, coisas que todos concordam que alguns membros teimam em fazer o contrário. Mas, ainda assim, nele a população homossexual da forumeiros se sente de alguma forma acolhida e livre para “soltarem a franga” sem ser muito questionado. Até porque de um RPG de glee, muitos não se esperam um lugar de predominância heterossexual. Provavelmente a possibilidade de alguém entrar como um nada e crescer no RPG seja mais possível do que outros rpgs, não é difícil passar de alguém que ninguém vê para uma pessoa popular. É explicito o desejo de todos naquele lugar: Chegar ao topo. Ser sempre lembrado, seja como for. E isso, claro, faz o RPG parecer algo entre Gossip Girl e Pretty Littler  Lies, com direito a uma nova versão da -A. Levando em consideração, tudo isso, o RPG fica sendo só 60% glee. Sem esquecer o fato de que grande maioria dos membros nem gostam de glee. Ou se não, nunca assistiram a série.
É quase impossível explicar as inúmeras hipóteses do LUTW ser o que é hoje, pode ser como muitos dizem, uma macumba do senhor William Schuester ou simplesmente é um bom lugar para se estar com os com amigos.  De qualquer forma, caro leitores, eu só dei pistas para desvendar esse mistério, pois não depende só de mim desvendá-lo, mas sim de todos que conhecem o RPG. Por isso deixo a vocês refletirem sobre o Milagre Light Up The World.



NY | Jonarlismo | Julliard

Thanks ∑Θ
Convidado
Convidado

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